Prestes a completar 199 anos de independência, Brasil ainda tem agronegócio refém do mercado internacional
Subordinado ao capital externo, agronegócio brasileiro gera desigualdades, precarização do trabalho e degradação do meio ambiente, aponta estudo que será lançado nesta quinta (2)
Publicado em: 01/09/2021 às 15:10hs
No dia 7 de setembro, o Brasil completará 199 anos de independência de Portugal, declarada em 1822. Apesar disso, o país ainda tem suas relações econômicas estruturadas numa dependência externa, fruto de um modelo de agronegócio cujos impactos afetam não apenas o mercado, como também as relações de trabalho, o desenvolvimento humano e o meio ambiente. É o que aponta o estudo Agronegócio: um negócio global, lançado na próxima quinta-feira (2), pela Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), em parceria com a Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil (FES Brasil).
O lançamento ocorrerá por meio de debate online, às 19h30, com transmissão ao vivo pelo YouTube da FES Brasil, da TVT, do Brasil de Fato e parceiros. A atividade contará com a presença do autor do estudo, Raimundo Pires Silva, que é engenheiro agrônomo, mestre em Desenvolvimento Econômico/UNICAMP, doutor em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente/UNIARA, com pós-graduação Lato Sensu em Formulação de Políticas Agrícolas, e Raoni Azerêdo, professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).
De acordo com o estudo, devido às crises financeiras de 1982, 1999 e 2009, os governos brasileiros vigentes investiram no agronegócio, priorizando commodities nacionais com competitividade externa global como soja, milho, carnes (bovina, suína e de aves), açúcar-álcool, celulose e café. "A expansão do comércio externo agrícola reflete que o país não tem sido capaz de sair da armadilha da especialização primária da pauta exportadora, restrita a poucos produtos", aponta trecho do documento.
"O agronegócio quer ser visto como o progresso técnico brasileiro, assim camuflando o imperialismo, o subdesenvolvimento e a dependência que impõe ao território rural nacional, resultando na degradação da soberania ambiental e alimentar, na escassez alimentar e na desigualdade agrária, além de colaborar com a exclusão de camponeses, quilombolas e indígenas", pontua Raimundo Pires Silva.
Meio ambiente e trabalho
Além da dependência externa, o estudo aponta ainda que, apesar das ações de empresas relacionadas ao agronegócio para fins de preservação ambiental, a biodiversidade dos biomas nacionais continua sob forte degradação derivada da produção agropecuária. Desde o início de seu governo, Jair Bolsonaro (sem partido) liberou a utilização de mais de 1.250 substâncias prejudiciais para a saúde e para o meio ambiente. No início de agosto, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para investigar o aumento de agrotóxicos permitidos pelo Ministério da Agricultura desde 2019.
Precarização do trabalho rural e situações análogas ao trabalho escravo também são apontadas como consequências do agronegócio brasileiro. "Com a pandemia, os riscos das relações de trabalho acentuaram-se com a inação do governo, expondo os trabalhadores à contaminação e suas fatalidades. Não se definiu nenhuma garantia sanitária e socioeconômica para esses homens e mulheres dispersos no interior do país, migrantes vivendo em alojamentos, com crescente taxa de informalidade e alta vulnerabilidade social (suas condições de moradias são precárias e em lugares de baixa renda)", ressalta o estudo.
Serviço
- Debate: Agronegócio: um negócio global
- Participantes: Raimundo Pires: Engenheiro Agrônomo, doutor em desenvolvimento territorial, atualmente pesquisador da FESPSP e diretor da ABRA; e Raoni Azerêdo: Professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), com mediação de Yamila Goldfarb
- Quando: 02/09, 19h30
- Transmissão: Youtube da FES, TVT, Brasil de Fato e parceiros
Fonte: Assessoria de imprensa CP Mídias
◄ Leia outras notícias