Publicado em: 28/09/2015 às 18:10hs
As análises estão no mais recente boletim trimestral do Rabobank.
Os preços internacionais podem ser decrescentes, mas o mercado global permanece firme e a indústria avícola se beneficia da combinação de algumas condições favoráveis, como oferta equilibrada na maioria das regiões, alto preço da carne bovina e baixo custo das matérias-primas para ração. Excetuada a China, a indústria avícola é lucrativa na maior parte do mundo.
Sob esse aspecto, a deterioração das condições econômicas mundiais vem tendo impacto negativo mínimo sobre a indústria avícola, situação reforçada pelo valor do frango frente ao boi e ao suíno. Em alguns mercados (como Brasil, Tailândia, Indonésia, Índia e Rússia) o consumidor vem abandonando a compra de carnes vermelhas, mais caras, e optando pela carne de frango, bem mais acessível. E isso faz com que aumente o consumo per capita do produto.
O único senão nesse (raro) panorama é o desafio global que a indústria avícola enfrenta com a presença da Influenza Aviária na maior parte do mundo. E as exceções, aqui, estão restritas à Austrália e à América do Sul. No momento, porém, o número de casos registrados vem sofrendo redução, o que proporciona à indústria, nas regiões afetadas, algum tempo para buscar a recuperação.
O volume transacionado globalmente no 2º trimestre de 2015 foi de 2,8 milhões de toneladas, praticamente o mesmo volume do ano passado. Mas houve sensíveis mudanças entre os “players”, Brasil e Tailândia, por exemplo, ocupando parte do espaço dos EUA (por conta da IA, mas também pelo fortalecimento do dólar). Nos EUA, o preço da perna esteve sob forte pressão, enquanto na China o preço do pé teve alta acentuada. Considerada a volatilidade presente no comércio internacional, o Rabobank acredita que essas tendências persistam.
As projeções para a segunda metade de 2015 e para 2016 permanecem otimistas. É um ponto de vista que parte da expectativa de que as matérias-primas permaneçam com preços acessíveis, mas que é reforçada pela previsão de que aqueles países que restringiram importações dos EUA (devido à IA) estarão com baixa disponibilidade de reprodutoras – casos, por exemplo, da China e de outros países do sudeste asiático – e que, provavelmente, precisarão recorrer mais à importação da carne de frango. Conforme o Rabobank, a situação mais interessante talvez seja a da China, pois a baixa disponibilidade de reprodutoras de corte estará associada a níveis historicamente baixos na oferta de carne suína.
Apesar, porém, das perspectivas otimistas para o comércio internacional, uma grande incógnita paira sobre a indústria avícola mundial: a possibilidade de disseminação da IA pelas áreas produtoras de frango dos EUA.
Fonte: Avisite
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