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Agricultura regenerativa aumenta nitrogênio no solo e abre caminho para maior produtividade no Sul do Brasil

Uso estratégico de plantas de cobertura, rotação de culturas e manejo biológico do solo ganha força entre produtores gaúchos como alternativa para reduzir custos, recuperar áreas agrícolas e aumentar a eficiência produtiva das lavouras.


Publicado em: 30/07/2026 às 07:00hs

Agricultura regenerativa aumenta nitrogênio no solo e abre caminho para maior produtividade no Sul do Brasil

A agricultura regenerativa vem ganhando espaço no Rio Grande do Sul como uma estratégia para melhorar a fertilidade do solo, aumentar a disponibilidade de nutrientes e reduzir a dependência de insumos externos. Resultados apresentados pela Sementes Com Vigor (SCV) durante um Dia de Campo realizado na Fazenda Santo Amaro, em Muitos Capões (RS), mostram como o uso de plantas de cobertura e a reciclagem de nitrogênio podem transformar o potencial produtivo das lavouras.

O encontro técnico, realizado em 9 de julho, apresentou resultados de pesquisas conduzidas no campo experimental da propriedade, com foco na relação entre manejo regenerativo, atividade biológica do solo e desempenho das culturas de verão.

A iniciativa ocorre em um momento estratégico para o agronegócio gaúcho, marcado pela necessidade de reduzir custos de produção, recuperar áreas afetadas por eventos climáticos extremos e aumentar a eficiência no uso de nutrientes.

Plantas de cobertura ganham importância na recuperação dos solos

Segundo dados da Associação de Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul (Apassul), o estado cultiva aproximadamente 8,5 milhões de hectares com culturas de verão, mas mais de 6 milhões de hectares permanecem ociosos ou subutilizados durante o inverno.

Esse intervalo representa uma oportunidade para ampliar a produção de biomassa, melhorar a estrutura do solo e aumentar a ciclagem natural de nutrientes.

Durante o evento, produtores conheceram na prática os benefícios de sistemas baseados em:

  • plantio direto de longo prazo;
  • rotação de culturas;
  • uso de plantas de serviço;
  • mix de espécies como aveias, nabos e ervilhacas;
  • aumento da matéria orgânica do solo.

A estratégia busca transformar o solo em uma fonte permanente de fertilidade, reduzindo perdas e aumentando a estabilidade produtiva.

Manejo regenerativo reduz custos e aumenta resistência climática

A adoção de plantas de cobertura oferece benefícios diretos ao produtor rural, principalmente em um cenário de alta volatilidade nos preços dos fertilizantes.

Entre os principais ganhos estão:

Menor dependência de fertilizantes nitrogenados

As plantas de cobertura, especialmente as leguminosas, contribuem para a fixação biológica de nitrogênio e a reciclagem de nutrientes presentes no perfil do solo.

Com isso, o produtor consegue melhorar a eficiência nutricional da lavoura e reduzir a necessidade de aplicações externas de fertilizantes.

Maior proteção contra estiagens

O desenvolvimento de raízes profundas melhora a estrutura física do solo, amplia a infiltração de água e aumenta a capacidade de retenção de umidade.

A presença de palhada na superfície também reduz a temperatura do solo e protege contra a perda de água em períodos de seca.

Mais produtividade e estabilidade

Solos biologicamente ativos apresentam maior disponibilidade de nutrientes ao longo do ciclo das culturas, favorecendo plantas mais uniformes e com maior potencial produtivo.

Qualidade das sementes e saúde do solo são fatores decisivos

Além do manejo do solo, a qualidade dos insumos utilizados no plantio também influencia diretamente os resultados das lavouras.

Levantamentos da Apassul apontam que a utilização de sementes certificadas de soja no Rio Grande do Sul está abaixo da média nacional. Enquanto o estado apresenta uma taxa próxima de 42%, o índice brasileiro chega a aproximadamente 67%.

O uso de sementes sem procedência aumenta os riscos relacionados a doenças, pragas e baixo vigor inicial das plantas.

Por outro lado, culturas que combinam genética superior, sementes de alto vigor e manejo adequado do solo apresentam maior capacidade de enfrentar adversidades climáticas.

No trigo, por exemplo, a utilização de sementes de alta qualidade genética tem sido considerada uma ferramenta estratégica para aumentar a segurança produtiva.

Tecnologia e biologia precisam caminhar juntas

Para Pedro Basso, engenheiro agrônomo e CEO da Sementes Com Vigor, o futuro da agricultura depende da integração entre tecnologia de sementes e equilíbrio biológico do solo.

Segundo o especialista, investir apenas em genética avançada sem construir um ambiente favorável no solo limita o potencial produtivo das lavouras.

A combinação entre sementes certificadas de alto vigor, plantas de cobertura e solo biologicamente ativo representa uma das principais ferramentas para reduzir impactos causados pelas oscilações climáticas.

Pesquisa avalia disponibilidade de nitrogênio no Sul

Um dos principais objetivos do trabalho realizado na Fazenda Santo Amaro é compreender melhor a dinâmica do nitrogênio em solos do Sul do Brasil.

De acordo com Basso, grande parte das referências técnicas sobre manejo de nitrogênio vem de regiões como Cerrado e Norte do país, onde os solos geralmente apresentam menor teor de matéria orgânica.

No Sul, a realidade é diferente. Os solos naturalmente apresentam maior concentração de matéria orgânica, mas fatores como temperatura e dinâmica climática influenciam a disponibilidade dos nutrientes para as plantas.

A pesquisa busca entender como práticas regenerativas podem elevar os níveis de nitrogênio disponível e aumentar o teto produtivo das culturas.

Nitrogênio e clima influenciam desempenho das lavouras

Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, a quantidade total de nitrogênio presente no solo não é o único fator determinante para a produtividade.

A disponibilidade do nutriente depende também da atividade microbiológica, da temperatura e das condições ambientais.

Em períodos mais frios, comuns no inverno gaúcho, a mineralização da matéria orgânica ocorre de forma mais lenta, reduzindo temporariamente a liberação de nitrogênio para absorção pelas plantas.

Por isso, o manejo integrado do solo se torna essencial para garantir que os nutrientes estejam disponíveis no momento de maior demanda das culturas.

Agricultura regenerativa ganha espaço como estratégia de futuro

Os resultados apresentados pela SCV reforçam uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: a busca por sistemas produtivos mais eficientes, sustentáveis e resilientes.

Ao combinar biologia do solo, genética de sementes e manejo adequado, produtores podem reduzir custos, melhorar a fertilidade natural das áreas agrícolas e enfrentar com mais segurança os desafios impostos pelo clima.

A transformação do solo em uma “fábrica natural de fertilidade” surge como uma das principais estratégias para elevar a produtividade e fortalecer a competitividade da agricultura gaúcha nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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