Rebanho bovino do Brasil cai para 234,3 milhões de cabeças; leite e ovos batem recordes
Pesquisa do IBGE aponta segunda queda consecutiva no número de bovinos em 2025, enquanto produção leiteira, avicultura e aquicultura avançam e ampliam o valor dos produtos pesquisados
Publicado em: 05/10/2026 às 10:30hs
O rebanho bovino brasileiro encerrou 2025 com 234,3 milhões de cabeças, redução de 1,7% em relação ao ano anterior e o menor efetivo desde 2022. Foi a segunda queda anual consecutiva, em um cenário de aumento dos abates nos últimos quatro anos, especialmente de fêmeas.
Ao mesmo tempo, outras atividades pecuárias registraram expansão. A produção de leite, ovos, mel e camarão alcançou recordes, assim como os efetivos de galináceos, caprinos e ovinos.
Os dados fazem parte da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 30 de setembro. O valor da produção dos produtos de origem animal e da aquicultura abrangidos pelo levantamento atingiu R$ 141,2 bilhões, crescimento de 6,2% sobre 2024.
Nordeste é a única região com crescimento do rebanho bovino
O Centro-Oeste manteve a maior concentração de bovinos do país, com 72,2 milhões de cabeças, equivalentes a 30,8% do total nacional. Entretanto, o efetivo regional recuou 3,7%, acumulando a terceira queda anual seguida.
O Norte registrou redução de 1,8%, para 63,4 milhões de animais. No Sudeste, o rebanho diminuiu 1,0%, chegando a 37,3 milhões de cabeças, enquanto o Sul apresentou retração de 1,7%, para 24,1 milhões. As duas regiões também tiveram o terceiro recuo consecutivo.
O Nordeste foi a única região com aumento, de 2,2%, alcançando 37,3 milhões de bovinos.
Entre os municípios, São Félix do Xingu (PA) permaneceu na liderança, com 2,7 milhões de cabeças e participação de 1,2% no rebanho brasileiro. Na sequência ficaram Corumbá (MS), com 2,2 milhões; Porto Velho (RO), com 1,7 milhão; Cáceres (MT), com 1,4 milhão; e Marabá (PA), com 1,3 milhão.
Leite e ovos concentram o valor da produção pesquisada
Os produtos de origem animal somaram R$ 128,0 bilhões em 2025, avanço de 5,6%. A aquicultura respondeu por outros R$ 13,2 bilhões, com crescimento de 12,5%.
O leite de vaca teve a maior participação no resultado: R$ 89,5 bilhões, ou 63,4% do valor total. Os ovos de galinha vieram em seguida, com R$ 36,4 bilhões e participação de 25,8%. O mel alcançou R$ 1,2 bilhão, equivalente a 0,9%.
Esses valores correspondem aos produtos investigados pela PPM, que também acompanha os principais rebanhos e atividades como piscicultura, carcinicultura e criação de moluscos.
Produção de leite cresce mesmo com menos vacas ordenhadas
A produção brasileira de leite aumentou 2,7% em 2025 e alcançou o recorde de 36,7 bilhões de litros. Foi o terceiro ano consecutivo de crescimento.
O avanço ocorreu apesar da redução de 2,7% no número de vacas ordenhadas. O efetivo ficou em 14,7 milhões de animais, a menor quantidade desde 1979 na série histórica iniciada em 1974.
Com isso, a produtividade média chegou a 2.498,7 litros por vaca ao ano, alta de 5,6% e novo recorde. O resultado refletiu condições climáticas favoráveis, investimentos em genética e manejo e a reorganização da base produtiva.
Castro (PR) manteve a liderança municipal, com 532,8 milhões de litros, aumento de 10,0% sobre 2024. Carambeí (PR) ocupou a segunda posição, com 306,8 milhões, seguida de Patos de Minas (MG), com 249,2 milhões.
Sul reassume liderança na produção leiteira
A região Sul produziu 12,5 bilhões de litros, crescimento de 4,4%, e reassumiu a primeira posição nacional. Sua participação chegou a 34,0%.
O Sudeste respondeu por 12,3 bilhões de litros, ou 33,5% do total, com avanço de 2,3%. O Nordeste produziu 6,6 bilhões, aumento de 2,7%, mantendo a terceira colocação.
No Centro-Oeste, a produção recuou 1,0%, para 3,6 bilhões de litros. O Norte registrou crescimento de 1,4%, alcançando 1,7 bilhão.
Avicultura registra recordes no plantel e na produção de ovos
O efetivo de galináceos, que inclui galinhas e frangos de corte, atingiu 1,6 bilhão de cabeças em 2025, alta de 1,6%. Desse total, 293,3 milhões eram galinhas destinadas à produção de ovos, aumento de 5,8%. Ambos os efetivos alcançaram recordes.
O Sul concentrou 48,1% dos galináceos do país, com 772,9 milhões de animais. Já o Sudeste liderou no número de galinhas, com 104,3 milhões, equivalentes a 35,6% do total nacional.
Santa Maria de Jetibá (ES) permaneceu como principal município nos dois indicadores, com 18,4 milhões de galináceos, dos quais 15,1 milhões eram galinhas.
A produção de ovos também atingiu seu maior volume: 5,7 bilhões de dúzias. Com preço médio estimado em R$ 6,34 por dúzia, o valor da produção cresceu 13,9%, para R$ 36,4 bilhões.
O Sudeste respondeu por 39,3% da produção nacional de ovos, seguido pelo Sul, com 22,5%, e pelo Nordeste, com 20,0%. Santa Maria de Jetibá liderou o ranking municipal, à frente de Bastos (SP), São Bento do Una (PE), Primavera do Leste (MT) e Santo Antônio do Monte (MG).
Caprinos e ovinos avançam; rebanho suíno permanece estável
O Brasil contabilizou 13,5 milhões de caprinos em 2025, crescimento de 1,2%, e 22,3 milhões de ovinos, alta de 1,6%. Os dois resultados foram recordes da pesquisa.
O Nordeste concentrou 96,6% dos caprinos e 75,8% dos ovinos brasileiros. Casa Nova (BA) liderou os efetivos municipais das duas espécies.
O Sul manteve participação de 15,6% no rebanho ovino. O Rio Grande do Sul respondeu por 94,8% da produção nacional de lã, que recuou 10,7% no ano.
Na suinocultura, o efetivo ficou estável em 44,0 milhões de animais, assim como o número de fêmeas reprodutoras, próximo de 5,0 milhões.
Toledo (PR) manteve a liderança municipal, com 935,0 mil suínos. Uberlândia (MG), com 588,0 mil, e Concórdia (SC), com 519,4 mil, ocuparam as posições seguintes.
Produção de mel alcança oitavo recorde anual consecutivo
A produção brasileira de mel cresceu 4,5% e chegou a 71,3 mil toneladas em 2025. Foi o oitavo recorde anual consecutivo, em uma trajetória de expansão dos maiores volumes registrados desde 2018.
O Sul voltou à liderança regional após crescimento de 18,8%, respondendo por 37,1% da produção. O Nordeste apresentou participação praticamente igual, embora com volume ligeiramente inferior.
Rio Grande do Sul e Paraná tiveram destaque, com 15,3% e 15,0% da produção brasileira, respectivamente.
Entre os municípios, Santa Luzia do Paruá (MA) ocupou o primeiro lugar, seguida de Arapoti (PR), Boa Esperança do Sul (SP), São Raimundo Nonato (PI) e Ortigueira (PR).
Camarão bate recorde e produção de peixes cresce 7,1%
A produção de camarão alcançou 172,4 mil toneladas, aumento de 18,2% em relação a 2024. O valor produzido avançou 19,4%, para R$ 3,6 bilhões.
O Nordeste concentrou 99,7% da produção nacional, com destaque para Ceará, responsável por 53,3%, e Rio Grande do Norte, com 22,0%.
Aracati (CE) foi o maior produtor municipal, com 21,3 mil toneladas, seguido de Jaguaruana (CE), com 12,0 mil, e Pendências (RN), com 8,9 mil.
Na piscicultura, o volume cresceu 7,1%, chegando a 783,0 mil toneladas. O valor da produção atingiu R$ 8,5 bilhões, alta de 9,6%.
Morada Nova de Minas (MG) liderou a produção municipal de peixes, com 32,4 mil toneladas. Nova Aurora (PR) e Palotina (PR) ocuparam a segunda e a terceira posições.
Tilápia representa 68,2% dos peixes produzidos
A produção de tilápia aumentou 5,4%, alcançando 533,7 mil toneladas e participação de 68,2% no volume nacional de peixes.
O Paraná respondeu por 39,2% da produção brasileira da espécie, com 209,3 mil toneladas. São Paulo produziu 68,4 mil toneladas, enquanto Minas Gerais registrou 62,3 mil.
Santa Catarina concentra produção de ostras, vieiras e mexilhões
A criação de ostras, vieiras e mexilhões somou 9,9 mil toneladas em 2025, avanço de 3,3%. O valor da produção cresceu 12,5%, para R$ 135,2 milhões.
A região Sul concentrou 90,0% do volume nacional, e Santa Catarina respondeu, sozinha, por 88,1%.
Palhoça liderou entre os municípios, com 3,3 mil toneladas, seguida de Florianópolis, com 2,1 mil. Bombinhas, Penha, Governador Celso Ramos e São José também estiveram entre os principais produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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