Publicado em: 18/05/2026 às 11:35hs
A América Latina e o Caribe voltaram ao centro das preocupações globais sobre segurança alimentar diante do avanço do fenômeno El Niño. Em uma mesa redonda de alto nível promovida pelas Nações Unidas, representantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola e do Programa Mundial de Alimentos alertaram que os eventos climáticos extremos podem ampliar a vulnerabilidade social e pressionar ainda mais os sistemas alimentares da região.
Segundo as agências internacionais, mais de 33 milhões de pessoas passam fome atualmente na América Latina e Caribe. Além disso, cerca de 167 milhões enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave, enquanto mais de 181 milhões não conseguem acessar uma alimentação saudável devido aos altos custos dos alimentos.
As organizações destacaram que o El Niño pode agravar o cenário ao provocar seca prolongada no Corredor Seco da América Central e mudanças severas nos padrões de chuva e temperatura em diversos países latino-americanos.
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), existe entre 70% e 80% de probabilidade de o fenômeno atingir sua intensidade máxima no fim do ano, elevando os riscos para a produção agropecuária e o abastecimento alimentar.
Durante o encontro, Julian Báez, diretor do Escritório Regional para as Américas da OMM, afirmou que os impactos esperados variam entre moderados e severos. Entre os principais efeitos previstos estão o aumento das chuvas em partes da América do Sul, favorecendo enchentes, além da redução das precipitações na América Central e em áreas da América do Norte.
O continente americano já responde por aproximadamente 22% das perdas globais relacionadas a desastres agrícolas, acumulando prejuízos estimados em US$ 713 bilhões.
Outro ponto de preocupação levantado pelas agências da ONU é o impacto dos preços internacionais de combustíveis, fertilizantes e alimentos, que continuam elevados em diversas regiões do mundo.
Segundo os especialistas, a combinação entre inflação e eventos climáticos extremos reduz o poder de compra das famílias, amplia a pressão sobre programas sociais e aumenta a demanda por ações humanitárias emergenciais.
O alerta é especialmente importante para comunidades rurais vulneráveis, que dependem diretamente da agricultura familiar e possuem menor capacidade de adaptação aos choques climáticos.
Diante do cenário de risco, países da América Central começaram a implementar planos de ação antecipada em cooperação com as Nações Unidas. As medidas foram ativadas após o monitoramento climático identificar risco elevado de escassez hídrica.
Mais de 76 mil pessoas já receberam apoio preventivo por meio de distribuição de grãos básicos, transferências de renda, orientações técnicas e monitoramento meteorológico.
As agências destacaram ainda que, durante o ciclo do El Niño entre 2023 e 2024, ações antecipatórias foram realizadas em nove países da região, beneficiando mais de 100 mil pessoas em cerca de 250 comunidades rurais.
As iniciativas incluíram:
Em alguns países da América Central, os programas contribuíram para elevar em até 40% a produção de milho e feijão, além de melhorar os índices de segurança alimentar.
O subdiretor-geral e representante regional da FAO para América Latina e Caribe, Rene Orellana Halkyer, afirmou que os programas de emergência e resiliência climática são fundamentais para reduzir vulnerabilidades e proteger os meios de subsistência das populações rurais.
Segundo ele, o trabalho conjunto entre governos e organismos internacionais permitiu ampliar a capacidade de resposta das comunidades agrícolas frente aos impactos do El Niño.
Já Rocío Medina Bolívar, diretora regional do FIDA para América Latina e Caribe, destacou que investimentos de longo prazo em comunidades rurais são essenciais para garantir adaptação climática, geração de empregos e continuidade da produção de alimentos.
A diretora regional do Programa Mundial de Alimentos, Lena Savelli, ressaltou que os fenômenos climáticos extremos continuarão ocorrendo, mas defendeu que crises humanitárias podem ser evitadas com sistemas mais eficientes de prevenção e resposta rápida.
Segundo ela, o uso de seguros agrícolas, crédito rural e serviços financeiros digitais pode ajudar governos e produtores a enfrentar secas, enchentes e tempestades com menor impacto econômico e social.
Savelli afirmou ainda que os sistemas de proteção social precisam ser acionados imediatamente após os alertas climáticos, permitindo que as comunidades recebam apoio antes que os prejuízos se agravem.
A mesa de alto nível reuniu representantes de governos, organismos internacionais e especialistas em gestão de riscos e agricultura da América Latina e Caribe.
Entre os participantes estiveram:
Fonte: Portal do Agronegócio
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