Publicado em: 19/11/2025 às 10:35hs
O Agro Mensal, relatório elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, apresentou uma análise detalhada sobre o comportamento climático nas principais regiões produtoras do país. De acordo com o estudo, a irregularidade das chuvas durante o início da primavera impactou o ritmo do plantio da safra de verão 2025/26, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.
As precipitações, quando ocorreram, vieram em pancadas isoladas e mal distribuídas, intercaladas por longos períodos secos. Esse padrão climático manteve a umidade do solo em níveis baixos, o que limitou o avanço da semeadura em diversas áreas agrícolas.
Entre outubro e o início de novembro, os volumes pluviométricos mais expressivos se concentraram nas regiões Norte e Sul do Brasil, com destaque para o centro-oeste do Paraná, o oeste de Santa Catarina e o norte do Rio Grande do Sul, onde os índices ultrapassaram 150 milímetros em outubro.
Nessas localidades, o armazenamento hídrico do solo foi favorável ao avanço da semeadura. Entretanto, temporais e episódios de granizo provocaram danos em lavouras e atrasos na colheita do trigo, comprometendo a qualidade dos grãos em alguns casos.
Em outubro, o Centro-Oeste registrou um padrão irregular de chuvas. Enquanto o noroeste e o centro de Mato Grosso, além do sul de Mato Grosso do Sul, tiveram acumulados acima de 120 mm, outras áreas mal alcançaram 90 mm. Somente no início de novembro, as precipitações passaram a mostrar maior regularidade, melhorando as condições de plantio.
No Sudeste, os volumes de chuva em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo ajudaram na recuperação da umidade do solo. Já em Minas Gerais, o cenário foi mais crítico: as precipitações ficaram abaixo da média, especialmente no Cerrado Mineiro, que registrou acumulados inferiores a 40 mm em outubro.
Com o retorno das chuvas no início de novembro, houve nova florada do café, mas os efeitos da seca prolongada ainda exigem atenção dos produtores.
O relatório aponta que o trimestre novembro a janeiro será marcado por contrastes climáticos regionais. A tendência é de chuvas mais frequentes no Centro-Norte, com seca gradativa no Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul.
Com o fortalecimento do fenômeno La Niña, espera-se maior concentração de chuvas nas regiões Centro-Oeste, Norte e parte do Sudeste, enquanto o Sul poderá enfrentar períodos mais secos entre o fim de novembro e o início de dezembro.
Modelos meteorológicos indicam chuvas acima da média para o Centro-Oeste, norte de Minas Gerais e faixa central do país, e volumes abaixo da média em partes do Sul, MATOPIBA e Sudeste.
A retomada das chuvas tende a favorecer o plantio nas áreas que sofreram com a seca de setembro e outubro. Contudo, excesso de umidade pode atrasar o ciclo das culturas e encurtar a janela ideal para o milho safrinha.
O cenário também aumenta o risco de doenças fúngicas e pragas, exigindo maior atenção ao manejo fitossanitário.
No Sul, as chuvas do final do inverno garantiram bons níveis de umidade no solo, permitindo um início de safra mais tranquilo. A expectativa de tempo mais seco em novembro deve favorecer o avanço do plantio e a finalização da colheita do trigo.
O Itaú BBA prevê que a La Niña terá intensidade fraca e curta duração, o que reduz os riscos de impactos severos na região.
Já na Argentina, o excesso de chuvas tem atrasado o plantio da soja, situação que deve persistir ao longo de novembro. A tendência é que o padrão mais seco característico da La Niña se estabeleça entre dezembro e janeiro, equilibrando as condições climáticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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