Publicado em: 20/05/2026 às 11:25hs
A possível intensificação de um evento de El Niño a partir do segundo semestre de 2026 acendeu um alerta no setor agrícola brasileiro, especialmente em Minas Gerais. Projeções climáticas indicam que o fenômeno pode atrasar o início das chuvas e aumentar a irregularidade da distribuição hídrica, com impactos diretos sobre a produtividade das principais culturas do estado.
O alerta é de pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (Universidade Federal de Lavras), que destacam que os efeitos do fenômeno vão além da redução de volume de chuvas, envolvendo principalmente sua má distribuição ao longo do ciclo produtivo.
De acordo com o pesquisador Felipe Schwerz, o cenário mais provável inclui atraso no início da estação chuvosa e maior irregularidade das precipitações ao longo do ciclo agrícola. Já o pesquisador Gilberto Coelho reforça que o momento exige foco na gestão de risco.
“O momento não é de maximizar produtividade, e sim de minimizar riscos”, destaca o especialista.
Caso o El Niño se confirme com forte intensidade, Minas Gerais pode enfrentar ondas de calor mais frequentes durante o inverno, atraso no início das chuvas — normalmente esperadas na primavera — e ocorrência de veranicos em fases críticas do desenvolvimento das lavouras.
Entre as culturas mais sensíveis ao cenário projetado estão o café, milho, soja, cana-de-açúcar e as pastagens. Segundo os pesquisadores, eventos anteriores de El Niño intenso já indicaram tendência de redução significativa de produtividade agrícola em regiões produtoras.
A combinação entre calor excessivo, irregularidade das chuvas e períodos secos prolongados pode comprometer o desenvolvimento das lavouras, especialmente em fases de florescimento e enchimento de grãos.
Além dos efeitos na produção, o cenário climático pode gerar reflexos econômicos mais amplos. A redução da oferta agrícola tende a pressionar indicadores de inflação, como o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), além de encarecer a cesta básica.
No campo, o produtor rural também pode enfrentar queda de rentabilidade, principalmente em sistemas mais dependentes de chuva e menos estruturados em irrigação.
Diante do risco climático, especialistas reforçam que o foco do setor deve migrar da busca por máxima produtividade para estratégias de mitigação de riscos.
Entre as recomendações técnicas estão o uso de plantio direto, manutenção de cobertura morta no solo para retenção de umidade, adoção de cultivares mais tolerantes ao déficit hídrico e acompanhamento constante de previsões meteorológicas para definição de janelas de plantio e colheita.
Também são indicadas práticas como uso racional da irrigação, quando disponível, e aplicação de bioestimulantes para reduzir impactos do estresse térmico e hídrico nas plantas.
A Universidade Federal de Lavras também tem intensificado pesquisas voltadas à adaptação climática no campo. Entre as iniciativas estão o desenvolvimento de cultivares mais resilientes, o uso de sensores para monitoramento do vigor vegetativo e estudos sobre manejo do solo e da água para melhorar sua capacidade físico-hídrica.
Essas tecnologias fazem parte de um esforço mais amplo para aumentar a resiliência da agricultura frente à crescente variabilidade climática, cenário que tende a se intensificar nos próximos ciclos produtivos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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