Publicado em: 24/02/2026 às 11:30hs
O mercado de soja no Brasil começou a semana com comportamento variado entre as regiões produtoras. Enquanto o Sul do país apresenta recuperação nas lavouras e leve valorização nos preços, o Centro-Oeste enfrenta gargalos logísticos e aumento dos custos de escoamento, especialmente devido à alta dos fretes. Já o Norte e o Nordeste seguem sob influência do clima, com excesso de chuvas afetando o ritmo da colheita e a liquidez do mercado.
No Rio Grande do Sul, a TF Agroeconômica manteve a estimativa de safra de verão em 21,4 milhões de toneladas, distribuídas em 6,74 milhões de hectares. Chuvas recentes ajudaram a aliviar o estresse hídrico, favorecendo as lavouras. O preço médio da saca de 60 kg teve leve alta de 0,22%, alcançando R$ 118,25. Em Santa Catarina, o mercado seguiu estável, com cotações em R$ 116,00 em Palma Sola e R$ 126,00 no porto de São Francisco do Sul, sustentadas pela demanda da cadeia de proteína animal.
No Paraná, o avanço da colheita causou congestionamento no porto de Paranaguá, com valores variando de R$ 116,76 em Cascavel a R$ 128,49 no terminal portuário. Em Mato Grosso do Sul, o excesso de umidade atrasou os trabalhos de campo, elevando custos de secagem e reduzindo a margem do produtor — Dourados registrou R$ 112,00 e Campo Grande, R$ 106,00. Já em Mato Grosso, a colheita alcança 65,75% da área, mas o frete superior a R$ 490 por tonelada tem pressionado os ganhos. No MATOPIBA, chuvas de até 200 mm também têm limitado a colheita e reduzido os negócios.
Com o dólar em torno de R$ 5,18, sem variações expressivas, o mercado interno segue com baixo volume de negócios. Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, o produtor permanece focado na colheita e adota postura cautelosa, vendendo “da mão para a boca”. A indústria e os portos também apresentam pouca movimentação, com spreads mais altos e prêmios limitando a valorização.
Os preços oscilaram entre R$ 1 e R$ 2 nas principais praças, sem grande liquidez. Em Passo Fundo (RS), a saca recuou de R$ 123,00 para R$ 122,00; em Santa Rosa (RS), de R$ 124,00 para R$ 123,00; e em Rondonópolis (MT), subiu de R$ 106,00 para R$ 107,00. No porto de Paranaguá (PR), o valor manteve-se em R$ 128,00, enquanto no porto de Rio Grande (RS) caiu para R$ 127,00.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago, os contratos futuros da soja operam em baixa, refletindo incertezas sobre o comércio internacional dos Estados Unidos. O contrato de maio/26 recua 0,41%, cotado a US$ 11,45 por bushel, após três pregões consecutivos de perdas.
A instabilidade é atribuída à recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que anulou tarifas de importação implementadas pelo ex-presidente Donald Trump. A retórica política sobre possíveis novas tarifas amplia as preocupações sobre a demanda chinesa e pode reduzir o interesse das indústrias em firmar novos contratos de exportação.
A TF Agroeconômica destaca ainda que os embarques norte-americanos de soja somaram 669.865 toneladas, abaixo das expectativas, reforçando o cenário de demanda externa enfraquecida. Enquanto isso, a Companhia Nacional de Abastecimento informa que a colheita brasileira atingiu 32% da área plantada, ritmo inferior à média histórica de 36%.
O movimento de queda também se estende aos derivados da oleaginosa. O farelo de soja recuou 0,36%, negociado a US$ 308,70 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja registrou leve alta de 0,80%, cotado a 59,39 centavos de dólar por libra-peso.
Especialistas apontam que, apesar da volatilidade, o mercado do óleo mantém fundamentos positivos, impulsionado pela demanda para biocombustíveis. No entanto, o ambiente geopolítico e as incertezas tarifárias seguem como fatores decisivos para o comportamento futuro das cotações.
O clima na América do Sul ainda influencia a formação dos preços, com atenção especial para o avanço da colheita no Brasil e o comportamento das chuvas na Argentina. Mesmo sem impactos imediatos, o mercado monitora o ritmo da oferta global e a retomada das compras chinesas após o Ano Novo Lunar, o que poderá definir a direção dos preços nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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