Publicado em: 17/08/2015 às 13:30hs
Que consumir frutas faz bem para o organismo todo mundo já sabe, o que pouca gente imagina é elas exigem muito trabalho até chegar ao prato do consumidor.
Cerca de 80% da fruticultura é manual e, da escolha da área à colheita, o cultivo de frutas depende de pessoas. No entanto, falta mão de obra especializada no mercado.
Wagner Cândido de Paula, que é fruticultor em Conceição das Alagoas, tem passado por essa realidade constantemente. Como produz apenas abacate e manga, há uma janela de produção em alguns meses, e neste período, acaba tendo que demitir por falta de trabalho. Este foi o principal motivo para iniciar uma nova cultura na Fazenda de Paula II, o citros.
“Eu tinha um período com baixa produção e a mexerica e a laranja vão agregar trabalho e renda. Assim, teremos o que colher o ano todo. Já no ano que vem vou conseguir manter meus funcionários no trabalho e não precisarei dispensá-los. Esta é uma forma de fidelizar meus colaboradores.”, explica Wagner.
Para começar o processo corretamente, buscou orientações no Sindicato Rural, que promoveu a capacitação do Senar em Trabalhador no Cultivo de Árvores Frutíferas – Citros Convencional. No curso de 40 horas participaram o próprio Wagner, funcionários de sua propriedade e de outras fazendas de Conceição das Alagoas.
“Esta foi uma turma bastante mista. Foi interessante que, mesmo quem já está na citricultura há tempos vai levar para as propriedades dicas simples e valiosas que mudam práticas ineficientes”, comenta a mobilizadora Silvânia Lima Botelho.
“Como sou gerente de uma propriedade que trabalha com laranja e ponkan, resolvi fazer a capacitação para ter uma conscientização sobre doenças, pragas, manejo e tudo mais que se envolve o citros. Aprendi sobre poda, adubagem, aplicação de agrotóxico e algumas ações que faltavam implantar e que fazem a diferença”, afirma Alex Resende, gerente de fazenda.
De acordo com a engenheira agrônoma Christianne Correa Brandão, quando as pessoas se propõem a frequentar as aulas, percebem que é possível aumentar a eficiência das lavouras. Com poda e adubação os resultados já aparecem. “Repassamos várias dicas, mas a que não pode faltar é: o produtor deve estar sempre de olho no seu pomar e, sempre que possível, prevenir, ao invés de remediar. Tem que manter as plantas bem monitoradas e fazer o tratamento preventivo para evitar perdas de produção. Observamos que o maior defeito é a falta de dedicação na questão da cultura. A gente tem que manter o pomar bem cuidado, principalmente após a colheita para ter certeza que haverá uma próxima.”
E é nisto que Wagner Cândido pensa. Produtor consciente, sabe que investir na capacitação dos funcionários é questão de sobrevivência, afinal, são eles que cuidam da lavoura todos os dias. “Com as capacitações do Senar a gente aprende a ter foco. O produtor tem que entender que parar o funcionário por uma semana não é despesa e sim investimento. Se eu tiver mão de obra especializada os resultados são compensatórios.”
E ele ainda complementa: “garanto a você que na minha roça não estaríamos sobrevivendo e organizando nossa produção se não tivéssemos tido ajuda do SENAR. Seria muito difícil chegar a este nível que eu tenho hoje sem as capacitações. Se os cursos não fossem bons, acha que eu já teria feito quatro cursos? Sou grato ao Senar pelo que construí até hoje”.
Fonte: Senar - Assessoria de Comunicação do SENAR Minas
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