Publicado em: 06/10/2015 às 11:30hs
O cenário considera a eliminação das taxas de importações e de pelo menos 50% das barreiras não tarifárias -padronizações de produto conflitantes, por exemplo.
As exportações brasileiras são afetadas, segundo o estudo, porque os produtos vendidos entre os países envolvidos no tratado ficarão comparativamente mais baratos.
Hoje as economias que formam o TTP recebem quase um quarto dos embarques brasileiros ao exterior. Nos manufaturados, o porcentual chega a 35%, por causa do mercado americano.
Analistas preveem que, com a entrada em vigor do TTP, os EUA devem concentrar seus esforços na negociação de outro mega-acordo com a União Europeia, a Ttip (Parceria Transatlântica).
"Se este fechar, asfixiará o Brasil", diz José Augusto de Castro, presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil).
Os números da FGV apontam que com a Ttip as exportações do país sofreriam queda ainda maior, de 5%.
"É urgente que o Brasil inicie uma negociação para um acordo de livre-comércio com os EUA", diz Diego Bonomo, gerente-executivo de comércio exterior da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, porém, a negociação de um acordo de livre-comércio com os EUA é um objetivo, mas não está "madura" e não é viável no médio prazo. "Estamos sendo pragmáticos e negociando uma convergência de normas com os EUA em diversos setores."
O ministro afirma que o acordo entre EUA, Japão e demais países já estava previsto na estratégia do governo brasileiro, que discute a ampliação de acordo com o México e os países andinos.
Para Emanuel Ornelas, professor da FGV e pesquisador de política comercial e acordos de comércio, qualquer abertura de mercado seria positiva para o Brasil, cuja economia é muito isolada das cadeias produtivas globais. Ele, no entanto, se diz cético, já que o governo não tem implementado acordos.
"O Brasil está atrasado há muito tempo nesta área. Agora o resultado está aí", diz Vera Thorstensen.
Setores
Os efeitos do TTP deverão ser sentidos tanto no agronegócio quanto na indústria.
Um dos setores mais prejudicados pelo acordo seriam produtos e preparados de carne, com queda de 5,1% do PIB setorial.
No caso dos manufaturados, setores como máquinas e equipamentos e produtos automotivos também devem sofrer desaceleração nas vendas externas.
Os cálculos da FGV foram feitos a partir do fluxo de comércio dos países em 2012 e consideram a taxa de câmbio vigente à época.
Segundo a pesquisadora, a mudança na cotação da moeda norte-americana não provoca alteração relevante no modelo de simulação utilizado.
Fonte: Folha de S. Paulo
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