Publicado em: 26/02/2026 às 18:00hs
A proposta de redução da jornada de trabalho do regime 6×1, que diminuiria a carga semanal de 44 para 36 horas, poderá representar um impacto anual de R$ 4,1 bilhões para o agronegócio do Paraná, segundo estudo elaborado pelo Sistema FAEP.
O levantamento, realizado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) da entidade, analisou os efeitos da mudança sobre os custos de produção e a estrutura de mão de obra das principais cadeias produtivas do Estado.
Atualmente, o setor conta com 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões, incluindo encargos como FGTS, INSS patronal, férias e 13º salário. Com a redução da jornada, será necessário repor 16,6% da força de trabalho para evitar o chamado “vácuo operacional” — o que implicaria em 107 mil novas contratações ou no pagamento de horas extras.
Segundo o presidente da FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o aumento dos custos trabalhistas traria pressão direta sobre a rentabilidade do produtor rural, que já enfrenta altos custos de produção, juros elevados e endividamento devido às condições climáticas.
“Um acréscimo de R$ 4,1 bilhões na folha de pagamento gera insegurança e dificulta o planejamento das atividades no meio rural”, afirma Meneguette.
“A medida pode elevar os preços de produtos e serviços, aumentar a inflação e incentivar a informalidade e a precarização do trabalho”, complementa.
O estudo aponta que os efeitos da mudança seriam diferentes entre os segmentos do agro paranaense:
Meneguette ressalta que o Brasil já enfrenta desafios estruturais, como deficiências logísticas, carga tributária elevada, burocracia e baixa qualificação da mão de obra.
“Reduzir a jornada sem resolver esses problemas crônicos é tirar ainda mais competitividade do país no cenário global”, adverte o presidente da FAEP.
Ele defende que o debate seja conduzido de forma técnica e com participação do setor produtivo, e não baseado em decisões políticas ou eleitoreiras, que podem gerar “diversos desdobramentos negativos para toda a sociedade”.
Fonte: Portal do Agronegócio
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