Publicado em: 17/05/2023 às 11:25hs
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (17) que a estratégia da instituição de iniciar o processo de alta dos juros mais cedo do que em outros países começa a dar resultado, pois a inflação também começou a recuar antes na economia brasileira.
"Enquanto uns viam a inflação como um evento transitório decorrente de restrições de oferta temporária [falta de produtos por conta da pandemia], vimos o processo inflacionário como um evento mais persistente, com importante componente de demanda [aumento de recursos na economia]", declarou, na abertura da 1ª Conferência Anual do BC brasileiro.
Campos Neto também citou a proposta de arcabouço fiscal e disse que as medidas podem "eventualmente ajudar na missão de ancorar as expectativas de inflação"
Ao defender a alta dos juros, o presidente do BC avaliou que, no caso de países emergentes com histórico de inflação mais alta, como o Brasil, esperar que todos os indicadores da economia sugerissem aumento de inflação para aplicar a medida apresentaria um "risco maior, [de] deixar a inflação mais alta e mais volátil, deteriorando assim as expectativas [projeção os anos subsequentes]".
"Consideramos que essa abordagem proativa de política monetária [definição da Selic para conter a inflação], que levou a taxa básica de juros a um território significativamente restritivo [alto], foi oportuno. Note-se que que essa estratégia começa a dar resultado. A inflação no Brasil começou a diminuir significativamente mais cedo em comparação a outros países em desenvolvimento", acrescentou Campos Neto.
Em abril, a inflação oficial do país subiu 0,61%. Com isso, somou 4,18% na janela de doze meses. Apesar de estar abaixo da meta de inflação para este ano, a projeção de analistas é de que a taxa avançará nos próximos meses.
Isso porque sai da conta o período em 2022 em que a inflação recuou por conta da redução dos preços dos combustíveis. A projeção do mercado para 2023 é de 6,03%, acima do teto da meta.
Campos Neto avaliou que o processo de queda da inflação deve continuar no Brasil, porém de forma não linear (não em todos os meses). "Núcleos estão mais resilientes devido à difusão da inflação entre setores e pressões subjacentes, em componentes como serviços", acrescentou.
O BC ainda não indicou quando terá início o processo de queda de juros. A instituição tem avaliado que o atual estágio de combate à inflação "demanda serenidade e paciência na condução da política monetária".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem disparado fortes críticas ao patamar da taxa básica da economia, por conta do impacto no nível de atividade e de emprego.
Chefiado por Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o Banco Central possui autonomia operacional para definir a política monetária com objetivo de controlar a inflação. As decisões sobre os juros são tomados pela diretoria colegiada da instituição.
Sobre o arcabouço fiscal, cujo relatório foi apresentado nesta semana, Campos Neto disse que as novas regras para as contas públicas evitam "cenários mais extremos para a trajetória dívida pública".
O presidente do BC também repetiu, entretanto, que não há uma "relação mecânica [direta] entre a política monetária e a apresentação do arcabouço fiscal".
Na proposta de novo regime fiscal, as despesas não poderiam subir acima das receitas, e há limite para os gastos como forma de tentar evitar uma alta maior da dívida pública. A expectativa do governo é de que o relatório seja aprovado na próxima semana na Câmara dos Deputados.
Fonte: G1
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