Publicado em: 16/06/2016 às 14:45hs
Mesmo assim, o mercado permanece acima dos 19,50 cents por libra-peso, num sinal de que a sustentação de longo prazo, dada pelo déficit, ainda persiste.
Conforme apurado pelo Broadcast Agro, as geadas se concentraram no Paraná. Por lá, as perdas podem chegar a 10% da safra, ou pouco mais de 4 milhões de toneladas, segundo estimativa da Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado (Alcopar). Mato Grosso do Sul e São Paulo também registraram geadas entre domingo e ontem, mas o fenômeno foi mais brando.
Embora a quebra de 4 milhões de toneladas de matéria-prima não seja desprezível, ficou bem abaixo das expectativas. Na semana passada, as projeções apontavam para até 20 milhões de toneladas de cana passíveis de serem afetadas pelas geadas, as mais fortes desde as observadas em julho de 2013. Naquele inverno, a quebra se concentrou em Mato Grosso do Sul.
A não concretização das geadas na escala prevista arrefeceu os ânimos dos altistas, que também já estão de olho na perspectiva de tempo aberto e seco no restante de junho. "O mercado vai precisar de novas notícias que validem e consolidem os níveis atuais. Não podemos esquecer que os mercados de commodities estressam em situações ligadas a oferta e demanda e este parece muito bem ser o caso agora", destacou Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, em relatório semanal.
As perdas em Nova York só não foram mais expressivas porque, por ora, há ainda receio quanto ao tamanho do déficit no ano global 2015/16, que se encerra em 30 de setembro. Há estimativas superando as 10 milhões de toneladas. Com isso, os futuros permanecem com suporte firme nos 19,50 cents/lb e resistência em 20 cents/lb.
Ontem, julho caiu 16 pontos (0,81%) e encerrou em 19,54 cents/lb, com máxima no dia de 19,84 cents/lb (mais 14 pontos) e mínima de 19,38 cents/lb (menos 32 pontos). Outubro recuou 9 pontos (0,46%) e terminou em 19,64 cents/lb. O spread julho/outubro variou de 3 para 10 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela. O dólar subiu 1,66%, para R$ 3,4823, e também ajudou com o movimento.
O mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), que mostrou fundos e especuladores com um saldo comprado de 340.420 lotes, levantou preocupações quanto a uma possível liquidação de posições. "Os fundos devem estar esfregando as mãos para embolsar os quase US$ 2 bilhões que estimamos ser o lucro não realizado da posição recorde, que equivale a 16 milhões de toneladas de açúcar. Se eles resolveram colocar o dinheiro no bolso podemos ver uma enxurrada de 200 a 300 pontos de correção", afirmou Corrêa.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a segunda-feira em R$ 83,11/saca (+0,63%). Em dólar, ficou em US$ 23,89/saca (-0,83%).
Conforme o centro de estudos, as chuvas no Estado de São Paulo continuaram interrompendo a produção de açúcar cristal na última semana. "Algumas usinas chegaram a paralisar a moagem por sete dias, enquanto outras afirmaram no final da semana passada que ainda não haviam conseguido produzir o cristal neste mês", informou o Cepea, em relatório antecipado ao Broadcast Agro.
Quanto às paridades, de 6 a 10 de junho as vendas externas remuneraram 3,22% mais que as internas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 81,18/saca, as cotações do contrato julho na ICE Futures US equivaleriam a R$ 83,79/saca.
Fonte: Agência Estado
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