Análise de Mercado

Preço da cesta básica sobe para R$ 296,26 no Rio Grande do Sul e guerra no Oriente Médio pressiona alimentos

Alta dos alimentos em abril interrompe sequência de quedas no Estado; leite, uva e cenoura lideram aumentos no varejo gaúcho


Publicado em: 08/05/2026 às 10:30hs

Preço da cesta básica sobe para R$ 296,26 no Rio Grande do Sul e guerra no Oriente Médio pressiona alimentos

O preço da cesta básica no Rio Grande do Sul voltou a subir em abril após երեք meses consecutivos de queda. Segundo levantamento da Secretaria da Fazenda do Estado, o custo médio da cesta composta pelos 80 produtos mais consumidos pelos gaúchos avançou 2,92% em relação a março e fechou o mês em R$ 296,26.

O indicador, chamado de Preço da Cesta de Alimentos (PCA-RE), é calculado com base nas notas fiscais eletrônicas emitidas no varejo e acompanha o comportamento dos preços dos alimentos em diferentes regiões do Estado.

De acordo com a Secretaria da Fazenda, a alta segue o movimento observado no cenário nacional e reflete, entre outros fatores, os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os mercados globais de alimentos e energia.

Leite, frutas e hortaliças puxam alta da cesta básica no RS

Os laticínios foram os principais responsáveis pelo avanço da cesta em abril, registrando alta média de 12,81%.

O leite integral liderou as elevações entre os itens mais consumidos, com aumento de 22,56% no mês, alcançando preço médio próximo de R$ 4,89 por litro no varejo gaúcho.

Outros produtos que pressionaram o orçamento das famílias foram:

  • Uva: alta de 100%;
  • Cenoura: aumento de 63,51%;
  • Demais hortaliças e perecíveis também registraram valorização em várias regiões.

Segundo especialistas, fatores climáticos, logística e oscilações no mercado internacional ajudam a explicar a volatilidade dos preços.

Guerra no Oriente Médio influencia preços globais dos alimentos

O governo gaúcho destaca que o atual cenário internacional tem influenciado diretamente os custos da alimentação no Brasil.

A escalada das tensões no Oriente Médio impacta principalmente:

  • Custos de energia;
  • Fretes internacionais;
  • Cadeias globais de abastecimento;
  • Preços de fertilizantes e commodities agrícolas.

Esse ambiente de maior pressão internacional acaba sendo repassado parcialmente aos preços no varejo, afetando itens básicos do consumo diário.

Regiões do Rio Grande do Sul registram aumento generalizado

O levantamento aponta alta no custo da cesta em todas as regiões do Estado.

Menor custo da cesta

A região do Jacuí Centro apresentou o menor valor médio:

  • R$ 279,37 em abril;
  • Alta mensal de 3,35%.
Maior custo da cesta

A região das Hortênsias segue liderando os maiores preços:

  • R$ 314,05 no mês.
Maior variação regional

O Noroeste registrou a maior alta:

  • Avanço de 4,47%;
  • Cesta média de R$ 310,32.

Já o Paranhana teve a menor variação regional, com aumento de 1,47%.

Apesar da alta em abril, acumulado de 12 meses ainda aponta queda

Mesmo com o avanço recente, o acumulado dos últimos 12 meses ainda mostra redução de 0,96% no custo da cesta de alimentos no Rio Grande do Sul.

Na região da Fronteira Noroeste, a retração acumulada se aproxima de 4%, indicando comportamento mais favorável ao consumidor ao longo do último ano.

Famílias de baixa renda tiveram inflação menor nos alimentos

Dados do Índice de Inflação por Faixa de Renda, também elaborado pela Secretaria da Fazenda, mostram que famílias de menor renda foram beneficiadas por reduções mais intensas nos preços de alguns alimentos ao longo dos últimos 12 meses.

  • Variação acumulada por renda:
  • Até dois salários mínimos: deflação de 1,97%;
  • Entre dois e três salários mínimos: queda de 1,59%.

Segundo o estudo, o resultado está relacionado aos hábitos de consumo das famílias de baixa renda, que concentram maior participação em produtos que tiveram redução de preços no período.

Bebidas e aipim registram queda nos preços

Entre os grupos que apresentaram redução em abril, bebidas e infusões lideraram as quedas, com recuo médio de 1,74%.

Os destaques foram:

  • Água mineral: queda de 2,12%, com preço médio de R$ 1,90 por litro;
  • Vinho: retração de 9,80%, próximo de R$ 36 no varejo;
  • Aipim: maior baixa entre todos os itens monitorados, superior a 33%.
Cenário exige atenção do consumidor e do agronegócio

O comportamento dos alimentos segue sendo acompanhado de perto por produtores, varejo e consumidores, especialmente em um ambiente global marcado por incertezas geopolíticas, custos elevados e oscilações climáticas.

Para o agronegócio, a tendência dos preços também impacta diretamente custos de produção, margens do produtor rural e dinâmica de consumo no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

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