Produção agroindustrial cai 2,9% em julho, mas avanço mensal sinaliza possível reação
Índice da FGV Agro mostra retração anual em alimentos, insumos e produtos têxteis; na comparação com junho, setor cresceu 0,4%, com ajuste sazonal
Publicado em: 22/09/2026 às 11:00hs
A produção agroindustrial brasileira recuou 2,9% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pela FGV Agro com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A queda atingiu os dois principais segmentos analisados. A produção de Alimentos e Bebidas diminuiu 1,6%, enquanto a de Produtos Não Alimentícios recuou 4,5%.
O desempenho acompanha a desaceleração da economia brasileira. No segundo trimestre, a indústria de transformação registrou retração de 0,9%, em um ambiente marcado por juros elevados e perda de força do consumo das famílias.
Apesar do resultado negativo na comparação anual, a agroindústria apresentou crescimento de 0,4% entre junho e julho, após os ajustes sazonais. A melhora mensal foi observada nos grandes segmentos e pode indicar uma reação, embora a confirmação dessa tendência dependa dos próximos levantamentos.
Produção de alimentos recua, enquanto bebidas avançam 5%
A retração de 1,6% em Alimentos e Bebidas foi provocada pelo desempenho dos Produtos Alimentícios, cuja produção caiu 2,6% em relação a julho de 2025.
Entre os alimentos de origem vegetal, a redução chegou a 3,8%, pressionada principalmente pela menor fabricação de produtos derivados da moagem de trigo e de açúcar refinado.
O resultado só não foi mais negativo porque houve crescimento na produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e café.
A fabricação de alimentos de origem animal caiu 1,7%, influenciada pela redução da produção de carne bovina e pescados. Em sentido contrário, os aumentos registrados nas carnes suína e de aves e nos produtos lácteos ajudaram a limitar as perdas.
Exportações de carne bovina para a China caem 47,8%
A FGV Agro avalia que a produção de carne bovina já pode estar refletindo os efeitos do esgotamento da cota chinesa destinada ao produto brasileiro.
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que os embarques de carne bovina para a China recuaram 47,8% em julho de 2026, na comparação com igual período do ano anterior.
O mercado chinês ocupa posição estratégica para os frigoríficos brasileiros, o que amplia os reflexos de uma redução das exportações sobre o ritmo de abates e o processamento industrial.
Bebidas alcoólicas e não alcoólicas sustentam crescimento
A produção de bebidas seguiu na direção oposta à dos alimentos e avançou 5% em julho.
O crescimento foi disseminado entre as principais categorias. A fabricação de bebidas alcoólicas aumentou 6,8%, enquanto as bebidas não alcoólicas apresentaram expansão de 3,3% na comparação anual.
Na passagem de junho para julho, com ajuste sazonal, a produção de bebidas cresceu 0,7%.
Insumos agropecuários despencam 20,8%
Entre os Produtos Não Alimentícios, a maior queda ocorreu na fabricação de insumos agropecuários, que recuou 20,8% em relação a julho de 2025.
O setor acumula retrações interanuais consecutivas desde novembro do ano passado e apresentou o pior resultado para um mês de julho desde o início da série histórica, em 2023.
A queda foi provocada pela menor produção de intermediários para fertilizantes, adubos, defensivos agrícolas, tratores e máquinas para o campo.
Na comparação com junho, os insumos agropecuários também recuaram 5,1%, mesmo diante do crescimento mensal registrado pela agroindústria como um todo.
Produtos têxteis e florestais permanecem pressionados
A produção de itens têxteis caiu 6,7% em julho, prolongando a sequência de resultados negativos iniciada em outubro de 2025.
A retração atingiu fibras, tecelagem, tecidos de malha, artefatos têxteis, vestuário, artigos de malha, curtimento de couro e calçados.
Nos produtos florestais, a queda anual foi mais moderada, de 0,1%. A menor fabricação de produtos de madeira e embalagens pressionou o segmento, enquanto a expansão da celulose e do papel impediu uma redução mais intensa.
Biocombustíveis crescem 6,1% e fumo avança 23,6%
Biocombustíveis e fumo foram os únicos setores não alimentícios que apresentaram crescimento na comparação anual.
A produção de biocombustíveis aumentou 6,1%, beneficiada pela ampliação da moagem e pela melhor qualidade da cana-de-açúcar.
O setor de fumo avançou 23,6%, registrando a terceira alta interanual consecutiva e o melhor desempenho para julho desde 2018.
Na comparação mensal ajustada, a produção de biocombustíveis cresceu 4,3%, enquanto a de fumo aumentou 9,6%.
Agroindústria cresce 0,4% na passagem de junho para julho
Embora o resultado anual tenha sido negativo, todos os grandes segmentos da agroindústria cresceram entre junho e julho.
A produção de Alimentos e Bebidas aumentou 0,5%. Dentro desse grupo, os Produtos Alimentícios avançaram 0,4%, e as Bebidas, 0,7%.
Os Produtos Não Alimentícios também cresceram 0,4% no período.
As exceções entre os setores detalhados foram Alimentos de Origem Animal, com queda mensal de 1,1%; Insumos Agropecuários, com retração de 5,1%; e Produtos Florestais, com recuo de 0,5%.
Produção agroindustrial acumula queda de 0,8% em 2026
De janeiro a julho, a agroindústria brasileira acumulou retração de 0,8% em relação aos sete primeiros meses de 2025.
O segmento de Alimentos e Bebidas cresceu 0,6%, com altas de 0,4% em Produtos Alimentícios e de 1,9% em Bebidas. Esse avanço, porém, não foi suficiente para compensar a redução de 2,5% nos Produtos Não Alimentícios.
Nesse grupo, apenas Biocombustíveis, com crescimento acumulado de 15,3%, e Fumo permaneceram em terreno positivo. Os setores de Insumos Agropecuários, Produtos Têxteis e Produtos Florestais registraram queda.
A trajetória do PIMAgro evidencia a perda gradual de dinamismo da agroindústria. O setor acumulava crescimento de 0,7% até abril, mas passou a apresentar retrações nos meses seguintes.
No acumulado de 12 meses encerrado em julho, a produção agroindustrial caiu 0,5%. Alimentos e Bebidas cresceram 1,7%, enquanto os Produtos Não Alimentícios recuaram 3,2%.
Fonte: Portal do Agronegócio
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