Publicado em: 01/07/2026 às 14:30hs
As perdas pós-colheita seguem como um dos principais desafios silenciosos da rentabilidade no agronegócio brasileiro. Embora fatores como clima, pragas, custos de insumos e oscilações de mercado estejam entre os temas mais debatidos, especialistas destacam que a etapa posterior à colheita também exerce forte impacto econômico sobre o resultado final das operações.
Em artigo, o CEO da AOzawa Consultoria, Anderson Ozawa, chama atenção para o fato de que uma parte significativa das perdas ocorre fora da porteira, em etapas como armazenagem, transporte, classificação e gestão logística.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 14% dos alimentos produzidos no mundo são perdidos entre a colheita e o varejo. Em cadeias com infraestrutura limitada ou baixa eficiência operacional, esse índice pode ultrapassar 10% da produção.
No contexto do agronegócio brasileiro, o avanço tecnológico na produção foi determinante para o aumento da produtividade. No entanto, segundo especialistas, a próxima fronteira de competitividade está na eficiência da cadeia pós-produção.
Ao longo dos últimos anos, o setor investiu fortemente em genética, mecanização, irrigação, defensivos e manejo agrícola, consolidando o Brasil como uma das principais potências globais do agro.
Agora, a atenção se volta para o desempenho após a colheita. Processos como logística, armazenagem, transporte, pesagem, rastreabilidade, contratos e gestão de estoque passaram a influenciar diretamente a margem das operações.
Segundo Ozawa, é nesse ponto da cadeia que parte relevante do valor econômico produzido no campo pode ser perdido sem percepção imediata.
O especialista destaca que perdas pós-colheita muitas vezes não estão associadas a um único problema, mas à soma de pequenas ineficiências operacionais.
Entre os principais fatores estão:
Embora isoladamente pareçam irrelevantes, essas falhas podem representar milhões de reais ao final de uma safra.
Diferentemente de eventos climáticos ou sanitários, as perdas pós-colheita não costumam gerar reação imediata. Muitas vezes, são incorporadas como parte natural do processo produtivo, o que dificulta sua identificação e correção.
“O problema é quando a ineficiência deixa de ser percebida e passa a ser tratada como rotina”, destaca o especialista em sua análise.
Em uma operação com movimentação de 100 mil toneladas de grãos por ano, uma perda de apenas 0,5% representa 500 toneladas.
Dependendo da commodity e dos preços de mercado, esse volume pode gerar impacto financeiro significativo, resultado da combinação de pequenas falhas ao longo da cadeia logística e operacional.
Para especialistas, a evolução do agronegócio passa pela integração entre produtividade e eficiência operacional. Produzir mais já não é suficiente sem mecanismos robustos de controle e preservação de valor.
A eficiência na cadeia pós-colheita envolve:
O avanço do agronegócio brasileiro exige atenção não apenas à produção, mas também à capacidade de preservar o valor gerado no campo até o consumidor final.
Segundo a análise, o setor já demonstrou competência produtiva, mas agora enfrenta o desafio de reduzir perdas operacionais e melhorar a eficiência da cadeia como um todo.
No cenário atual de margens pressionadas, volatilidade de preços e custos elevados, a gestão das perdas pós-colheita se torna um fator estratégico para a sustentabilidade econômica das operações no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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