Análise de Mercado

Trigo sobe no Brasil e no exterior, com oferta restrita e atenção voltada à nova safra

Preços avançam no Sul, Chicago reage e mercado segue atento à oferta global e à necessidade de importações


Publicado em: 23/04/2026 às 11:10hs

Trigo sobe no Brasil e no exterior, com oferta restrita e atenção voltada à nova safra
Foto: CNA

O mercado de trigo registra valorização tanto no Brasil quanto no cenário internacional, impulsionado pela oferta limitada, necessidade de recomposição de estoques e movimentos técnicos nas bolsas globais. Apesar da recente alta, o ambiente ainda exige cautela, especialmente diante das incertezas sobre a próxima safra e o equilíbrio da oferta mundial.

Oferta restrita sustenta preços no Sul do Brasil

Os preços do trigo seguem firmes na região Sul, refletindo a baixa disponibilidade do cereal até a chegada da nova safra. Segundo a TF Agroeconômica, o ritmo de negociações permanece lento, com agentes atentos à oferta no curto prazo.

No Rio Grande do Sul, os negócios ocorrem de forma pontual, ainda impactados pela colheita da soja. Os preços no interior variam entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada para trigos de menor qualidade, enquanto vendedores pedem entre R$ 1.350 e R$ 1.400. A disponibilidade estimada é de cerca de 260 mil toneladas — volume considerado insuficiente para atender o mercado até outubro, o que deve levar à necessidade de importações e maior alinhamento aos preços internacionais. Em Panambi, o valor pago ao produtor subiu 3,51%, passando de R$ 57,00 para R$ 59,00 por saca.

Santa Catarina e Paraná mostram dinâmicas distintas de mercado

Em Santa Catarina, o volume disponível é maior em comparação ao estado vizinho, mas os preços também avançam. O trigo é negociado ao redor de R$ 1.300 FOB, enquanto ofertas vindas do Paraná e do Rio Grande do Sul alcançam R$ 1.400 FOB, com retirada e pagamento entre abril e maio. No mercado interno, os preços ao produtor permanecem estáveis na maior parte das praças, com ajustes pontuais — alta em São Miguel do Oeste e recuo em Joaçaba.

Já no Paraná, os preços para entregas futuras (maio e junho) estão abaixo dos valores do mercado disponível. Moinhos indicam cerca de R$ 1.300 CIF, enquanto negociações imediatas variam entre R$ 1.330 e R$ 1.450, dependendo da região. Para os próximos meses, as indicações ficam entre R$ 1.350 e R$ 1.370 CIF, refletindo a redução nas paridades de importação, influenciada pela desvalorização do dólar.

Chicago reage com alta após perdas recentes

No mercado internacional, o trigo iniciou a sessão desta quinta-feira (23) em alta na Chicago Board of Trade (CBOT), em um movimento de recuperação após quedas recentes.

Na abertura, o contrato maio/26 foi cotado a US$ 6,01 por bushel, com alta de 16 pontos. O julho/26 operava a US$ 6,09 por bushel, registrando valorização de 26 pontos, enquanto o setembro/26 era negociado a US$ 6,22 por bushel, com avanço de 22 pontos nas primeiras negociações do dia.

A valorização está associada à recomposição técnica de preços, além do monitoramento contínuo das condições das lavouras no Hemisfério Norte e do ritmo da oferta global.

Oferta global e clima mantêm mercado volátil

Apesar da alta recente, o cenário internacional ainda não apresenta uma tendência clara. A oferta global segue relativamente confortável, limitando avanços mais consistentes nas cotações. Por outro lado, riscos climáticos e possíveis ajustes na produção mantêm a volatilidade elevada.

Demanda interna firme exige estratégia do produtor

No Brasil, o mercado permanece sustentado pela expectativa de menor produção nacional e pela oferta restrita no mercado disponível. A necessidade de abastecimento por parte dos moinhos mantém a demanda aquecida, mesmo diante das oscilações externas.

Esse contexto reforça a importância de uma atuação estratégica por parte dos produtores. A recuperação nas cotações internacionais pode abrir oportunidades de comercialização, mas o cenário ainda exige cautela, já que fatores externos seguem determinantes no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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