Safra de grãos 2026/27: custos e crédito ampliam foco no retorno por hectare
Com produção projetada em 366,6 milhões de toneladas, produtores buscam equilibrar investimentos, proteção da produtividade e rentabilidade na próxima temporada
Publicado em: 09/10/2026 às 09:00hs
A rentabilidade da safra de grãos 2026/27 passa pela escolha de onde e como investir em cada hectare. Em um cenário influenciado por custos de produção, condições de crédito e oscilação dos preços agrícolas, o planejamento exige avaliar o benefício de cada decisão de manejo e os riscos envolvidos na redução de despesas.
Segundo a projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentada no levantamento, a produção brasileira poderá alcançar 366,6 milhões de toneladas, avanço de 1,4% sobre a temporada anterior. A área semeada é estimada em 85,3 milhões de hectares, com produtividade média de 4.296 quilos por hectare, abaixo dos 4.335 kg/ha de 2025/26.
A perspectiva de maior produção, portanto, convive com uma redução estimada no rendimento médio. Para o agricultor, esse quadro reforça a necessidade de conectar desempenho agronômico e resultado financeiro.
Produtividade e rentabilidade precisam caminhar juntas
Luiz Gustavo Moreira, gerente executivo de negócios da Ourofino Agrociência, afirma que a preocupação com o retorno dos investimentos está mais presente nas conversas com produtores de diferentes regiões.
A produtividade permanece essencial para diluir custos, mas o volume colhido precisa ser analisado junto aos recursos empregados na lavoura e às condições de comercialização.
“O produtor está olhando cada vez mais para o retorno de cada decisão por hectare e para a eficiência do investimento necessário para produzir mais”, afirma.
Além dos insumos, variáveis como câmbio, liquidez e disponibilidade de financiamento influenciam o orçamento e a capacidade de investimento ao longo do ciclo.
Seleção de tecnologias ganha espaço no planejamento
Na avaliação de Moreira, a pressão econômica tende a tornar o produtor mais criterioso na escolha de tecnologias. Soluções com contribuição clara para enfrentar os problemas da propriedade, preservar a produtividade e reduzir riscos conhecidos continuam relevantes.
Essa análise exige considerar as características de cada área. O histórico dos talhões e os desafios de manejo ajudam a identificar quais investimentos têm maior importância para o resultado da safra.
Segundo o executivo, a disposição para investir permanece quando o agricultor reconhece o valor da ferramenta e sua relação com as necessidades da lavoura.
Economia com insumos exige avaliação dos riscos
Comparar apenas o preço de compra pode levar a decisões que aliviam o orçamento inicial, mas aumentam a exposição a perdas durante a temporada.
Moreira observa que a redução de um gasto precisa ser avaliada também pelo efeito sobre a produtividade e pela possibilidade de limitar alternativas de manejo.
“Uma economia feita no início da safra pode parecer positiva no orçamento, mas pode custar muito mais se resultar em perda de produtividade ou limitar as opções de manejo durante o ciclo”, destaca.
O ponto central, segundo ele, é compreender quanto se economiza e qual risco adicional a decisão representa para o resultado por hectare.
Volatilidade aproxima decisões do início do plantio
Outro comportamento identificado pelo executivo é o adiamento de parte das definições do planejamento. Diante das oscilações econômicas e das incertezas agronômicas, alguns produtores buscam maior visibilidade do cenário antes de comprometer recursos.
Essa estratégia aumenta a importância de conhecer previamente as necessidades da propriedade, antecipar os principais riscos e estabelecer prioridades de investimento.
Para Moreira, a safra 2026/27 exigirá disciplina na distribuição dos recursos, com atenção às medidas capazes de sustentar a produtividade e proteger a margem da atividade.
A Ourofino Agrociência avalia que esse ambiente também exige maior proximidade da indústria com os agricultores. Segundo a companhia, compreender as condições agronômicas e econômicas de cada região ajuda a direcionar o desenvolvimento de soluções para a agricultura tropical e a identificar sua contribuição para o retorno sobre o investimento.
Fonte: Portal do Agronegócio
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