Publicado em: 02/08/2018 às 11:10hs
Nesta quinta-feira (2), segue o recuo dos preços da soja na Bolsa de Chicago e, perto de 7h25 (horário de Brasília), as baixas passavam de pouco mais de 6 pontos entre os principais contratos. Com isso, o novembro já voltava aos US$ 8,95 por bushel na manhã de hoje, após testar algo acima dos US$ 9,00 no início desta semana.
Embora sem grandes novidades, as manchetes ao redor da guerra comercial entre chineses e americanos segue pesando severamente sobre os preços da oleaginosa no mercado futuro norte-americano, de forma a limitar algum avanço que poderiam ter em função do tempo mais seco sendo registrado no Meio-Oeste neste momento.
"Todas estas novas ameaças parecem fazer parte de um "jogo de pressão" para forçar a reabertura das negociações bilaterais com o Governo de Xi Jinping. Por outro lado, o cenário para a safra norte-americana continua preocupante, principalmente pela chegada de uma massa de ar quente de alta pressão no Centro do país", dizem os analistas de mercado da AgResource Mercosul (ARC).
As perdas de ontem, que se aproximaram de 2%, refletiram o aumento de 10% para 25% em US$ 200 bilhões de importações chinesas pelos EUA.
“O aumento na possível taxa do imposto adicional tem objetivo de dar ao governo opções adicionais para encorajar a China a alterar suas políticas e comportamentos prejudiciais e adotar políticas que irão levar a mercados mais justos e prosperidade para todos nossos cidadãos”, disse o representante comercial Robert Lighthizer em comunicado.
Além disso, como explicou a consultoria internacional Allendale, a logística nos EUA também começa a atrapalhar. Com os produtores americanos fora de novas vendas diante dos atuais preços baixos, os armazéns ainda posssuem grãos, bem como os chamados 'elevators' que são como unidades de recebimento de grãos no país, pouco antes da colheita se iniciar, com a possibilidade de uma produtividade recorde ser alcançada.
Os traders esperam, também nesta quinta-feira, pelos novos números das vendas semanais para exportação dos EUA que serão divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). As expectativas são de 150 mil a 500 mil toneladas da safra velha e de 300 mil a 700 mil da safra nova.
Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:
Soja perde quase 2% em Chicago nesta 4ª com pressão renovada da guerra comercial China x EUA
Os preços da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam o pregão desta quarta-feira (1) com perdas de quase 2%, com um movimento bastante intenso de realização de lucros após bater, na sessão anterior, com altas de mais de 3% e registrando suas máximas em um mês. Farelo e óleo de soja também caíram, acompanhando o grão.
Assim, as baixas entre as principais posições perderam entre 16,75 e 17 pontos, com as primeiras voltando a perder o patamar dos US$ 9,00 por bushel, enquanto o novembro/18, que é a principal referência do mercado neste momento, fechou em US$ 9,01.
O mercado sentiu, além de uma forte realização de lucros, o peso renovado de mais um dia da guerra comercial dos Estados Unidos com a China, com o governo Trump anunciando que pode elevar o percentual da tarifação de 10% para 25% em US$ 200 bilhões de produtos chineses, como explicou o estrategista de mercado da AgRural, Michel Vieira.
Frente a isso, a China já avisou que, na medida em que isso se efetivar, ela irá dar uma resposta à altura para essa nova medida do governo norte-americano.
"Os baixistas esperam que a China continue mesmo jogando duro. De outro lado, essa porta pode não ser tão grande se um acordo comercial for alcançado no curto prazo", diz o analista internacional Al Kluis, da Kluis Commodities, em um informativo nesta quarta-feira.
Apesar da queda forte, segundo explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, a tendência para os preços da soja em Chicago ainda é de alta, com o clima no Corn Belt começando a chamar mais atenção dos traders. A força dessas informações, porém, ainda é limitada.
"Os fundamentos não mudaram, porque continuam mostrando indicativos de calor no Meio-Oeste americano, com estados importantes não devendo ter chuvas boas e mostrando que o quadro mais próximo do normal está no estado de Illinois, onde está Chicago. Então, os operadores acabam vendo mais o que está ao redor e não olham tanto nos estados que estão com mais problemas, como Nebraska e Iowa, que têm altas temperaturas e não devem ter chuvas até a semana que vem. Desta forma, neste momento de florescimento e formação das vagens, isso tem efeito limitante no potencial produtivo das lavouras", diz Brandalizze.
Preços no Brasil
Nesta quarta-feira, os preços da soja no Brasil tiveram dia de volatilidade, com o mercado interno atento às baixas fortes na Bolsa de Chicago, bem como à ligeira alta do dólar frente ao real. A moeda americana encerrou o dia com 0,11% de ganho e valendo US$ 3,7589.
Para os portos, a pressão de Chicago parece ter sido protagonista e as referências recuaram. Em Paranaguá, baixa de 0,55% no disponível, para R$ 91,00 por saca, e de de 1,22% para fevereiro, com fechamento nos R$ 81,00. Em Rio Grande, queda de 0,79% para R$ 87,80 no disponível e de 0,45% para R$ 88,60 no contrato agosto.
"O mercado da Soja teve pouco movimento confirmado nesta quarta-feira, com apelo em indicativos de queda em Chicago, entregando parte dos ganhos do dia anterior. Junto, em parte do dia o dólar estava em queda e, assim, os níveis recuaram quase R$ 1,00. Desta forma, o dia foilento de fechamentos internos", relata Brandalizze.
Fonte: Notícias Agrícolas
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