Publicado em: 12/07/2016 às 12:15hs
Calculado com base numa cesta de 13 moedas, ponderadas pelo peso no comércio exterior do país, o indicador também deve ter se apreciado com força em junho, quando o real teve apreciação significativa. De setembro de 2015 a maio deste ano, a taxa se valorizou quase 18%, segundo números da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).
Razoável - Para o sócio e economistachefe da JGP Gestão de Recursos, Fernando Rocha, o atual nível do câmbio ainda parece razoável para o setor exportador. Nesse cenário, ele considera adequada a decisão do Banco Central (BC), de atuar para reduzir o estoque de swaps cambiais, o que contribuiu para o câmbio se desvalorizar um pouco no começo deste mês.
Desvalorização nominal - Se continuar a se fortalecer e cair para R$ 3 ou menos, o real pode prejudicar as empresas que atuam no comércio exterior, sem que isso tenha um efeito favorável relevante sobre a inflação, acredita Rocha. Para ele, é importante que a cotação se desvalorize um pouco em termos nominais a cada ano, para manter o mesmo nível do câmbio real efetivo, que leva em conta a diferença entre a inflação do Brasil e dos parceiros.
Ajuste externo - O economista Fernando Ribeiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), avalia que o ajuste externo continuará em curso ainda que a moeda caia para a casa de R$ 3. Num momento em que há grande ociosidade na economia, as empresas buscam exportar como opção ao enfraquecimento do mercado doméstico, e o câmbio um pouco mais valorizado do que o atual não seria um obstáculo a esse processo, avalia ele.
Mercado interno - Quando houver menos folga de recursos na economia, porém, a situação muda, e as empresas tendem a voltar a dar prioridade ao mercado interno, caso a demanda doméstica esteja mais forte.
Diferenças - Para Livio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), não há um nível de câmbio ótimo para a indústria, porque há diferenças importantes na situação das empresas. Para uma companhia que importa muitos insumos, um real muito desvalorizado é prejudicial, diz ele.
Volatilidade excessiva - Para o economista, a volatilidade excessiva é muito mais negativa do que o nível do câmbio. Com isso, oscilações exageradas das cotações podem justificar atuações do BC no mercado. Se cair abaixo de R$ 3 porque os fundamentos justificam o movimento, Livio Ribeiro não vê motivos para preocupação.
Fonte: Portal Paraná Cooperativo
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