Publicado em: 24/04/2026 às 11:20hs
O mercado do trigo opera em cenário de forte sustentação de preços tanto no Brasil quanto no exterior. A combinação entre oferta restrita no Sul do país e fatores climáticos e geopolíticos internacionais tem mantido o cereal em trajetória de valorização.
Segundo análises da TF Agroeconômica, o ambiente doméstico segue marcado por negociações pontuais e baixa liquidez, enquanto no cenário global o clima seco nos Estados Unidos pressiona as cotações na Bolsa de Chicago.
No Brasil, os preços do trigo seguem firmes, especialmente na região Sul, onde a entressafra e a disponibilidade reduzida sustentam as cotações.
No Rio Grande do Sul, o mercado permanece lento, impactado pelo avanço da colheita da soja, que reduz o ritmo das negociações. As indicações de compra variam entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada, enquanto os vendedores mantêm pedidos entre R$ 1.350 e R$ 1.400.
A oferta estimada em cerca de 260 mil toneladas é considerada insuficiente para atender a demanda até a próxima safra, prevista para outubro, o que reforça a necessidade de importações.
No estado, o preço de balcão avançou 3,51% em Panambi, atingindo R$ 59 por saca.
Em Santa Catarina, o mercado apresenta aumento da participação de trigo oriundo de outros estados. O produto local gira em torno de R$ 1.300 por tonelada, enquanto lotes vindos do Paraná e do Rio Grande do Sul chegam a R$ 1.400.
Os preços ao produtor apresentam comportamento regionalizado, com estabilidade em algumas praças e variações pontuais, refletindo ajustes conforme a demanda da indústria moageira.
No Paraná, os moinhos seguem abastecidos no curto prazo, com compras próximas de R$ 1.300 por tonelada. No interior, as cotações chegam a R$ 1.400, enquanto vendedores mantêm pedidas mais altas.
Para os contratos de médio prazo (maio e junho), há projeções de preços menores, influenciadas pela valorização do real, mas o mercado disponível continua firme em negociações pontuais.
No mercado internacional, a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) registrou forte alta para o trigo nesta quinta-feira (23), com ganhos superiores a 2% no contrato mais negociado.
O principal fator de suporte foi o avanço da seca nas regiões produtoras dos Estados Unidos, especialmente nas Planícies, onde o clima seco continua comprometendo o desenvolvimento das lavouras e elevando o risco produtivo.
Além do clima, o mercado acompanha tensões no Oriente Médio, que contribuem para a valorização do petróleo e aumentam a volatilidade dos grãos.
Outro ponto de atenção é a Argentina, importante exportadora global, onde a Bolsa de Buenos Aires projeta uma área de 6,5 milhões de hectares para a safra 2026/27, queda de 3% em relação ao ciclo anterior.
No campo da demanda, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que as vendas líquidas de trigo norte-americano para a safra 2025/26 somaram 129 mil toneladas na semana encerrada em 16 de abril.
Para a temporada 2026/27, foram registradas mais 8 mil toneladas. O volume total ficou dentro da expectativa do mercado, que variava entre 100 mil e 500 mil toneladas.
Os contratos futuros do trigo encerraram o pregão em alta:
O movimento reforça a tendência de sustentação dos preços internacionais, apoiada por fatores climáticos e geopolíticos.
O mercado global e doméstico do trigo segue em ambiente de alta sustentação de preços, impulsionado pela baixa oferta no Sul do Brasil e por riscos climáticos nos Estados Unidos. Com estoques ajustados e demanda firme, o cenário indica manutenção da volatilidade e atenção redobrada dos agentes do setor nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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