Publicado em: 03/12/2015 às 19:20hs
Os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), Tubarão (ES) e São Francisco (SC) concentram o maior número de embarques atualmente, em uma temporada que deve ser de exportações recordes, após uma grande safra no país e com a competitividade dos grãos brasileiros inflada pela desvalorização do real ante o dólar.
Em Paranaguá, por exemplo, o número de horas em que a chuva obrigou o fechamento do porão dos navios somou o equivalente a 14 dias em novembro, contra 6 dias no mesmo mês de 2014, segundo estatísticas da autoridade portuária.
O Sul do Brasil enfrenta chuvas acima da média nesta época do ano em meio a uma das ocorrências do fenômeno El Niño mais fortes da história.
"A chuva tem afetado a operação. Quando chove para tudo. Isso atrasa os navios que estão atracados e os que estão na fila", disse o funcionário de uma agência marítima que atua na atracação de navios de grãos em Paranaguá.
Segundo ele, há navios atualmente com 35 a 40 dias de espera prevista, ou 25 a 35 dias se forem embarcações prioritárias.
Uma das principais consequências da longa espera para os embarques pode ser a cobrança de multas. Dependendo do contrato entre o exportador, o dono do navio e o comprador, a penalização --que pode chegar a milhares de dólares por diaacaba sendo paga pelo vendedor.
"Quanto maior o tempo de espera, maior o custo... chega um ponto em que o desconto tem que ser muito grande", destacou o sócio-proprietário da corretora Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin.
Segundo ele, esses custos prejudicam a capacidade das tradings de oferecer preços competitivos na aquisição dos grãos, atrapalhando novos negócios.
Não afeta recorde
O analista da Safras & Mercado Paulo Molinari estima que os embarques de milho deverão alcançar 33 milhões a 34 milhões de toneladas na temporada entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2016, um recorde absoluto, apesar dos gargalos logísticos.
O último recorde foi registrado no ano comercial 2013/14, quando o país exportou 26,2 milhões de toneladas.
"A chuva está aí, mas os navios não vão embora. Os navios têm compromisso e vão ficar aí até embarcar", disse ele.
Com os atrasos, a perspectiva é de embarque em ritmo forte até o mês de fevereiro --tradicionalmente bastante calmo nos portos de grãos do Brasilàs vésperas do início dos embarques da nova safra de soja.
"As tradings têm preocupação em acelerar o escoamento de milho", disse o disse o analista da Informa Economics FNP Aedson Pereira.
Outra possibilidade, segundo Molinari, é que os exportadores possam redirecionar navios para portos menos movimentados.
Uma análise feita pela Reuters na escala de navios do início de novembro e na do dia 27 mostra que pelo menos um barco destinado a carregar soja em Paranaguá foi realocado pela Cargill para o porto de Imbituba (SC), permitindo antecipar o despacho da carga em 10 dias.
A Cargill não respondeu imediatamente se a alteração na escala portuária está relacionada ao congestionamento em Paranaguá.
"O pessoal (exportador) está tentando administrar atrasos, ´empurrando com a barriga´ e negociando com compradores", afirmou o diretor de Inteligência de Mercado da corretora Cerealpar, Steve Cachia.
Mesmo com a escala de navios carregada, a expectativa é de que os exportadores não tenham problemas para garantir o volume de milho necessário para realizar os embarques.
"As grandes tradings já têm um grande volume de produto na mão", disse Pereira, da FNP.
Segundo a consultoria, mais de 90 por cento do milho da safra antiga em Mato Grosso e Goiás já foi vendido pelos produtores. "E se pegar esse volume, mais da metade está na mão das tradings", completou.
Fonte: Reuters
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