Análise de Mercado

Rabobank aponta impactos da geopolítica no mercado de cana, açúcar e etanol no AgroInfo Q1 2026

Relatório destaca influência da guerra no Oriente Médio sobre preços e margens do setor sucroenergético


Publicado em: 31/03/2026 às 17:00hs

Rabobank aponta impactos da geopolítica no mercado de cana, açúcar e etanol no AgroInfo Q1 2026

O Rabobank divulgou a nova edição do relatório trimestral AgroInfo Q1 2026, trazendo uma análise detalhada sobre o cenário atual do agronegócio, com destaque para os mercados de cana-de-açúcar, açúcar e etanol. O estudo aponta que as tensões geopolíticas no Oriente Médio têm provocado mudanças relevantes na dinâmica de preços e nas expectativas para o setor sucroenergético.

Conflito no Oriente Médio impulsiona preços e gera incertezas

De acordo com o relatório, o conflito envolvendo países do Oriente Médio “chacoalhou o tabuleiro” do mercado global, especialmente devido ao impacto direto sobre o petróleo e insumos estratégicos.

A elevação dos preços da energia influenciou diretamente o açúcar negociado em Nova York, que registrou alta recente, impulsionado tanto pelo petróleo quanto por movimentos de fundos no mercado financeiro.

Apesar disso, o banco alerta que o cenário ainda é incerto. O fechamento do Estreito de Ormuz pode reduzir a demanda de importantes importadores da região, afetando o fluxo global da commodity.

Gasolina no Brasil será determinante para o etanol

Um dos principais pontos de atenção destacados pelo Rabobank é o comportamento do preço da gasolina no Brasil, fator decisivo para o desempenho do etanol.

Segundo o relatório, aumentos no preço da gasolina tendem a valorizar o etanol, tornando-o mais competitivo e influenciando diretamente o mix de produção das usinas entre açúcar e biocombustível.

Além disso, medidas como o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina podem reforçar essa tendência, reduzindo a oferta de etanol hidratado no mercado.

Custos de produção sob pressão com alta de diesel e fertilizantes

O relatório também destaca que os custos de produção seguem como um dos principais desafios para o setor em 2026/27.

A alta do diesel e dos fertilizantes, especialmente a ureia, tem pressionado as margens dos produtores. O conflito no Oriente Médio agravou esse cenário, elevando significativamente os preços desses insumos.

Esse ambiente pode impactar tanto a produção no campo quanto os custos logísticos, reduzindo a rentabilidade do setor.

Início da safra dependerá das condições climáticas

Outro fator relevante para o setor é o clima. O Rabobank destaca que as chuvas no fim de março e início de abril serão decisivas para o início da safra de cana-de-açúcar.

Um período mais seco pode antecipar a moagem, enquanto irregularidades climáticas podem afetar o desenvolvimento da cultura e a produtividade.

Perspectivas: mercado volátil e dependente da geopolítica

O Rabobank conclui que o setor sucroenergético deve enfrentar um ambiente de elevada volatilidade ao longo de 2026, com forte dependência de fatores externos.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • evolução do conflito no Oriente Médio;
  • comportamento dos preços do petróleo;
  • política de preços de combustíveis no Brasil;
  • custos de insumos e logística.

Diante desse cenário, produtores e usinas deverão manter atenção redobrada, já que decisões estratégicas poderão ser determinantes para a rentabilidade no próximo ciclo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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