Análise de Mercado

Soja e Milho Oscilam entre Safra Recorde, Volatilidade Cambial e Recuperação Internacional: Mercado Agrícola Inicia Semana com Cautela

Cenário da Soja: Dólar em Queda e Colheita no Brasil Pressionam Cotações Internas


Publicado em: 26/01/2026 às 11:28hs

Soja e Milho Oscilam entre Safra Recorde, Volatilidade Cambial e Recuperação Internacional: Mercado Agrícola Inicia Semana com Cautela

O mercado da soja iniciou a semana sob forte influência da desvalorização do dólar frente ao real e das expectativas de safra recorde no Brasil, fatores que reduziram a competitividade do grão nacional no mercado externo. Segundo levantamento do Cepea, a combinação desses elementos levou à retração das cotações internas e à desvalorização dos prêmios de exportação.

A Conab informou que até 17 de janeiro cerca de 3,2% da área nacional de soja já havia sido colhida, superando o percentual de 1,2% registrado no mesmo período do ano anterior. Com isso, compradores seguem cautelosos e postergam novas aquisições, aguardando a intensificação da colheita e possíveis ajustes de preço.

Soja em Chicago: Leve Alta Reflete Reposicionamento do Mercado e Cautela Global

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja iniciaram a segunda-feira (26) com leves altas entre 3,75 e 4,75 pontos, levando o vencimento de março a US$ 10,72 e o de maio a US$ 10,83 por bushel. O movimento reflete ajustes técnicos após quedas recentes e o reposicionamento de fundos diante do cenário macroeconômico global.

O enfraquecimento do dólar no exterior, o avanço da colheita brasileira e a demanda ainda firme pela soja norte-americana compõem o pano de fundo do mercado. Além disso, a alta do ouro acima dos US$ 5.000 por onça acende o alerta de investidores em busca de proteção, reforçando um ambiente de incerteza e volatilidade.

Panorama Regional: Preços Variam entre Estados e Logística Pesa sobre Cotações

O comportamento da soja no mercado físico brasileiro segue heterogêneo, variando conforme região e dinâmica logística:

  • Rio Grande do Sul: semeadura atinge 98% da área, com preços em queda — R$ 134,00/sc no porto (-0,74%) e R$ 123,14/sc no interior (-1,47%).
  • Santa Catarina: soja voltada à agroindústria de proteína animal, cotada entre R$ 118,00 e R$ 121,00/sc; farelo opera a R$ 2,00/kg e milho de referência a R$ 75,00/sc.
  • Paraná: mantém otimismo, com preços entre R$ 119,00 e R$ 131,00/sc, dependendo da praça.
  • Mato Grosso do Sul: volatilidade acentuada entre regiões; média estadual de R$ 116,19/sc, com variações positivas em Dourados e Campo Grande.
  • Mato Grosso: colheita avança rapidamente, com 13,88% da área colhida segundo o IMEA; preços entre R$ 101,00 e R$ 108,00/sc conforme o município.

A diferença de preços entre estados evidencia desafios logísticos e de escoamento, sobretudo nas regiões centrais do país, onde o transporte e o frete seguem pressionando margens dos produtores.

Milho: Recuperação em Chicago e Alerta para Ajustes Técnicos no Mercado Interno

O mercado de milho também passou por ajustes na última semana, em um movimento de correção técnica após fortes oscilações. A TF Agroeconômica destaca que o cenário ainda é de baixa liquidez e impasse entre compradores e vendedores, exigindo atenção redobrada dos agentes.

Na Bolsa de Chicago, os preços encerraram a semana em alta, sustentados pela recuperação das exportações norte-americanas. Dados do USDA indicam vendas externas de 4,01 milhões de toneladas entre 9 e 15 de janeiro — o maior volume semanal da safra 2025/26 até agora —, totalizando 56,05 milhões de toneladas exportadas, alta de 33,7% sobre o mesmo período do ano anterior.

O clima seco na Argentina, que reduziu a condição das lavouras, adicionou prêmios climáticos aos preços. Já a valorização do real frente ao dólar limitou a competitividade das exportações brasileiras, contribuindo para o suporte das cotações em Chicago.

No entanto, fatores de baixa persistem: a ausência de liberação da venda de E15 (etanol com 15% de milho) nos EUA limita o consumo do cereal, enquanto a expectativa de safra recorde norte-americana ainda impõe um viés baixista de médio prazo.

Perspectiva do Agronegócio: Cautela e Estratégia Diante de um Cenário de Transição

Com a colheita brasileira ganhando ritmo e a movimentação cambial adicionando volatilidade, o início de 2026 se apresenta como um período de transição para o agronegócio. A atenção dos produtores deve se concentrar na gestão de custos e estratégias de comercialização, especialmente diante das incertezas macroeconômicas e climáticas que seguem ditando o rumo das commodities agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --