Pulverização agrícola: programa leva orientação técnica a áreas que somam mais de 400 mil hectares
Aplicação Certa, da Agrocete, demonstra como água, preparo da calda, adjuvantes e regulagem dos equipamentos influenciam a formação de gotas e o potencial de deriva
Publicado em: 14/10/2026 às 13:30hs
A eficiência da pulverização agrícola depende de decisões que começam antes da entrada do equipamento na lavoura. Qualidade da água, preparo da calda, escolha dos adjuvantes, pontas de pulverização e pressão de trabalho interferem na formação das gotas e na chegada dos produtos ao alvo. Para demonstrar essas relações nas propriedades, a Agrocete desenvolveu o programa Aplicação Certa, cujas ações já alcançaram áreas que somam mais de 400 mil hectares no Brasil, segundo a empresa.
A iniciativa combina orientação técnica e testes práticos para avaliar etapas da aplicação. O objetivo é permitir que produtores e equipes observem fatores que podem comprometer o aproveitamento dos insumos, elevar o consumo de recursos e aumentar o risco de deriva para áreas não alvo.
Diagnóstico da propriedade orienta as demonstrações
Antes dos testes, a equipe identifica os produtos utilizados, as condições da operação e a experiência do produtor com tecnologia de aplicação. Esse diagnóstico define quais demonstrações serão realizadas.
As avaliações abordam alteração de pH, diluição dos produtos, formação e redução de espuma, homogeneização da calda, molhamento e potencial de deriva. Em determinados procedimentos, é utilizada a própria água da fazenda para observar o comportamento das misturas nas condições locais.
O programa também compara adjuvantes da Agrocete com outras soluções do mercado, sob as mesmas condições de teste, verificando as funcionalidades atribuídas a cada produto.
Segundo Pedro Lima, coordenador de Desenvolvimento de Tecnologia de Mercado Sul do Brasil e LASE da Agrocete, as demonstrações tornam visíveis diferenças que podem passar despercebidas durante uma operação convencional. A proposta é relacionar as escolhas feitas no preparo e na aplicação ao comportamento da calda e das gotas.
Avaliação de adjuvantes considera funcionalidades específicas
Os produtos GRAP SUPER GUN, GRAP SUPER GUN SR e GRAP D-LIM possuem o Selo de Funcionalidade do programa Adjuvantes da Pulverização, iniciativa público-privada liderada pelo Centro de Engenharia e Automação (CEA), do Instituto Agronômico (IAC).
Conforme as informações apresentadas, o selo indica que os adjuvantes passaram por avaliações de suas funcionalidades com base em normas reconhecidas, como ISO, ABNT e ASTM.
Para Pedro, referências técnicas ajudam a fundamentar a escolha dos produtos. O desempenho da pulverização, contudo, depende da interação entre os componentes da calda, o equipamento e as condições da operação.
Ensaios mostram mudanças no tamanho e na uniformidade das gotas
Um estudo conduzido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da AgroEfetiva, em Botucatu (SP), avaliou misturas de fungicidas, herbicidas e adjuvantes com diferentes pontas de pulverização, em túnel de vento de alta velocidade.
Entre os indicadores analisados estava o diâmetro mediano volumétrico (DMV), utilizado para caracterizar o tamanho das gotas. Em determinadas combinações de calda e pontas, a inclusão do GRAP SUPER GUN SR aumentou esse indicador, resultado associado a menor potencial de deriva.
O trabalho também mediu o V100, que representa a parcela do volume pulverizado composta por gotas menores que 100 micrômetros, mais suscetíveis à deriva.
Em uma das configurações, o adjuvante reduziu essa parcela em 19,65%; em outra, a redução chegou a 58,63%. Após os tratamentos, as gotas abaixo de 100 micrômetros representaram, respectivamente, 2,74% e 4,75% do volume pulverizado.
Outro parâmetro foi a Amplitude Relativa (AR), que indica a variação dos tamanhos das gotas. Quanto menor o índice, mais uniforme é o espectro. Nas condições do ensaio, os tratamentos com o adjuvante apresentaram as menores médias de AR.
Os resultados se referem às configurações experimentais avaliadas e evidenciam a influência da combinação entre calda, adjuvante e ponta de pulverização.
Pesquisa com 36 tratamentos avaliou o índice de deriva
Outro ensaio, realizado pela Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA) em parceria com a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), analisou 36 tratamentos. Foram consideradas duas pontas de pulverização, duas pressões de trabalho e nove caldas.
Na maior pressão estudada, a mistura de glifosato com GRAP SUPER GUN e GRAP D-LIM apresentou índice de deriva próximo de 0,1 em uma das pontas. No tratamento apenas com glifosato, o índice ficou em aproximadamente 7,0.
Com a outra ponta, os valores foram novamente próximos de 0,1 para a combinação com os adjuvantes e de 3,4 para o glifosato utilizado isoladamente.
Na avaliação de Pedro, os ensaios reforçam a necessidade de analisar o sistema de aplicação como um conjunto. A escolha do adjuvante deve ser acompanhada de atenção às pontas, à pressão, à composição da calda e às demais condições de trabalho.
Metodologia começou no Paraná e ganhou escala
As primeiras demonstrações que deram origem ao Aplicação Certa foram realizadas em 2019, na região de Londrina (PR), quando Pedro atuava como representante técnico de vendas da Agrocete.
Com a continuidade das atividades, a sequência das avaliações e os procedimentos foram padronizados para permitir a reprodução da metodologia por outras equipes.
Desde então, segundo a companhia, as ações chegaram a diferentes regiões brasileiras e alcançaram áreas que totalizam mais de 400 mil hectares. A experiência também está sendo adaptada a outros mercados onde a Agrocete atua, com tradução de materiais técnicos.
Revenda relata aumento no uso de produtos de aplicação
Na SoAgro, revendedora de Rio Verde (GO), a adoção do programa contribuiu para um aumento de 56% no volume de produtos da Agrocete relacionados à tecnologia de aplicação utilizado pelos agricultores, conforme relato da empresa.
Matheus Lemos, coordenador de Especialidades da SoAgro, atribui o resultado à atuação conjunta dos assistentes técnicos e da equipe comercial. Segundo ele, as demonstrações aproximaram os produtores das tecnologias e apoiaram a orientação sobre deposição dos produtos no alvo.
O indicador corresponde ao uso dos produtos e não representa uma medida de ganho de produtividade das lavouras.
O Aplicação Certa integra a frente de Tecnologia de Aplicação da estratégia Construção da Produtividade, desenvolvida pela Agrocete. A proposta também reúne os pilares Plantio, Vigor e Enraizamento e Arranque e Força no Crescimento, associando tecnologias e práticas às necessidades das plantas ao longo do ciclo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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