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Análise de Mercado

Supermercados: vendas em alta exigem controle de margem, estoque e caixa para garantir lucro

Pesquisa da ABRAS mostra que 29,76% das empresas ampliaram o faturamento e também as perdas; indicadores ajudam a identificar se o crescimento melhora o resultado


Publicado em: 19/10/2026 às 14:00hs

Supermercados: vendas em alta exigem controle de margem, estoque e caixa para garantir lucro

O crescimento das vendas nos supermercados nem sempre se traduz em maior rentabilidade. Embora o consumo nos lares brasileiros acumule alta real de 2,71% em 2026, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), parte das empresas enfrenta aumento das perdas mesmo com o avanço do faturamento.

A Pesquisa de Eficiência Operacional 2026 da entidade aponta que 29,76% das empresas analisadas venderam mais e também registraram perdas maiores. Para os gestores, o desafio é acompanhar quanto da receita se transforma em lucro e quanto permanece disponível no caixa.

Segundo Vanderlei Goulart, contador, consultor empresarial e diretor-presidente da Meta Assessoria, analisar apenas o faturamento oferece uma visão incompleta da operação. Custos, despesas, desperdícios e recursos imobilizados em estoque precisam integrar essa avaliação.

Faturamento e margem precisam ser analisados juntos

O acompanhamento das vendas deve considerar a margem bruta e o custo da mercadoria vendida (CMV). Quando o custo dos produtos cresce mais rapidamente que a receita, o supermercado pode perder rentabilidade antes mesmo de pagar as demais despesas.

A margem líquida, por sua vez, mostra a parcela da receita que permanece como resultado após os custos e as despesas. Já o ticket médio, analisado em conjunto com o número de compras, ajuda a compreender a origem do crescimento das vendas.

Na avaliação de Vanderlei, o aumento do movimento precisa ser acompanhado por uma análise da margem e da situação financeira. Caso contrário, o gestor pode interpretar a expansão do faturamento como melhora do negócio, mesmo diante de um caixa mais pressionado.

Estoque elevado pode consumir capital e ampliar perdas

Giro e cobertura de estoque ajudam a avaliar se as compras estão adequadas ao ritmo de venda. Mercadorias acima da necessidade comprometem recursos e, em determinadas categorias, ampliam a exposição a vencimentos, avarias e desperdícios.

Esse controle deve alcançar os diferentes departamentos. Açougue, padaria, hortifrúti, mercearia e bebidas apresentam características próprias de margem, giro e perdas.

A análise apenas do resultado consolidado pode esconder setores com vendas expressivas, mas baixa contribuição para a rentabilidade da loja.

Diferenças de inventário, produtos vencidos e falhas operacionais também precisam ser monitorados mensalmente, pois reduzem o resultado mesmo quando a receita aumenta.

Pesquisa mostra diferentes resultados na eficiência operacional

Enquanto parte dos supermercados combinou crescimento das vendas com aumento das perdas, 45,95% das empresas pesquisadas pela ABRAS conseguiram elevar o faturamento e reduzir as perdas.

A eficiência operacional média do setor chegou a 98,18%, equivalente a um índice de perdas de 1,82%.

Os dados reforçam a importância de avaliar o desempenho comercial junto à execução da operação. Vender mais e controlar desperdícios são movimentos que precisam avançar de forma coordenada.

Fluxo de caixa revela a capacidade de sustentar o crescimento

O fluxo de caixa e a necessidade de capital de giro mostram se o supermercado consegue financiar a rotina de compras e pagamentos.

Uma empresa pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não dispor de dinheiro suficiente para cumprir compromissos com fornecedores, funcionários e outras despesas. Descompassos entre recebimentos e pagamentos, excesso de estoque e endividamento estão entre os fatores que podem provocar essa situação.

Por isso, o volume das dívidas e o peso das despesas operacionais devem ser avaliados em relação à capacidade de geração de caixa.

DRE gerencial precisa chegar a tempo de orientar decisões

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) organiza receitas, custos e despesas e permite verificar se a operação encerrou determinado período com lucro ou prejuízo.

Para Márcio Goulart, especialista em gestão de supermercados e diretor da Meta Assessoria, a utilidade do demonstrativo depende da qualidade e da rapidez das informações.

Segundo ele, os dados de ponto de venda, estoque, compras, financeiro, fiscal e contabilidade precisam ser consistentes entre si. Divergências na forma ou no momento de fechamento podem dificultar a identificação do resultado real da loja.

O acompanhamento gerencial também exige agilidade. Comparar o desempenho mensal com o período anterior e com as metas ajuda a corrigir desvios enquanto ainda há tempo para ajustar a operação.

Quais sinais exigem atenção do supermercadista?

Os especialistas destacam situações que justificam uma análise mais detalhada da gestão:

  • Faturamento em alta e margem em queda, indicando que vender mais pode estar entregando menos resultado.
  • Estoque crescendo acima das vendas, com maior volume de recursos comprometidos em mercadorias.
  • Aumento das perdas, por vencimentos, desperdícios ou diferenças de inventário.
  • Despesas avançando mais que a receita, reduzindo a rentabilidade.
  • Uso recorrente de crédito para despesas da rotina, sinalizando pressão sobre o capital de giro.

Para Vanderlei, o gestor precisa selecionar indicadores que mostrem onde o resultado é gerado e em quais etapas ele é reduzido. A leitura conjunta da DRE, do estoque e do fluxo de caixa permite transformar o crescimento das vendas em uma avaliação mais precisa da saúde do supermercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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