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AGRONEGÓCIO: PIB do setor cresceu 0,96% em MG

O índice é pequeno se comparado com a evolução registrada em 2014, quando a expansão do setor foi de 6,77%


Publicado em: 01/04/2016 às 10:45hs

AGRONEGÓCIO: PIB do setor cresceu 0,96% em MG

Apesar do cenário negativo em 2015, com perdas produtivas causadas pela estiagem, aumento dos custos de produção e economia instável, o agronegócio de Minas Gerais cresceu 0,96% no período, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O índice é pequeno se comparado com a evolução registrada em 2014, quando a expansão do setor foi de 6,77%.

Com variação positiva, o PIB do agronegócio mineiro em 2015 foi estimado em R$ 171,94 bilhões. Deste total, R$ 84,485 bilhões ou 49,13% são oriundos da atividade agrícola e R$ 87,461 bilhões ou 50,87% provenientes da pecuária. A renda gerada pela agricultura cresceu 3,84% enquanto a da pecuária recuou 1,69%. A taxa de participação do agronegócio mineiro no PIB do País passou para 13,54%, superando ligeiramente o resultado apurado em 2014, de 13,48%.

“Mesmo diante do cenário delicado que afetou diversos setores, conseguimos registrar crescimento, apesar de pequeno. Já esperávamos este avanço menor pelos impactos negativos provocados pela instabilidade econômica e política, da desvalorização do real frente ao dólar e dos efeitos do clima adverso no agronegócio estadual”, explicou a coordenadora da Assessoria Técnica da FAEMG, Aline Veloso.

O PIB do agronegócio, em dezembro, registrou alta de 0,09%. Entre os segmentos, no mês, houve crescimento em indústria, 1,35%, e serviços, 0,43%, enquanto básico e insumos apresentaram queda de 0,37% e 3,51%, respectivamente.

No acumulado do ano, com alta do PIB de 0,96%, apenas o segmento básico teve queda estimada em 1,42%, enquanto os demais apresentaram avanço de 6,08% para insumos, 3,5% para indústria e 1,16% para serviços.

2016 - Em relação ao atual ano, ainda é cedo para estimar o valor PIB. As projeções são cautelosas e um posicionamento será feito em abril, quando a colheita da primeira safra de grãos estará concluída e o plantio da segunda efetuado. Até o momento, a recomendação da Faemg para os produtores é que analisem os rumos do mercado e que façam somente investimentos estritamente necessários.

“Ainda é cedo para estimar o PIB para 2016, mas a situação ainda é bem delicada e a instabilidade política influencia no desempenho do setor. O produtor precisa manter a cautela e mensurar bem os investimentos, uma vez que as taxas de juros estão altas. É necessário também ficar atento ao mercado e aos custos de produção, que podem ser elevados com o dólar valorizado”, explicou Aline Veloso.

O PIB do agronegócio de Minas Gerais é estimado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), com o apoio financeiro da FAEMG, do SENAR MINAS e da Seapa (Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais).

Agricultura teve alta de 3,84%

A renda gerada pela atividade agrícola cresceu 3,84% no acumulado de 2015 e 0,9% em dezembro, com renda anual de R$ 84,48 bilhões. O segmento encerrou 2014 com queda de 1,1%. O resultado positivo de 2015 é reflexo das elevações observadas em todos os segmentos do setor: insumos (9,8%), básico (3,56%), indústria (3,49%) e serviços (3,5%).

A cotação média e a produção para o conjunto das atividades agrícolas cresceram 2,86% e 0,94%, respectivamente, com relação ao ano anterior.

“A nossa produção sofreu influência negativa do clima, provocando perdas nas safras de grãos e de café, e isso dificulta os resultados dentro da porteira, mas ainda assim conseguiu fechar com resultado positivo no segmento básico”, disse a coordenadora da Assessoria Técnica da FAEMG, Aline Veloso.

Dentre as culturas agrícolas, o faturamento ficou maior na cana-de-açúcar (1,84%), soja (3,7%), milho (0,97%), batata (46,2%), laranja (11,52%), feijão (25,39%), banana (4,58%) e tomate (6,04%).

O café, principal produto do agronegócio de Minas Gerais, encerrou 2015 com faturamento 0,72% menor, resultado influenciado pela queda de 1,36% na produção e alta de 0,65% nos preços.

O faturamento da produção de carvão vegetal retraiu 26,72%. No período, os preços ficaram 10,35 inferiores e o volume 18,31% menor. Em relação ao algodão, o faturamento caiu 3,82% no ano, a produção retraiu 6,74% e os preços ficaram 3,14% maiores. O faturamento da mandioca e do arroz recuaram 35,45% e 39,33%, respectivamente.

Pecuária registra queda de 1,69%

Para o ramo pecuário, o levantamento do Cepea mostrou que o PIB do setor recuou 1,69% em 2015 e 0,68 em dezembro, gerando faturamento de R$ 87,46 bilhões. No período foram registradas altas nos segmentos de insumos, 3,15%, e indústria, 3,58%. Os demais recuaram: básico, 3,23%, e serviços, 1,18%.

O preço médio ponderado do setor pecuário ficou 1,45% maior que o de mesmo período de 2014 e houve retração de 4,01% na produção para o ano. Entre os setores, apenas o de frangos apresentou evolução positiva em faturamento, de 8,43%, alta de 4,09% na produção e de 4,17% nos preços.

O faturamento do boi recuou 3,55%, em função da produção 11,19% menor. Os preços ficaram 8,61% maiores no período.

Em relação ao segmento da vaca, a retração em faturamento chegou a 2,49%, reflexo da queda de 10,02% na produção. Os preços subiram 8,37%. No caso do leite, com uma produção 5,04% maior e preços 10,18% inferiores, o faturamento encerrou 2015 com queda de 5,65%. A situação da pecuária leiteira é considerada desfavorável.

“Ao longo do ano passado, os pecuaristas trabalharam com os custos elevados e os preços recebidos em queda. A situação é complicada, mas estamos em busca de soluções para o setor”, informou a coordenadora da Assessoria Técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso.

Os ovos também terminaram 2015 com faturamento menor, 0,69%, assim como a produção de suínos, cuja renda ficou 7,59% inferior.

Fonte: Diário do Comércio

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