Análise de Mercado

Os planos da Portos RS para ampliar a movimentação de cargas agrícolas

Empresa investirá R$ 160 milhões no complexo portuário formado pelos terminais de Rio Grande, Porto Alegre e Pelotas


Publicado em: 04/07/2023 às 19:00hs

Os planos da Portos RS para ampliar a movimentação de cargas agrícolas

A Portos RS prepara um investimento de R$ 160 milhões no complexo portuário sob sua administração, que inclui os terminais de Rio Grande, Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul. Neste segundo semestre, a companhia deve abrir licitação para construir um novo terminal dedicado à movimentação de cargas agrícolas no porto de Rio Grande, o de maior movimentação entre os três.

De acordo com o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, parte do desembolso já está em execução e parte é remanescente de investimentos que estavam previstos para 2022 e que ficaram com execução pendente para o atual exercício fiscal. A previsão de investimentos para o ano passado era de R$ 120 milhões, e a execução totalizou R$ 100 milhões.

“Em 2022, a gente contratou tudo o que estava previsto, mas algumas coisas começaram no fim do ano, mas o pagamento ficou para 2023”, explicou o executivo à Globo Rural durante a passagem da expedição Caminhos da Safra por Rio Grande.

Mais autonomia

A Portos RS passou por mudanças em maio do ano passado, quando a empresa deixou de ser uma autarquia subordinada à Secretaria de Logística e Transportes do Estado e passou a operar como uma empresa pública, que tem o próprio Estado como controlador e único dono. Segundo Klinger, a mudança deu mais autonomia à autoridade portuária para a tomada de decisões sobre orçamento e gestão.

O caixa da empresa é composto, principalmente, por receitas de tarifas de operações portuárias, além da arrecadação com contratos de arrendamento. A partir da mudança administrativa, diz o executivo, foi possível licitar obras, entre elas a primeira etapa de dragagem do canal de atracação do cais público, além de pavimentação, sinalização e monitoramento ambiental.

“Eu dependia da estrutura do Estado para fazer uma licitação, um investimento. Como empresa, eu sigo tendo uma regulamentação de empresa pública e atendendo órgãos de controle, mas nós temos toda a autonomia financeira e operacional”, afirma o presidente da Portos RS. Ele pontua que os recursos, antes enviados para o caixa único do Estado, agora vão diretamente para o caixa da companhia.

Para este ano, a companhia prevê realizar uma segunda etapa de dragagem, uma nova fase de pavimentação e melhorias de sinalização. Já estão em andamento obras a melhoria dos acessos ao cais público, com instalação de sistemas automatizados para melhoria da segurança nas operações, e armazéns do cais público de Rio Grande que estão sem uso passam no momento por reavaliação.

Além da parte pública, o complexo tem nove áreas arrendadas e 22 terminais privados em operação, que movimentam cargas como grãos, fertilizantes e celulose. Produtos e insumos agrícolas respondem por uma parcela significativa do fluxo de mercadorias nas áreas públicas do complexo, por onde passam de 30% a 35% do Produto Interno Bruto do Estado.

Movimentação em alta

De janeiro a maio deste ano, o fluxo total, só em Rio Grande, foi de 15,83 milhões de toneladas, um volume 6% superior ao do mesmo período em 2022. O agronegócio responde por 90% da movimentação de cargas do complexo. O volume de soja em grão foi o que mais cresceu (88,64%), seguido por ureia (32,91%), fosfato (31,56%), farelo de soja (19,05%) e cloreto de potássio (11,44%).

Novos projetos de ampliação da capacidade de operação estão no horizonte. A Portos RS fez um mapeamento de áreas disponíveis, na expectativa de atrair mais operadores de cargas agrícolas. O prazo para o recebimento de propostas para utilização desses locais encerrou-se há um mês.

Entre as licitações que devem ser concluídas em breve está a do Terminal Logístico do Arroz, no porto de Rio Grande, destinado, prioritariamente, à movimentação do cereal, mas também de outros granéis sólidos, com exceção da soja. O local, segundo o presidente da Portos RS, está operacional, ainda que precise de mais investimentos e melhorias. Para o novo terminal agrícola em Rio Grande, a companhia afirma que o processo está caminhando "dentro da normalidade". Segundo Klinger, a expectativa, a depender do projeto para o local, é ter uma operação em até dois anos.

Fonte: Grupo Idea

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