Publicado em: 14/05/2026 às 11:30hs
O mercado internacional do trigo segue sensível às condições climáticas nas principais regiões produtoras do Hemisfério Norte, mantendo o ambiente de volatilidade nas cotações globais.
Nos Estados Unidos, lavouras de trigo de inverno enfrentam restrições de umidade em áreas relevantes de produção, fator que levanta dúvidas sobre produtividade e qualidade da safra. Além disso, regiões produtoras como Austrália e China também registram desafios climáticos, impedindo uma leitura mais confortável sobre a oferta mundial.
Esse cenário mantém o mercado em constante monitoramento, já que qualquer alteração climática mais severa pode impactar diretamente o balanço global de oferta e demanda.
Na Bolsa de Chicago, vinculada ao Chicago Board of Trade, os contratos futuros de trigo operaram em baixa nesta quinta-feira (14), refletindo realização de lucros após recentes altas impulsionadas por preocupações climáticas.
O movimento foi considerado técnico, com investidores ajustando posições diante de sinais de possível melhora climática em parte do cinturão produtor norte-americano.
As cotações operavam em queda generalizada nos principais vencimentos, indicando correção após o avanço recente do mercado.
Na Europa, a Euronext também registrou recuo, influenciada por ajustes após altas anteriores, apesar de relatos de estoques mais apertados em países como a França. Já nos Estados Unidos, relatórios de produtividade apontam redução significativa em algumas áreas, reforçando que o quadro de oferta ainda inspira cautela.
No Brasil, o mercado do trigo segue com sustentação, mesmo diante da pressão externa vinda das bolsas internacionais.
A consultoria Safras & Mercado revisou para baixo suas estimativas de área plantada e produção para a safra 2026/27, citando custos elevados e rentabilidade apertada como fatores que desestimulam a expansão da cultura.
No Sul do país, o ritmo de semeadura segue lento, com atraso em relação ao ano anterior e à média histórica, segundo dados da Conab. Produtores permanecem cautelosos diante do cenário climático e dos custos de implantação.
Além disso, a oferta restrita de trigo de qualidade no mercado interno mantém os preços firmes. Segundo levantamentos do Cepea, vendedores seguem retraídos, aguardando melhores condições de negociação, enquanto a indústria prioriza o produto nacional diante de limitações na qualidade do trigo importado.
No Rio Grande do Sul, o mercado segue com viés de alta, com negócios sendo negociados em patamares superiores após consolidação de preços anteriores. Parte da oferta já está comprometida, e a disponibilidade para os próximos meses segue limitada.
Em Santa Catarina, o ritmo de negociações permanece lento, acompanhando o comportamento da indústria de farinha, mas com elevação gradual nas pedidas.
No Paraná, o mercado apresenta variações regionais, com compradores já abastecidos e ajustes pontuais nas ofertas. Ainda assim, há negociações em diferentes faixas de preço conforme qualidade e localização do produto.
O cenário do trigo combina fatores opostos: de um lado, a pressão de realização de lucros nas bolsas internacionais; de outro, preocupações climáticas persistentes no Hemisfério Norte e restrição de oferta no Brasil.
Esse equilíbrio instável mantém o mercado global e doméstico em constante oscilação, com atenção redobrada para clima, câmbio e ritmo da demanda industrial nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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