Publicado em: 30/03/2026 às 20:00hs
O Rabobank divulgou a edição do AgroInfo Q1 2026, relatório trimestral que traz uma análise detalhada do cenário global e brasileiro para o agronegócio, com destaque para o mercado de insumos agrícolas, câmbio, clima e principais commodities.
O documento aponta que o atual contexto geopolítico, especialmente o conflito no Oriente Médio, tem sido determinante para a alta dos custos de produção e para o aumento da volatilidade nos mercados.
Um dos principais destaques do relatório é a disparada nos preços dos fertilizantes, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio.
Segundo o banco, os preços já vinham em trajetória de alta no início de 2026, mas o conflito intensificou esse movimento, especialmente no caso da ureia, que acumulou forte valorização nas últimas semanas.
Além disso, o fósforo também começa a refletir os impactos do cenário internacional, com preços atingindo níveis elevados no mercado global.
Diante desse cenário, a expectativa é de redução na demanda por fertilizantes no Brasil, em função do aperto nas margens dos produtores.
O aumento do preço do diesel, também relacionado ao conflito, tem impacto direto sobre o custo do frete, pressionando ainda mais a rentabilidade no campo.
Esse fator já é percebido no mercado de grãos, como a soja, onde mesmo com preços internacionais firmes, o valor recebido pelo produtor brasileiro tem sido reduzido.
O relatório destaca que o bloqueio de rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, tem afetado o fluxo global de petróleo, gás natural e fertilizantes.
Esse cenário elevou os preços de energia e aumentou os riscos inflacionários em diversas economias, além de gerar incertezas sobre o crescimento global.
No Brasil, os efeitos já são sentidos com a alta de insumos como ureia e combustíveis.
Outro ponto de atenção é o clima. O Rabobank projeta a possibilidade de formação de um fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026.
Nos últimos meses, chuvas acima da média afetaram a colheita da soja e o plantio do milho safrinha, enquanto beneficiaram culturas como cana-de-açúcar e pastagens.
O relatório também aponta diferentes tendências para as principais commodities:
O Rabobank projeta o dólar em torno de R$ 5,55 ao final de 2026, refletindo o ambiente de incertezas globais e fatores internos, como questões fiscais e eleitorais.
Apesar disso, o diferencial de juros ainda elevado pode ajudar a limitar a desvalorização do real.
De forma geral, o relatório indica que o agronegócio brasileiro pode ter que lidar com custos mais elevados na próxima safra, tanto na produção quanto na logística.
A combinação de insumos mais caros, incertezas climáticas e cenário geopolítico instável deve continuar influenciando decisões de investimento e estratégias dos produtores ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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