Publicado em: 19/03/2026 às 12:00hs
O mercado de suínos apresentou mudanças relevantes em fevereiro, com destaque para a forte queda nos preços do animal vivo e o avanço das exportações. As informações constam no Boletim do Suíno divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que reúne dados atualizados sobre o desempenho do setor.
As cotações médias do suíno vivo registraram forte retração em fevereiro na comparação com janeiro.
Na praça SP-5 — que engloba municípios como Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba — a queda foi de 16,1% no período. Trata-se da desvalorização mais intensa desde janeiro de 2022, quando os preços haviam recuado 21%.
Apesar da pressão sobre os preços internos, o desempenho das exportações foi positivo.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques de carne suína totalizaram 120,9 mil toneladas em fevereiro. O volume representa alta de 5,1% em relação a janeiro e de 6,9% frente ao mesmo período de 2025.
Além disso, este foi o maior volume já registrado para meses de fevereiro em toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997.
A queda nos preços do suíno vivo impactou diretamente o poder de compra dos produtores.
Em fevereiro, com a venda de um quilo do animal, o suinocultor paulista conseguiu adquirir apenas 3,75 quilos de farelo de soja — o menor volume desde julho de 2024 — ou 6,11 quilos de milho, o patamar mais baixo desde abril do ano passado.
O cenário evidencia a pressão sobre as margens da atividade, especialmente diante dos custos com alimentação.
No mercado de proteínas, a carne suína apresentou recuo expressivo de preços em fevereiro. Em termos reais, considerando a série deflacionada pelo IPCA de janeiro de 2026, a média atingiu o menor nível desde abril de 2024.
Esse movimento aumentou, pelo segundo mês consecutivo, a competitividade da carne suína em relação às principais concorrentes, como a carne bovina e a de frango.
O panorama do mercado suinícola em fevereiro reflete um cenário de contrastes. Enquanto o mercado interno enfrenta pressão nos preços e redução no poder de compra dos produtores, as exportações seguem em alta e sustentam parte da demanda.
O acompanhamento das cotações e dos custos de produção deve seguir como fator-chave para o setor nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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