Publicado em: 12/01/2024 às 18:00hs
Entre 2003 e 2006, quando esteve à frente da pasta, o Brasil e o mundo atravessaram pelo “boom das commodities”, quando o preço dos principais ativos agrícolas dispararam no mercado internacional.
O Agro Times conversou com o antigo ministro, que falou sobre o primeiro ano do atual chefe da pasta, Carlos Fávaro, assim como o que ele vê como prioridade para 2024 no setor.
Para Rodrigues, Carlos Fávaro tem atuado como um bom ministro da Agricultura. “Como produtor e líder rural que ele é, conhece profundamente as demandas do setor e trabalhou firme para supri-las. Ele cuidou bem da área internacional e costurou importantes acordos, além de ter criado mais adidos agrícolas para ampliar nossa participação externa”, diz.
Segundo ele, Fávaro deu maior atenção para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e esteve próximo às entidades do agro.
“No entanto, ele teve dificuldades institucionais no começo porque a pasta havia sido ‘fatiada’, perdendo para outros ministérios muitos setores relevantes, nem sempre convergentes com a agricultura, conseguindo nomear seu secretário de política agrícola em dezembro, com quase 12 meses de governo, sendo que essa é uma peça fundamental para a pasta”, discorre.
Quanto ao seguro rural, Rodrigues ressalta que Fávaro lutou por mais valores, percebendo que o El Niño traria prejuízos para a safra brasileira.
“Infelizmente, a área econômica do governo de forma equivocada não percebeu essa importância e forneceu recursos insuficientes, que acabaram em setembro de 2023 pela alta demanda dos produtores rurais. Porém, os vetos ao marco temporal e aos defensivos agrícolas também foram perdas ao ministério, já que os mesmos não ajudaram a agricultura”, analisa.
Em relação ao Plano Safra, Rodrigues acredita que foi um bom programa, com recursos significativos e uma visão relevante quanto à sustentabilidade.
Na visão do ex-ministro, os desafios para o ano ficam por conta dos impactos do El Niño e as oscilações nos preços das commodities agrícolas.
“Para 2024, mas também para 2025 e 2026, é necessária uma estratégia consistente que permita que o país tenha um papel de protagonismo naqueles que são os quatro cavaleiros modernos do apocalipse: segurança alimentar, segurança energética, mudanças climáticas e desigualdade social. Estes temas assolam os cidadãos do mundo inteiro e o Brasil tem uma capacidade para ajudar nessas questões a partir de acordos comerciais e tecnológicos, para desenvolvermos ainda mais a sustentabilidade e o cooperativismo, criando uma política de renda ao campo, que não existe”, completa.
Por fim, Rodrigues ressalta que a pauta da logística tem sido deixada de lado há muito tempo no Brasil. “É um setor que necessita muito de Parceria Público-Privada (PPP), só que o setor privado só fará parcerias com o governo se sentir segurança jurídica e retornos plausíveis com os investimentos a serem realizados, que exigem reformas que ainda não foram implementadas pelo governo, mas o tema da logística precisa ser resolvido com urgência”, finaliza.
Fonte: Money Times
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