Análise de Mercado

Safras recordes de grãos nos EUA preocupam Brasil

O cenário da safra norte-americana, se confirmadas as expectativas de parte do mercado, é preocupante para o produtor brasileiro


Publicado em: 08/08/2016 às 11:20hs

Safras recordes de grãos nos EUA preocupam Brasil

As avaliações são de bons números de produtividade no relatório do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que será divulgado na próxima sexta-feira (12).

As lavouras de soja e de milho têm os melhores desempenhos desde 1994. Com isso, parte do mercado acredita que a produtividade da soja, estimada em 52,3 sacas por hectare, deverá subir para 54 a 54,5 sacas.

Se o Usda realmente apresentar esses números de produtividade, a safra de soja norte-americana irá para o recorde de 110 milhões de toneladas. O recorde anterior tinha sido em 2015/16, quando os produtores norte-americanos colheram 106,9 milhões de toneladas.

Daniele Siqueira, analista da AgRural, não acredita, no entanto, que o Usda vá elevar tanto a produtividade neste início de agosto. Este mês ainda é um período de influências do clima sobre as lavouras.

Já as lavouras de milho estão praticamente definidas, segundo a analista. E, nesse caso, as previsões otimistas de produtividade do mercado poderão ser referendadas pelo Usda.

A produtividade média mais recente do Usda era de 175,7 sacas por hectare. As novas projeções do mercado são de produção de 180 sacas por hectare. Se confirmados esses valores, a produção total do país iria a 378,5 milhões de toneladas, um volume nunca atingido pelos EUA.

O recorde anterior ocorreu em 2014/15, quando a produção de milho foi de 361,1 milhões de toneladas.

MERCADO INTERNO

A pergunta é o quanto o mercado já precificou essa possível alta de produtividade, segundo Siqueira. As quedas de preços da semana já podem ser um sinal dessa atenção que o mercado está dando para esses números.

O mercado brasileiro também reagiu. A queda de preços fez diminuir o ritmo de negociações. Dados da AgRural indicam que as vendas antecipadas da safra de soja de 2016/17 foram a 23% em julho, pouca diferença dos 20% de junho. Já as de milho subiram para 74%, ante 66% em junho.

A queda do dólar e o recuo de preços em Chicago –o que ocorre neste momento– são tudo o que os produtores brasileiros não querem ver.

MERCADO REFLETE QUEDA DE OFERTA DE SUCO NO BRASIL

O mercado internacional refletiu a baixa de suco de laranja do Brasil durante a safra 2016/17. Olhando para os chamados fundamentos do mercado, os operadores da Bolsa de commodities de Nova York imprimiram uma alta de 4,7% nos preços do primeiro contrato de negociações futuras.

Essa alta refletiu a divulgação do CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), na quinta-feira (4), de possível estoque zero de suco em junho do próximo ano. Após atingir 766 mil toneladas em 2013, os estoques caíram para 510 mil em junho de 2016, e para 352 mil no mesmo mês deste ano.

A tonelada de suco de laranja, que valia US$ 1.800 há um ano, está em US$ 2.300 e poderá ficar próxima de US$ 3.000, projetam algumas estimativas.

Mais uma vez, as quedas na safra e no rendimento industrial no Brasil resultarão em produção de apenas 708 mil toneladas de suco na safra 2016/17, uma redução de 18% em relação à anterior.

Fonte: Folha de S. Paulo

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