Análise de Mercado

Produtividade da soja no Rio Grande do Sul fica abaixo da média nacional e mercado de biodiesel ganha destaque

Debate no Fórum Nacional da Soja aponta desafios climáticos, custos de produção e novas oportunidades de demanda para o grão no Brasil


Publicado em: 10/03/2026 às 16:35hs

Produtividade da soja no Rio Grande do Sul fica abaixo da média nacional e mercado de biodiesel ganha destaque
Foto: Nestor Tipa Júnior

A produtividade da soja no Rio Grande do Sul tem apresentado desempenho inferior à média observada em outros estados brasileiros nos últimos anos. A avaliação foi apresentada durante o 36º Fórum Nacional da Soja, realizado dentro da programação da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

O encontro reuniu especialistas, representantes de cooperativas e agentes do mercado para discutir os desafios da produção, a competitividade do agronegócio e as perspectivas para as cadeias da soja e do milho no Brasil.

Produtividade da soja no RS enfrenta desafios recentes

Durante o evento, o especialista em inteligência de mercado para o agronegócio Marcos Rubin, fundador da Veeries, destacou que a produtividade da soja no Rio Grande do Sul tem ficado abaixo da média nacional, especialmente ao longo dos últimos cinco anos.

Segundo ele, as condições climáticas têm sido um dos principais fatores responsáveis por esse desempenho inferior. Além disso, o cenário econômico também impacta a capacidade de investimento nas lavouras.

De acordo com Rubin, produtores enfrentam maior dificuldade para ampliar investimentos em tecnologia e manejo nas últimas safras, o que pode influenciar diretamente nos resultados produtivos.

Biodiesel pode ampliar demanda por soja no Brasil

Outro ponto destacado durante a apresentação foi o potencial do mercado de biocombustíveis como nova frente de crescimento para a soja brasileira.

Segundo Rubin, a produção de biodiesel pode se tornar um dos principais motores de expansão da demanda pelo grão no país. O especialista apontou que o mercado interno brasileiro possui grande potencial de consumo de biocombustíveis.

Na avaliação dele, o avanço da política de biocombustíveis pode fortalecer a cadeia da soja nos próximos anos, ampliando o uso do grão para produção energética.

Produção brasileira cresce no cenário internacional

O especialista também apresentou comparações sobre a evolução da produção de soja no cenário global. De acordo com os dados apresentados no fórum, o Brasil ampliou significativamente sua produção nos últimos dez anos, superando o ritmo de crescimento observado nos Estados Unidos.

Apesar das perspectivas positivas no médio prazo, Rubin destacou que ainda existem fatores de incerteza no ambiente internacional que podem influenciar o mercado agrícola.

Entre eles, estão as tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e o Irã, que podem afetar cadeias globais de suprimentos, especialmente no mercado de fertilizantes.

Alta nos fertilizantes preocupa produtores

Outro ponto de atenção citado durante o debate foi o aumento recente nos preços dos fertilizantes. A instabilidade geopolítica pode impactar a oferta global desses insumos, elevando custos de produção agrícola.

Esse cenário preocupa produtores, já que os fertilizantes são fundamentais para manter níveis elevados de produtividade nas lavouras.

Infraestrutura e logística são desafios para o agronegócio

Além das discussões sobre produção e mercado, o fórum também abordou temas relacionados à infraestrutura logística do agronegócio brasileiro.

Durante a palestra sobre o novo ciclo estratégico do terminal portuário Termasa, o vice-presidente da Cooperativa Central Gaúcha Ltda., Guillermo Dawson Jr., destacou a importância da logística integrada para garantir competitividade no comércio internacional de grãos.

Segundo ele, desafios como clima, custos e disputas comerciais fazem parte do contexto global da soja, tornando essencial a existência de estruturas logísticas eficientes para escoar a produção.

Terminal graneleiro de Rio Grande passa por reconstrução

Dawson também apresentou a trajetória dos terminais Termasa-Tergrasa, localizados no Porto de Rio Grande.

O empreendimento foi criado no final da década de 1960 por cooperativistas que buscavam alternativas para melhorar o escoamento da produção agrícola. Em 1972, o local tornou-se o primeiro terminal graneleiro do país.

Atualmente, o terminal Termasa passa por um processo de reconstrução após um acidente envolvendo um navio. As obras envolvem investimento estimado em R$ 600 milhões e devem ser concluídas até outubro de 2026.

Fórum Nacional da Soja reúne lideranças do agronegócio

Na abertura do evento, o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul, Paulo Pires, ressaltou a importância do fórum como espaço de diálogo entre diferentes segmentos do agronegócio.

Segundo ele, o encontro promove a troca de informações entre cooperativas, empresas e representantes do sistema financeiro, contribuindo para a construção de soluções para os desafios do setor.

O 36º Fórum Nacional da Soja foi promovido pela FecoAgro/RS, pela Cotrijal e pela CCGL, com apoio do Sistema Ocergs-Sescoop/RS.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --