Análise de Mercado

Pecuária de Mato Grosso enfrenta risco de desabastecimento de sal mineral e alta nos custos de produção, alerta Famato

Escassez de fosfato bicálcico pode comprometer a suplementação do rebanho bovino e pressionar ainda mais a rentabilidade dos produtores rurais


Publicado em: 02/06/2026 às 10:10hs

Pecuária de Mato Grosso enfrenta risco de desabastecimento de sal mineral e alta nos custos de produção, alerta Famato
Foto: Luiz Nogueira

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) emitiu um alerta sobre o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico no mercado brasileiro, insumo considerado essencial para a produção de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina. A preocupação é ainda maior em Mato Grosso, estado que abriga o maior rebanho bovino do país e que pode sofrer impactos significativos na cadeia produtiva da carne e do leite.

Segundo levantamento realizado pela entidade junto a empresas de nutrição animal, fabricantes de suplementos minerais e produtores rurais, há possibilidade de escassez de sal mineral para bovinos nos próximos dias, cenário que pode afetar diretamente o desempenho produtivo das propriedades pecuárias.

Dependência de importações aumenta vulnerabilidade do setor

De acordo com a Famato, a ameaça de falta do produto resulta de uma combinação de fatores que incluem a produção nacional insuficiente para atender à demanda crescente do agronegócio, a forte dependência de importações e as restrições na oferta internacional.

A entidade destaca ainda que conflitos geopolíticos recentes têm provocado impactos nas cadeias globais de suprimentos e logística, dificultando o acesso a matérias-primas estratégicas. Além disso, alguns países exportadores passaram a priorizar o abastecimento interno como forma de garantir segurança alimentar e disponibilidade de insumos para suas próprias cadeias produtivas.

Esse cenário tem ampliado a preocupação do setor pecuário brasileiro, especialmente em regiões com elevada concentração de rebanhos.

Alta dos insumos pressiona a rentabilidade da atividade

Além do risco de escassez, a Famato observa aumentos expressivos nos preços dos suplementos minerais e dos concentrados utilizados na engorda dos animais.

A expectativa do mercado é de que novos reajustes ocorram nos próximos meses, elevando ainda mais os custos de produção da pecuária nacional. O movimento ocorre em um momento de margens mais apertadas para os produtores, que enfrentam custos operacionais elevados e pressão sobre os preços pagos pela indústria frigorífica.

Segundo a entidade, a combinação entre aumento dos custos e possível dificuldade de acesso aos insumos pode comprometer a competitividade do setor e reduzir a capacidade de investimento nas propriedades.

Impactos podem atingir toda a cadeia de alimentos

O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, ressalta que a preocupação vai além da atividade pecuária e envolve toda a cadeia de produção de alimentos.

Segundo ele, o sal mineral desempenha papel fundamental no desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário dos rebanhos, enquanto os insumos fosfatados também são estratégicos para a agricultura.

“Quando esses produtos encarecem ou começam a faltar, o impacto é imediato para o produtor rural, que já enfrenta aumento dos custos e redução das margens. Esse efeito pode se estender ao consumidor final, refletindo nos preços dos alimentos”, afirma.

Escassez de insumos amplia desafios sanitários e produtivos

A Famato também relaciona o atual cenário à recente dificuldade de abastecimento de vacinas contra clostridioses, situação que já vinha sendo monitorada pela entidade.

Na avaliação da federação, a soma entre problemas sanitários e possível falta de insumos para suplementação nutricional aumenta os riscos produtivos e econômicos dentro das propriedades rurais.

O receio é que a redução da disponibilidade de suplementos minerais comprometa índices zootécnicos importantes, afetando ganho de peso, reprodução, fertilidade e sanidade dos animais.

Entidade propõe medidas emergenciais para evitar crise

Diante da situação, a Famato defende a adoção de medidas emergenciais por parte do governo federal para ampliar a oferta de matérias-primas e reduzir os custos ao produtor.

Entre as propostas apresentadas pela entidade estão:

  • Redução temporária ou isenção das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre;
  • Redução da carga tributária sobre sal branco e ureia destinados à nutrição animal;
  • Desburocratização dos processos alfandegários;
  • Agilização da liberação de cargas nas fronteiras;
  • Ampliação das negociações comerciais com países fornecedores, como a Bolívia.

A avaliação é que essas medidas podem contribuir para minimizar os impactos de curto prazo e garantir maior regularidade no abastecimento do mercado.

Plano Nacional de Fertilizantes ganha importância estratégica

A federação também reforça a necessidade de acelerar a implementação do Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, iniciativa criada para reduzir a dependência brasileira de insumos importados.

O plano prevê ações voltadas à ampliação da produção nacional de fertilizantes e minerais estratégicos, incentivo à pesquisa, atração de investimentos privados, melhoria do ambiente regulatório e fortalecimento da infraestrutura logística.

Para a Famato, avançar na execução dessas medidas é fundamental para aumentar a segurança do abastecimento e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.

“O Brasil não pode depender quase exclusivamente do mercado externo para garantir insumos essenciais à produção de alimentos. Ampliar a produção nacional é uma questão de soberania, segurança alimentar e sustentabilidade econômica para o produtor rural”, conclui Vilmondes Tomain.

Mato Grosso no centro das atenções

Com o maior rebanho bovino do país, Mato Grosso está entre os estados mais expostos aos impactos de uma eventual escassez de suplementos minerais. O alerta da Famato reforça a necessidade de monitoramento constante do mercado de insumos e de ações coordenadas para evitar prejuízos à pecuária, setor que desempenha papel estratégico na economia estadual e nas exportações brasileiras de proteína animal.

Fonte: Portal do Agronegócio

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