Publicado em: 12/02/2026 às 11:15hs
O fenômeno climático El Niño deve se formar novamente em 2026 e pode ter impactos expressivos no clima brasileiro, com previsão de ondas de calor prolongadas, chuvas irregulares e aumento de temporais severos no Sul do país. A informação é da Climatempo, que alerta para um cenário semelhante ao registrado em 2023, quando o evento contribuiu para temperaturas recordes e instabilidade intensa em diversas regiões.
As análises meteorológicas indicam que os primeiros sinais do El Niño devem surgir a partir de maio, com o fenômeno ganhando força entre agosto e outubro. Segundo o meteorologista Vinicius Lucyrio, da Climatempo, há grande probabilidade de o evento atingir intensidade moderada a forte, influenciando o regime de chuvas e temperaturas em praticamente todo o território nacional.
“Possivelmente, o El Niño este ano terá um início acelerado, e a expectativa é de que seja, no mínimo, um evento climático com intensidade de moderada a forte”, afirma Lucyrio.
O especialista destaca ainda que os anos de 2023 e 2024 foram os mais quentes da história recente, marcados pela presença do fenômeno e pelo aumento da frequência de temporais severos no Brasil e no mundo.
O El Niño ocorre devido ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que provoca mudanças significativas nos padrões de temperatura e precipitação. Para 2026, a Climatempo projeta que o fenômeno trará uma combinação de chuvas irregulares e calor extremo, com os seguintes efeitos previstos:
Lucyrio reforça que o aquecimento do oceano e da atmosfera aumenta a energia disponível para a formação de tempestades, o que eleva o risco de eventos climáticos extremos durante o segundo semestre.
As previsões indicam que o período mais frio de 2026 deve se concentrar entre maio e junho, com incursões de ar polar mais amplas. No entanto, a partir de julho, com o fortalecimento do El Niño, essas massas de ar frio devem perder intensidade, abrindo espaço para extremos de calor e estiagem prolongada no final do inverno e na primavera.
“A tendência é termos extremos de calor e tempo seco a partir do final do inverno e a primavera de 2026”, explica Lucyrio.
Essa condição deve se assemelhar ao que foi observado em 2023, quando grandes partes do interior do país registraram sucessivas ondas de calor e escassez de chuvas regulares.
Enquanto o interior do país sofre com o calor e a seca, o Sul do Brasil tende a ficar mais nublado e tempestuoso já no inverno. A Climatempo prevê aumento expressivo de chuvas abrangentes, enchentes e temporais intensos, com formação de Complexos Convectivos de Mesoescala (CCMs) — sistemas de tempestades de grande extensão que podem causar danos significativos.
Parte dessa instabilidade poderá avançar também para Mato Grosso do Sul e São Paulo, especialmente entre a primavera e o início do verão.
Na Amazônia, o comportamento dos rios deve seguir um padrão de cheia mais intensa em 2026, seguida por vazante acentuada. Embora ainda seja cedo para confirmar possíveis prejuízos à navegabilidade, há expectativa de longos períodos de calor e tempo seco na região, o que pode afetar o transporte fluvial e o equilíbrio hídrico.
O meteorologista alerta ainda que o início do período úmido poderá ser irregular, com chuvas esparsas entre agosto e setembro em áreas como Brasil Central, sudeste do Pará, Minas Gerais e interior do Nordeste. Essas pancadas, no entanto, não significam retorno das chuvas regulares e podem ser insuficientes para repor a umidade do solo e dos reservatórios, aumentando o risco de problemas no abastecimento e na geração de energia hidrelétrica.
A Climatempo continuará monitorando o avanço do El Niño por meio de seu modelo proprietário CT2W, que integra dados de diferentes sistemas meteorológicos globais, e do Sistema de Monitoramento e Alerta (SMAC), voltado à emissão de alertas em tempo real.
Essas ferramentas auxiliam governos, empresas e produtores rurais no planejamento estratégico e na tomada de decisões preventivas diante das mudanças climáticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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