Análise de Mercado

Tradição entre gerações: produzir alimentos com qualidade

A história da propriedade rural de Valdir Lovatel e Família, na comunidade de Santa Bárbara, no município de Ouro, no oeste catarinense, é marcada pela trajetória de três gerações dispostas a evoluir, trabalhar unidas, felizes e fazendo o que mais amam: serem agricultores.


Publicado em: 22/02/2022 às 17:00hs

Tradição entre gerações: produzir alimentos com qualidade

Esse desejo de chegar cada vez mais longe fez com que as atividades braçais fossem substituídas por mecanizadas, que as ferramentas manuais dessem espaço para equipamentos modernos e que as dificuldades financeiras ficassem no passado e fossem apenas um incentivo para melhorar cada vez mais os resultados obtidos.

Trabalham na propriedade Valdir Lovatel e sua esposa Irês Tessaro, a filha do casal Loreni e seu marido Rivelino Zambão e as netas Tauana e Taila. Atualmente, as duas principais atividades econômicas são: produção de leite com 30 vacas em lactação – e a busca constante por melhores resultados na qualidade do produto – e suínos para terminação com 1.250 animais – com preocupação com o bem-estar animal e bom desempenho no resultado final do lote. A propriedade, de 52 hectares, é cooperada a Cooperativa Agropecuária de Lacerdópolis (COOLACER) e utiliza pastagens perenes, tem mata nativa, área de preservação permanente, potreiros e áreas de lavoura para plantio de milho e pastagens de inverno.

A família finalizou recentemente os cursos De Olho e Qualidade Total Rural (QTR) do Programa Encadeamento Produtivo desenvolvido pela Aurora Coop, pelo Sebrae/SC e por outros parceiros e, na sequência conquistou o certificado de Propriedade Rural Sustentável. “Somos felizes. Gostamos de ver a propriedade arrumada e com a beleza da natureza que nos rodeia no dia a dia. Também buscamos evoluir e acompanhar as exigências do mercado. Queremos crescer, mas continuar produzindo com qualidade nossos alimentos”, comenta a neta Tauana Zambão.

O plano estratégico da empresa rural contempla a missão de ser uma propriedade certificada, que produz com responsabilidade alimentos, com cooperação aos parceiros no qual negociam a produção de leite e suínos. A visão é ser referência por satisfazer o mercado consumidor, fornecendo o produto que procuram com boa qualidade, segurança e de forma sustentável. Seus valores são: valorização do ser humano, respeito ao consumidor, transparência nos serviços, bem-estar animal, confiança e união. 

Com a orientação do consultor credenciado ao Sebrae/SC, Lorival Zanluchi, foi elaborado o mapa estratégico com definições para finanças, cliente e sociedade, processos e pessoas. Na área financeira, por exemplo, a família utiliza planilhas para controlar os custos e as receitas para cada atividade desenvolvida. Nos cursos também analisaram os ambientes e elencaram os pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças. Para buscar melhores resultados realizaram a implantação de bebedouros de água com melhor acessibilidade para os animais; melhoraram as pastagens perenes com controle de invasores; mantiveram o controle atualizado de todas as atividades realizadas na propriedade; realizaram a pintura nas construções para melhorar a aparência e venderam alguns animais para reduzir a quantidade elevada e os custos. 

RESULTADOS

Na atividade da bovinocultura leiteira, a Contagem Padrão de Placas (CPP), que quantifica o número total de bactérias aeróbias do leite cru (capazes de estragar o leite ou provocar doenças no consumidor) a média foi de 5,7 no comparativo de nove meses. “Avaliamos que esse indicador está muito bom, até porque a cooperativa não recebe o leite se o CPP estiver acima de 100. Com isso recebemos R$ 0,5 centavos/litro de bonificação do leite na nota fiscal”, explica a produtora.

Na Contagem de Células Somáticas (CCS), que se refere à quantidade de células de defesa (relacionadas com a saúde da glândula mamária) a média foi de 302,66 no mesmo período analisado de março a novembro de 2021 (a cooperativa exige que esteja abaixo de 500). “É difícil manter esse indicador equilibrado, por isso é necessário redobrar os cuidados com o rebanho”, comenta.

A média do indicador de produtividade foi de 18,7 por produção de litros/vaca lactante/dia. O indicador econômico e financeiro revelou que nos meses analisados a média de lucro foi de R$ 13.052,25. 

Na suinocultura de terminação a conversão alimentar ajustada reduziu de 3,16 para 2,98 em três lotes analisados, a mortalidade de 1,76% diminuiu para 1,68% e o ganho de peso diário (GPD) subiu de 0,886 para 0,947. Os indicadores econômicos e financeiros da atividade apontam um lucro médio de R$ 54.624,79 no período analisado.

Tauana relembra que ao olhar outras propriedades de produtores que já tinham feito os cursos De Olho e Qualidade Total Rural vinha em mente o desejo de mudar, evoluir e buscar melhores resultados. “Estar em um ambiente de trabalho organizado e limpo é algo gratificante, representa um sentimento de bem-estar e conforto. Mobilizar a família para pegar e devolver no mesmo lugar leva tempo, mas com uma conversa contínua, a prática e de ver que tudo fica mais fácil, aos poucos todos se convencem. Também foi importante aprender e usar as planilhas para fazer o controle da bovinocultura de leite, que é uma atividade que possui muitos gastos e precisamos saber a viabilidade da atividade, estar atento ao intervalo entre partos e a quantidade de produção média por animal/ano”, relata.

A família focada nos resultados obtidos em cada lote, compara os números com a média da Aurora Coop, presta conta das despesas, considera a depreciação dos equipamentos e das instalações da propriedade. Também observa o balanço patrimonial de cada ano e compara o crescimento e os dados para verificar a evolução no decorrer do período. Para Tauana, a busca pelo conhecimento deve ser constante, assim como o desejo de aprender com outras experiências facilita para compreender e analisar o sucesso alcançado. “Somos gratos a todos que contribuíram para o bom desempenho do curso, ao consultor Lorival, a professora Rudinéia Maria Lazaroto, aos demais participantes do De Olho, Qualidade Total Rural e ao Time de Excelência, a Coolacer e a Aurora Coop pela iniciativa de motivar os produtores rurais. Também agradeço a minha família, que é a minha base de vida, e ao meu namorado Claudinei que sempre me ajudou. Todos vocês são importantes em minha vida”, agradece a empreendedora rural.

ENCADEAMENTO PRODUTIVO

O “Encadeamento Produtivo Aurora Coop: Suínos, Aves e Leite” é desenvolvido em Santa Catarina com as parcerias do Sebrae, do Senar, do Sescoop, do Sicoob, da Cooperalfa, da Itaipu, da Auriverde, da Coolacer, da Copérdia, da Caslo, da Cooper A1 e da Coopervil. No Rio Grande do Sul, conta com a parceria do Sebrae, do Sicredi, da Cooperalfa, da Cooper A1 e da Copérdia. No Paraná participam o Sebrae, a Cooperalfa, a Copérdia e a Cocari e, no Mato Grosso do Sul, Sebrae, Cooasgo e Cooperalfa.

Fonte: MB Comunicação Empresarial/Organizacional

◄ Leia outras notícias
/* */ --