El Niño na safra de soja 2026/27 exige manejo diferente no Sul e no Cerrado
Excesso de umidade pode dificultar aplicações e favorecer doenças no Sul, enquanto chuvas irregulares e calor elevam a atenção ao estabelecimento das lavouras em outras regiões
Publicado em: 01/10/2026 às 09:00hs
A safra de soja 2026/27 começa com o clima no centro das decisões de manejo. A perspectiva de continuidade do El Niño até 2027 aumenta a necessidade de acompanhar as condições de cada região produtora, especialmente no planejamento da semeadura, do controle fitossanitário e das aplicações no campo. A previsão climática indica tendências, mas não determina quanto choverá em cada município ou lavoura.
Segundo Gustavo Corsini, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, o produtor precisa preparar as operações antes que as mudanças no tempo reduzam a janela disponível para executá-las. A escolha de cultivares adaptadas, a avaliação do solo, o tratamento de sementes e o monitoramento da lavoura integram esse planejamento.
No Sul, chuva pode dificultar o manejo de doenças da soja
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, períodos de chuva frequente podem prejudicar a entrada de máquinas e manter folhas e solo úmidos por mais tempo. Em áreas com drenagem deficiente ou compactação, o encharcamento também pode comprometer a emergência da soja e favorecer problemas radiculares, como a podridão-radicular de fitoftora.
Durante o desenvolvimento da cultura, o monitoramento deve acompanhar as condições favoráveis a doenças foliares, entre elas a ferrugem-asiática. Corsini observa que uma sequência de dias chuvosos pode impedir a aplicação no momento planejado e alongar o intervalo entre tratamentos. Por isso, a decisão sobre o controle precisa considerar a situação da lavoura, a previsão de curto prazo e a possibilidade real de realizar a operação.
No Cerrado, atenção começa antes da semeadura
Em áreas do Centro-Oeste e do Norte sujeitas a chuvas mais espaçadas e temperaturas elevadas, a prioridade é favorecer o estabelecimento da soja e o desenvolvimento das raízes. Compactação, presença de nematoides e níveis de alumínio que limitam o crescimento radicular podem agravar os efeitos de períodos com menor disponibilidade de água.
A avaliação dessas condições antes do plantio ajuda a definir o manejo do solo, a escolha da cultivar e o tratamento de sementes. Para Corsini, combinar medidas de proteção inicial com práticas já previstas na operação da fazenda pode tornar o manejo mais eficiente, desde que a decisão responda aos problemas identificados na área.
Plantas daninhas e pragas pedem monitoramento contínuo
O controle de plantas daninhas no início do ciclo ganha importância quando a disponibilidade de água é incerta. Espécies como caruru e capim-pé-de-galinha podem competir com a soja por recursos justamente na fase de estabelecimento. A escolha do método de controle deve considerar as espécies presentes, o histórico da área e as condições de aplicação.
O calor e a menor umidade também podem alterar a dinâmica de algumas pragas. Mosca-branca, percevejos e lagartas estão entre os organismos que exigem acompanhamento, mas a necessidade de intervenção deve ser definida pelo monitoramento e pelos critérios de manejo integrado, não apenas pela previsão de El Niño.
Planejamento da safra deve unir clima e capacidade operacional
A diferença entre regiões exige decisões locais ao longo da safra 2026/27. No Sul, o produtor deve considerar o risco de interrupções nas operações por chuva. No Cerrado, a atenção se concentra nas condições de plantio e na capacidade da lavoura de atravessar períodos de estresse hídrico.
Além de acompanhar o clima e a sanidade das plantas, o planejamento comercial continua necessário. Eventuais mudanças na produtividade e nos preços podem afetar o resultado da safra, mas um preço mais alto não garante a compensação de perdas de produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
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