Safra 2026/27: instabilidade climática reduz janelas de pulverização e exige planejamento
Chuvas e influência do El Niño ampliam a atenção às condições de manejo; drones agrícolas podem facilitar aplicações quando a umidade limita o acesso de máquinas terrestres
Publicado em: 02/10/2026 às 09:00hs
A instabilidade climática aumenta a preocupação com as operações agrícolas na safra 2026/27. Além do volume de chuva, a distribuição das precipitações pode reduzir o tempo disponível para pulverizações e outros manejos, exigindo maior planejamento dos produtores para aproveitar os períodos favoráveis de trabalho.
As chuvas recentes em diferentes regiões brasileiras ocorrem em um cenário de influência do El Niño sobre o regime de precipitações. Conforme o boletim de setembro do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) citado no levantamento, a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre de setembro a novembro supera 90%.
Os efeitos, porém, variam conforme a região. O cenário aponta possibilidade de precipitações acima da média em áreas do Sul e de volumes inferiores à média em partes do centro-norte do Brasil.
Distribuição das chuvas interfere no momento das aplicações
Para o manejo agrícola, a quantidade de dias com condições adequadas de operação pode ser tão relevante quanto o total de chuva acumulado. Sequências de precipitações e mudanças rápidas no tempo dificultam o acesso às lavouras e podem encurtar as janelas de aplicação.
Segundo Victor Gomes Silva, engenheiro agrônomo e supervisor de pós-venda da Fotus Agro, o momento da pulverização precisa considerar o estágio de desenvolvimento da cultura, o objetivo do manejo e as condições ambientais.
Quando essas janelas ficam menores, a capacidade de mobilizar equipamentos e equipes ganha importância para executar a operação no período tecnicamente indicado.
Embora episódios isolados de chuva não possam ser atribuídos diretamente ao El Niño, o fenômeno modifica padrões atmosféricos em larga escala e pode alterar a frequência e a distribuição das precipitações durante a temporada.
Drones agrícolas oferecem alternativa em solos muito úmidos
O excesso de umidade pode limitar ou impedir temporariamente a entrada de pulverizadores terrestres. Nessas situações, os drones agrícolas oferecem uma alternativa para determinadas aplicações, pois dispensam o deslocamento dessas máquinas pela área cultivada.
De acordo com Silva, essa característica amplia a flexibilidade operacional após períodos chuvosos, quando a trafegabilidade do solo está comprometida.
Os equipamentos também podem ser mobilizados para atender pontos específicos da propriedade, reduzindo, em determinadas operações, a necessidade de deslocar estruturas maiores.
A possibilidade de acesso aéreo, entretanto, não garante condições adequadas de pulverização. Chuva, vento e umidade precisam ser avaliados antes de qualquer aplicação, inclusive quando realizada com drones.
Monitoramento local orienta decisões no campo
Diante da variabilidade climática, o acompanhamento das previsões deve combinar informações de médio prazo com as condições observadas na região e na própria propriedade.
A avaliação da lavoura, o planejamento agronômico e a disponibilidade de diferentes equipamentos ajudam o produtor a responder quando surge uma oportunidade de manejo. Para Silva, a adaptação depende da combinação desses recursos, sem uma estratégia única capaz de atender a todas as situações.
A eficiência da pulverização também exige atenção às características do produto, à cultura, ao estágio de desenvolvimento das plantas e aos parâmetros da operação.
Nesse contexto, os drones integram o conjunto de ferramentas disponíveis para o agricultor. Seu uso pode ampliar as possibilidades de manejo, desde que a decisão seja orientada por critérios técnicos e pelas condições meteorológicas de cada aplicação.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias