Análise de Mercado

Recuperação de commodities garante superávit recorde no mês

Manufaturados - Os produtos manufaturados, por sua vez, devem seguir "em um cenário nebuloso" nos próximos meses, de acordo com ele


Publicado em: 05/05/2016 às 19:40hs

Recuperação de commodities garante superávit recorde no mês

A recuperação dos preços do minério de ferro e do petróleo e um grande embarque de soja para a China foram os fatores que mais contribuíram para o superávit comercial de US$ 4,861 bilhões de abril, recorde para o mês, segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil.

Manufaturados - Os produtos manufaturados, por sua vez, devem seguir "em um cenário nebuloso" nos próximos meses, de acordo com ele. Para o ano está mantida a previsão de um resultado positivo de US$ 45 bilhões ou até mais.

Soja - Castro aponta que no mês passado 10 milhões de toneladas de soja foram embarcadas para a China, contra 6,5 milhões em abril de 2015. A receita com a venda desse produto cresceu 42,8% na comparação entre os quatro primeiros meses deste ano e igual período de 2015.

Minério de ferro- O minério de ferro também colaborou para o resultado, já que o seu preço vem "surpreendentemente" subindo, segundo ele, apesar de ainda estar em patamar inferior ao que estava no ano passado. Em março, o preço médio de exportação foi de US$ 25,6 por tonelada e no mês passado ficou em US$ 33,1 por tonelada. O petróleo bruto passou por alta semelhante, de US$ 168,7 por tonelada para US$ 198,6 no mesmo período.

Pauta - "Os três itens principais da nossa pauta de exportação cresceram, em função de fatores que não são mérito do Brasil. Mas o que interessa para nós é o aumento", diz. Em 12 meses até abril, as exportações de produtos básicos cresceram 2,5%.

Exemplo - Os dados do comércio com a China são um bom exemplo do crescimento das exportações brasileiras de commodities, segundo ele. No acumulado dos quatro primeiros meses, o Brasil saiu de déficit de US$ 1,946 bilhão em 2015 para superávit de US$ 4,550 bilhões neste ano.

Queda- Já a venda dos produtos manufaturados teve queda de 1,3% na comparação com abril de 2015 e seguem sem previsão de melhora enquanto "o Brasil não tiver preço competitivo". Por um lado, as vendas para a Argentina, um dos dois grandes destinos dos manufaturados brasileiros, cresceram 4,3% na comparação com abril do ano passado. Por outro, as exportações para os Estados Unidos, para quem o Brasil vende autopeças, material de construção, aviões e calçados, entre outros, caíram 15,9%.

Crescimento - "Todo mundo, inclusive eu, esperava crescimento das exportações para os EUA neste ano", afirma. Ele culpa a recuperação "tímida" da economia americana pelo revés. O real valorizado pode contribuir para manter as exportações de manufaturados em níveis baixos no curto prazo.

Perda de rentabilidade- "Para seguir vendendo, as empresas vão precisar manter os preços, mas o câmbio valorizado causa perda de rentabilidade", diz.

Superávit - De qualquer maneira, puxada basicamente pelo trio de commodities ­ soja, minério de ferro e petróleo ­, a balança deve manter os superávits até o fim do ano. Para maio, Castro espera saldo de cerca de US$ 5 bilhões. "Maio é um mês forte de embarque de soja, e os preços do minério de ferro e do petróleo devem continuar subindo", afirma.

Otimismo - Para o ano, ele mantém a projeção de superávit de US$ 45 bilhões, mas não descarta resultado ainda mais positivo. "Vai depender do tempo que o minério de ferro e o petróleo mantiverem esses preços mais elevados. As quantidades serão mais ou menos estáveis. Mas se os preços ficarem nesse patamar durante o segundo semestre, ou parte dele, poderemos chegar a US$ 50 bilhões."

Fonte: Portal Paraná Cooperativo

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