Análise de Mercado

Redução de área cultivada no Rio Grande do Sul redefine cenário de oferta do arroz no país

Safra 2026 do arroz enfrenta retração na área plantada, mercado travado e alta cautela entre produtores gaúchos diante de custos elevados e menor disponibilidade hídrica


Publicado em: 13/02/2026 às 19:00hs

Redução de área cultivada no Rio Grande do Sul redefine cenário de oferta do arroz no país
Foto: Paulo Rossi
Mercado de arroz mantém baixa liquidez e negociações cautelosas

O mercado de arroz em casca segue operando com baixa fluidez e negociações lentas, em meio à cautela crescente dos produtores. A colheita, que começou de forma pontual no Rio Grande do Sul, reforça um ambiente de incertezas no curto prazo.

De acordo com o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a postura defensiva dos produtores reflete a ausência de estímulos imediatos e a percepção de que o momento ainda não oferece segurança para avanço consistente das vendas.

“A formação de preços segue rígida, com foco em gestão de risco e preservação de margem. O mercado aguarda maior clareza sobre a oferta e o comportamento da demanda no período pós-Carnaval”, explica o analista.

Ajuste na área plantada reforça expectativa de oferta mais enxuta

O Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA) revisou a área cultivada no estado de 920,1 mil para 891,9 mil hectares, uma redução de 8,06% em relação à safra anterior. Essa retração foi observada em todas as seis regiões arrozeiras, com variações entre –4% e –11%, conforme dados já previstos pela Safras & Mercado.

Segundo Oliveira, a diminuição da área plantada pode redesenhar o equilíbrio de oferta no médio prazo, abrindo espaço para maior volatilidade de preços conforme o mercado assimile os impactos sobre a disponibilidade regional.

“O cenário aponta para uma oferta mais ajustada, o que pode alterar o comportamento de preços após o Carnaval”, destaca.

Custos e crédito limitam investimento e forçam postura conservadora

O recuo na área plantada é atribuído principalmente às restrições de crédito e ao alto custo de produção, fatores que levaram os produtores a reduzir investimentos e adotar uma estratégia mais conservadora nesta safra.

Mesmo com essas limitações, o desenvolvimento das lavouras é considerado satisfatório, apoiado por manejo intensivo de irrigação, adubação nitrogenada e controle de invasoras. No entanto, a preocupação com a disponibilidade de água aumenta, diante da queda no nível de reservatórios e rios, o que pode afetar o desempenho das lavouras na fase final do ciclo.

Expectativa é de maior volatilidade após o Carnaval

Para Oliveira, a combinação entre mercado travado no curto prazo e ajustes estruturais de área tanto no Brasil quanto no Paraguai tende a gerar maior volatilidade nas cotações nas próximas semanas.

“À medida que o mercado precifique com mais clareza os riscos e limitações da oferta regional, podemos observar movimentos mais intensos de preços”, avalia o consultor.

Preços apresentam leve alta semanal no Rio Grande do Sul

Na quinta-feira (12), a saca de 50 quilos do arroz (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi cotada a R$ 54,69 no Rio Grande do Sul, alta de 2,26% em relação à semana anterior.

Na comparação mensal, o avanço foi de 4,42%, mas frente ao mesmo período de 2025, o cereal ainda acumula queda expressiva de 44,32% — reflexo do recuo das cotações internacionais e da recomposição de oferta observada no início do ciclo atual.

Fonte: Portal do Agronegócio

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