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Clima

El Niño ganha força e eleva riscos para a safra 2026/27 no Brasil

Itaú BBA prevê chuvas acima da média no Sul e distribuição irregular no Centro-Norte; cenário pode afetar a qualidade do trigo e provocar diferenças no início do plantio da soja


Publicado em: 19/08/2026 às 11:25hs

El Niño ganha força e eleva riscos para a safra 2026/27 no Brasil

O fortalecimento do El Niño deverá aumentar os desafios climáticos para o agronegócio brasileiro nos próximos meses. A perspectiva é de maior concentração de chuvas na Região Sul, enquanto o Centro-Oeste, o Sudeste e áreas do Nordeste poderão enfrentar precipitações irregulares durante a implantação da safra 2026/27.

A avaliação consta no Agro Mensal de agosto, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. A análise, baseada em informações da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e do Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), indica que a influência do fenômeno deverá crescer ao longo da primavera.

Chuvas se concentram no Sul do Brasil

Durante julho e o início de agosto, as precipitações ficaram concentradas principalmente na Região Sul. No Centro-Oeste, no Sudeste e no interior do Nordeste, predominou o tempo seco.

As chuvas mantiveram bons níveis de umidade no solo e favoreceram o desenvolvimento das culturas de inverno no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná.

O excesso de umidade, entretanto, dificultou operações agrícolas em algumas áreas e aumentou a preocupação com a qualidade do trigo. Caso o El Niño se intensifique durante a primavera, a ocorrência de chuvas frequentes poderá elevar a pressão de doenças e prejudicar a colheita do cereal.

Tempo seco favorece colheitas nas regiões centrais

Nas regiões centrais do Brasil, os baixos volumes de chuva, a redução da umidade relativa do ar e as temperaturas acima da média favoreceram o avanço de diferentes atividades agrícolas.

O período mais seco contribuiu para acelerar a colheita do milho segunda safra, do algodão e do café, além de facilitar as operações nas lavouras de cana-de-açúcar.

Apesar dos benefícios imediatos, a ausência prolongada de precipitações acelerou a perda de umidade dos solos. Essa condição aumenta a dependência do retorno regular das chuvas para o plantio da soja e de outras culturas de verão.

El Niño deve se intensificar durante a primavera

Segundo o Itaú BBA, o El Niño já está estabelecido e deverá ganhar intensidade ao longo da primavera.

Para agosto, os modelos meteorológicos indicam predomínio de tempo mais aberto em grande parte do País. No Sul, as chuvas devem retornar gradualmente no final do mês.

Essa janela de tempo mais firme tende a favorecer o avanço dos trabalhos de campo e das operações agrícolas no Rio Grande do Sul. As atenções, contudo, permanecem voltadas às lavouras de inverno e às condições para a colheita do trigo.

Retorno das chuvas pode ser irregular em setembro

Na transição para setembro, os modelos indicam retorno gradual das precipitações ao Centro-Oeste e a parte do Sudeste. A distribuição, porém, ainda deverá ocorrer de forma irregular.

O início do plantio da soja poderá apresentar diferenças significativas entre as regiões produtoras. Paraná e sul de Mato Grosso do Sul tendem a encontrar condições mais favoráveis para a semeadura.

Em Mato Grosso e no Matopiba - região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia -, o avanço das máquinas dependerá de uma regularização mais consistente das chuvas.

A segunda metade de setembro poderá oferecer condições melhores para o plantio, mas os volumes ainda devem apresentar grande variação entre as áreas produtoras.

Plantio da soja exige cautela com a umidade do solo

A irregularidade das precipitações aumenta a importância do monitoramento da umidade antes da semeadura. Chuvas isoladas podem estimular o início do plantio sem oferecer água suficiente para garantir a germinação e o estabelecimento das plantas.

Para o produtor, o desafio será identificar o momento em que as chuvas deixarão de ser esporádicas e passarão a apresentar maior regularidade.

O atraso dessa regularização poderá modificar o calendário da soja e reduzir a janela disponível para o milho segunda safra. Por outro lado, uma retomada consistente das precipitações em setembro poderá favorecer o avanço dos trabalhos de campo.

Trigo enfrenta risco de perda de qualidade

Nas culturas de inverno, os volumes de chuva ainda não deverão ser elevados de maneira generalizada no curto prazo. A proximidade da primavera, contudo, eleva os riscos para as lavouras em fase de desenvolvimento final e colheita.

No trigo, o aumento da umidade pode favorecer doenças fúngicas, dificultar a entrada de máquinas nas lavouras e comprometer parâmetros de qualidade dos grãos.

O risco é maior na Região Sul, onde o El Niño historicamente está associado a precipitações acima da média. Por isso, a evolução das chuvas será determinante para os resultados da safra brasileira do cereal.

Europa enfrenta calor e falta de chuva

O cenário climático internacional também exige atenção. Ondas de calor e condições mais secas afetaram importantes áreas produtoras de trigo e milho na Europa.

França e Alemanha aparecem entre os países com impactos mais evidentes. A continuidade do calor e da baixa umidade poderá reduzir o potencial produtivo e aumentar a volatilidade dos preços internacionais dos cereais.

Estados Unidos monitoram temperaturas elevadas

Nos Estados Unidos, as previsões de temperaturas mais altas e menor probabilidade de chuvas aumentaram as preocupações com o desenvolvimento das lavouras.

Apesar dos riscos, as condições gerais das culturas norte-americanas permaneciam favoráveis no período analisado pelo Itaú BBA. O mercado deverá continuar acompanhando os mapas meteorológicos, especialmente durante as etapas decisivas do milho, da soja e do algodão.

Monções irregulares ameaçam culturas na Ásia

Na Ásia, o atraso das monções na Índia e as temperaturas acima da média em partes da China ampliaram as preocupações com as lavouras agrícolas, especialmente o algodão.

O fortalecimento do El Niño também pode provocar irregularidade no regime de monções em países como Tailândia, Vietnã, Indonésia e Filipinas.

Essas regiões possuem participação relevante na produção de arroz, café, óleo de palma e outras commodities dependentes de chuvas regulares. Problemas climáticos poderão afetar a oferta global e aumentar a sensibilidade dos mercados agrícolas.

Clima será decisivo para os preços agrícolas

A evolução do El Niño será um dos principais fatores de risco para o agronegócio durante a primavera e o verão. No Brasil, o mercado deverá acompanhar principalmente a distribuição das chuvas no Centro-Oeste e no Matopiba, além do excesso de umidade no Sul.

O cenário poderá influenciar o calendário de plantio da soja, a janela do milho segunda safra, a produtividade das culturas de verão e a qualidade do trigo.

No mercado internacional, os impactos sobre Europa, Estados Unidos e Ásia poderão provocar alterações nas projeções de produção e aumentar a volatilidade das commodities agrícolas ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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