Capacitação

ATeG completa um ano de bons resultados na Zona da Mata

Assistência técnica e gerencial a produtores auxilia diretamente nos resultados de quem é atendido pelo programa


Publicado em: 10/03/2023 às 13:20hs

ATeG completa um ano de bons resultados na Zona da Mata

Produtores de diversas cidades da região de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas, estão alcançando melhores resultados um ano após o início da participação em dois grupos de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústria de Derivados Lácteos. A iniciativa é promovida  pelo Sistema Faemg Senar com duração total de dois anos.

Ao todo, são 37 propriedades, localizadas nas cidades de Além Paraíba, Argirita, Astolfo Dutra, Bicas, Chácara, Goianá, Guarará, Juiz de Fora, Lima Duarte, Olaria, Orvalho, Santo Antônio do Aventureiro, Santos Dumont, Senador Cortes, São João Nepomuceno e Volta Grande.

O produtor de queijo minas artesanal, manteiga e provolone, João Vitor Oliveira, afirmou que o acesso à informação e à ferramentas de gestão fizeram a diferença em sua propriedade.  “Com mais informação, diminuímos o funil onde haviam perdas, e minimizamos a chance de ter erros na produção”, contou.  

Heitor Menezes é produtor de queijo e não fazia nenhuma gestão em sua propriedade antes de participar do ATeG. “Antes era tudo à revelia, hoje está diferente. Eu sabia mais ou menos quanto gastava, mas não fazia ideia de quanto era o custo e o preço que deveria cobrar. Gastava tudo e não fazia conta. Agora já está sobrando”, afirmou. 

Elisa Ferreira é professora aposentada e tem na produção de queijos um complemento de sua renda. Ela contou que tem dificuldade em arranjar mão de obra para ajudar em sua produção e que, por isso, ela e a família tem que botar a mão na massa. O ATeG veio ajudar a profissionalizar e tirar dúvidas quanto à produtividade. 

“É um aprendizado muito grande, a gente passa a ver nossos produtos dando lucro. Começa a querer investir. Tem ajudado muito na renda da nossa família e nossa propriedade. Compramos equipamentos, melhoramos a qualidade do nosso queijo, a higiene, as boas práticas de produção. Eu só não estou produzindo mais pois uso apenas o leite que tiro do meu rebanho e isso ainda me limita”, disse ela. 

André Luiz Galo produz queijo há cinco anos. No ATeG aprendeu a agregar valor ao seu produto. “Está sendo muito bom, só tive benefícios. Aprendemos a fazer a higienização correta, melhorar a qualidade. Nunca fiz nada de gestão, era tudo de cabeça. Agora sei como precificar de maneira correta”.

Técnicas de campo identificaram gargalos e ofereceram soluções

Com o fechamento do primeiro ano de atendimento nos dois grupos de ATeG, foram apresentados os resultados. Para os produtores próximos às cidades de Juiz de Fora e Lima Duarte, a técnica de campo Fabiane Cristina levou ferramentas de gestão e informações a respeito de técnicas de produção. “Tivemos melhoras significativas em relação às boas práticas de fabricação. Muitos produtores não sabiam nada e agora fazem tratamento térmico do leite, adquiriram equipamentos de higiene, aumentaram o padrão de limpeza de suas propriedades. Além disso, aumentamos a produtividade e otimizamos o gerenciamento. Temos muito a melhorar, mas já tivemos muitos avanços”, disse Fabiane.

A veterinária Marianna Florentino de Souza é técnica de campo do grupo na região de Além Paraíba. Melhorando o processo de gestão, a remuneração da mão de obra familiar e as boas práticas de fabricação, ela obteve ótimos resultados, com uma movimentação de mais de 16 milhões de reais dentro do grupo nos últimos 12 meses. “Um dos piores gargalos são as estradas, que dificultam muito o escoamento da produção. Mas já evoluímos bastante, melhoramos a precificação do queijo, mostramos como separar a produção de leite no curral da produção de derivados na agroindústria. Agora, vamos focar em melhorar a média de alguns produtores, para que aumentem o portfólio de produtos e o mercado de vendas, nivelando os participantes do grupo”, relatou Marianna.

Sindicatos também se beneficiam com o ATeG

Uma das principais iniciativas que vêm sendo incentivadas pelo Sindicato Rural de Juiz de Fora é a criação de um selo de certificação de origem para o queijo minas artesanal (QMA). Andreia Vinha, agente de desenvolvimento rural da instituição, afirma que a assistência técnica e gerencial para derivados de leite auxilia também nesta demanda. “Esses grupos fortalecem a nossa busca por uma certificação de origem para o queijo minas artesanal. Melhorando o produto e aumentando a aceitação dele nos mercados consumidores”.

Aderly Vieira, presidente do SPR de Além Paraíba, ressaltou a parceria do Sistema Faemg Senar com o sindicato, promovendo e atraindo novos associados para a instituição. “Um trabalho extraordinário do Sistema Faemg Senar, que fortalece o produtor da região e o sindicato, que é a casa do produtor.  Estou há cinco anos à frente do SPR e esse apoio é muito importante”.

Apresentação de resultados agradou

O gerente regional do Sistema Faemg Senar em Juiz de Fora, Wander Magalhães, esteve presente nas duas reuniões de benchmarking realizadas pelos grupos de ATeG. Para ele, o desenvolvimento de novas capacidades e a implementação de técnicas de gestão possibilitaram os indicadores positivos apresentados. “Vimos crescimento no volume de renda e lucro nesses grupos. Podemos ver como positivo o início do processo de gestão nessas propriedades, apesar das dificuldades particulares, vamos fortalecer essa gestão e as anotações nesse segundo ano, que é primordial para fazer a administração dessas de maneira correta”, afirmou. 

Paulo Globo é supervisor técnico do ATeG Agroindústria na região. Para ele, o mais importante é perceber melhoria na renda e na qualidade de vida dos participantes. “Vimos aumentar a lucratividade desses produtores em até 17%.  Para o segundo ano, queremos equiparar os produtores para que tenhamos números ainda melhores no fechamento dos grupos. Cada localidade tem uma realidade e uma particularidade, nosso trabalho vai ser nivelar por cima esses produtores”.  

O programa de assistência técnica e gerencial - ATeG Agroindústria Lácteos, do Sistema Faemg Senar, tem duração de dois anos. Ao final de cada ano de atendimento é realizada uma reunião de benchmarking, onde são apresentados os resultados. Os dois grupos têm programação de continuar o atendimento até o início de 2024. 

Fonte: Sistema Faemg|Senar|Inaes

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