Análise de Mercado

Taxa de câmbio real mostra valorização expressiva

A taxa de câmbio real efetiva se valorizou pelo oitavo mês seguido em maio, voltando para os níveis observados em meados do ano passado e, antes disso, no começo de 2009


Publicado em: 12/07/2016 às 12:15hs

Taxa de câmbio real mostra valorização expressiva

Calculado com base numa cesta de 13 moedas, ponderadas pelo peso no comércio exterior do país, o indicador também deve ter se apreciado com força em junho, quando o real teve apreciação significativa. De setembro de 2015 a maio deste ano, a taxa se valorizou quase 18%, segundo números da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).

Razoável - Para o sócio e economista­chefe da JGP Gestão de Recursos, Fernando Rocha, o atual nível do câmbio ainda parece razoável para o setor exportador. Nesse cenário, ele considera adequada a decisão do Banco Central (BC), de atuar para reduzir o estoque de swaps cambiais, o que contribuiu para o câmbio se desvalorizar um pouco no começo deste mês.

Desvalorização nominal - Se continuar a se fortalecer e cair para R$ 3 ou menos, o real pode prejudicar as empresas que atuam no comércio exterior, sem que isso tenha um efeito favorável relevante sobre a inflação, acredita Rocha. Para ele, é importante que a cotação se desvalorize um pouco em termos nominais a cada ano, para manter o mesmo nível do câmbio real efetivo, que leva em conta a diferença entre a inflação do Brasil e dos parceiros.

Ajuste externo - O economista Fernando Ribeiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), avalia que o ajuste externo continuará em curso ainda que a moeda caia para a casa de R$ 3. Num momento em que há grande ociosidade na economia, as empresas buscam exportar como opção ao enfraquecimento do mercado doméstico, e o câmbio um pouco mais valorizado do que o atual não seria um obstáculo a esse processo, avalia ele.

Mercado interno - Quando houver menos folga de recursos na economia, porém, a situação muda, e as empresas tendem a voltar a dar prioridade ao mercado interno, caso a demanda doméstica esteja mais forte.

Diferenças - Para Livio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), não há um nível de câmbio ótimo para a indústria, porque há diferenças importantes na situação das empresas. Para uma companhia que importa muitos insumos, um real muito desvalorizado é prejudicial, diz ele.

Volatilidade excessiva - Para o economista, a volatilidade excessiva é muito mais negativa do que o nível do câmbio. Com isso, oscilações exageradas das cotações podem justificar atuações do BC no mercado. Se cair abaixo de R$ 3 porque os fundamentos justificam o movimento, Livio Ribeiro não vê motivos para preocupação.

Fonte: Portal Paraná Cooperativo

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