El Niño eleva risco climático para a safra 2026/27 e exige atenção do agronegócio
Previsões indicam persistência do fenômeno até o início de 2027; excesso de chuva no Sul e irregularidade hídrica em outras regiões podem afetar lavouras, pecuária e operações no campo
Publicado em: 29/09/2026 às 11:35hs
O El Niño deve ser um dos principais fatores de atenção para o agronegócio brasileiro na safra 2026/27. O fenômeno altera a circulação atmosférica e pode mudar a distribuição das chuvas e das temperaturas, com efeitos diferentes entre regiões e culturas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) apontou alta probabilidade de persistência do El Niño ao menos até novembro de 2026, mas ressalvou a incerteza sobre sua intensidade máxima. Projeção de setembro do Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI) indica continuidade das condições do fenômeno até o início de 2027. wmo.int
Para José Roberto Colnaghi, presidente do Conselho de Administração da Colpar Brasil, a mudança no regime de chuvas afeta diretamente o planejamento agrícola. O risco, segundo ele, deve ser avaliado de acordo com a localização da propriedade e a atividade desenvolvida. A presença do El Niño, por si só, não permite concluir que haverá uma quebra generalizada da safra brasileira.
Excesso de chuva coloca culturas do Sul em alerta
No Sul, o El Niño costuma favorecer volumes maiores de chuva. Esse cenário pode atrasar o plantio e a colheita, dificultar o trabalho das máquinas e elevar a pressão de doenças nas lavouras. O Inmet apontou tendência de precipitações acima da média em áreas da região em sua previsão para o trimestre de julho a setembro de 2026. INMET
O trigo está entre as culturas que exigem acompanhamento mais próximo. Chuvas excessivas na fase de colheita podem comprometer a qualidade dos grãos. Para as culturas de inverno, o resultado dependerá tanto do volume quanto do momento em que a precipitação ocorrer.
Soja, milho e pecuária enfrentam riscos distintos
No Centro-Oeste e no Sudeste, a distribuição irregular das chuvas, combinada com temperaturas elevadas, pode aumentar o estresse hídrico das lavouras. Na soja, a falta de água em fases decisivas do desenvolvimento pode limitar o potencial produtivo. Já o excesso de chuva pode dificultar a semeadura e favorecer doenças.
Para o milho segunda safra, o algodão e a cana-de-açúcar, períodos mais secos podem facilitar determinadas operações de colheita. Calor intenso e deficiência hídrica, porém, também podem prejudicar pastagens e reduzir a disponibilidade de água para a pecuária. Os efeitos dependerão das condições observadas em cada área.
No Sudeste, os produtores de café precisam acompanhar a combinação entre temperatura, período seco e retorno das chuvas. A distribuição da precipitação será decisiva para avaliar possíveis reflexos sobre as floradas e o desenvolvimento das plantas.
Norte, Nordeste e Matopiba exigem monitoramento
No Norte e no Nordeste, o padrão associado ao El Niño pode ampliar o risco de chuvas abaixo da média. A preocupação inclui culturas dependentes de precipitação, pastagens e abastecimento de água para os rebanhos. No Matopiba, que abrange áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a combinação de calor e irregularidade hídrica merece atenção dos produtores de grãos. O Inmet havia indicado tendência de chuva abaixo da média em áreas do centro-norte do país em sua previsão para julho a setembro. INMET
Os impactos econômicos também podem variar. Alterações na produtividade, na qualidade dos produtos e no calendário das operações têm potencial para afetar custos, preços e exportações, sem apontar necessariamente para um movimento uniforme no país.
Para Colnaghi, acompanhar as previsões meteorológicas e ajustar as decisões à realidade de cada propriedade será essencial. Zoneamento agrícola, escalonamento do plantio e conservação de água e solo estão entre as medidas que podem reduzir a exposição aos extremos climáticos durante a safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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