Publicado em: 21/02/2024 às 12:00hs
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Os meses de inverno, quando a mobilidade é reduzida no país, costumam ser um período de acumulação de estoques, mas a produção foi prejudicada, o que poderá ter um impacto, especialmente se a demanda por gasolina for maior do que o esperado na próxima temporada de alto movimento nas estradas (Driving Season). Há várias razões para acreditar em um aumento no consumo de gasolina. Estamos em um ano de corte de juros na maior economia do mundo, e o mercado de trabalho do país continua resiliente. Isso, teoricamente, deverá favorecer o consumo de gasolina.
Enquanto os preços do petróleo estão encurralados entre tensões geopolíticas no Oriente Médio, com potencial para prejudicar o abastecimento global, e o início tardio dos cortes de juros nos EUA, enfraquecendo assim a demanda por petróleo, um cenário curioso está se desenhando para produtos refinados, especialmente a gasolina.
“No último mês, a atividade de refino nos Estados Unidos foi significativamente afetada pelas baixas temperaturas, reduzindo a mobilidade dos veículos e, consequentemente, o consumo de gasolina. Atualmente, o país conta com estoques de 247 milhões de barris de gasolina, um montante superior ao observado em 2023 e 2022”, explica Victor Arduin, analista de Energia e Macroeconomia da hEDGEpoint Global Markets.
“A pergunta que fica é se esses estoques serão suficientes para atender à demanda no país nos próximos meses, período em que o consumo de gasolina aumenta substancialmente”, pontua.

Fevereiro geralmente é um mês de demanda mais baixa por petróleo nos Estados Unidos; no entanto, os preços da gasolina têm reagido devido a uma parada não programada na refinaria da BP em Whiting, Indiana, no início do mês. Como uma das maiores refinarias do país, a maior do Meio-Oeste, essa instalação é capaz de produzir 435 mil barris por dia, um volume bastante significativo.
De acordo com o analista, “embora os amplos estoques do país estejam ajudando a limitar o impacto da paralisação de uma refinaria de grande porte, este seria o período de acumular reservas para atender à demanda durante os meses de verão, conhecido como a temporada de maior movimento nas estradas (Driving Season)”.
“Nesse sentido, o mercado parece ter adotado uma postura mais altista em relação à commodity. Em janeiro, o RBOB, contrato de referência para a gasolina, fechou em US$ 2,18/gal (+3,84% de alta no mês), e tudo indica que fevereiro deverá fechar com uma nova alta”, destaca.
De fato, os meses de fevereiro e março são períodos que geralmente fortalecem o backwardation da gasolina, onde os preços dos contratos futuros para entrega imediata são mais altos do que os preços dos contratos para entrega futura.
“Sob essa ótica, quando comparados com a trajetória dos últimos anos, o cenário não parece muito promissor, mas precisamos considerar algumas variáveis importantes para 2024”, observa.
A grande expectativa no cenário econômico para 2024 é o possível corte de juros pelo Fed, o banco central dos EUA. Esse movimento deverá impulsionar a demanda e enfraquecer o dólar, o que é especialmente relevante considerando que a maioria das commodities do mundo é negociada em dólares. Isso também se aplica aos ativos do complexo energético.
“O mercado de trabalho no país segue resiliente, com o payroll não agrícola registrando um incremento de 353 mil postos de trabalho. Com mais pessoas trabalhando, aumenta o consumo de combustíveis”, diz Victor.
E prossegue: “Além disso, o atual conflito no Oriente Médio pode potencialmente prejudicar o abastecimento na Europa, o que poderia elevar o preço do petróleo, principal insumo na produção de gasolina e com alta correlação com os preços da gasolina. Por enquanto, o cenário não mostra indícios de um mercado menos abastecido. Ao contrário dos anos anteriores, os estoques ainda estão altos e a demanda tem sido afetada pelas baixas temperaturas. Mesmo assim, será importante observar se não haverá uma reversão desse cenário em março, o que pode surpreender o mercado devido ao bom desempenho da economia americana e aos riscos altistas para o petróleo”.
Por enquanto, esses riscos estão sendo superados por um corte de juros um pouco mais tardio do que o esperado nos Estados Unidos, mas o aumento da demanda nas próximas semanas pode mudar esse sentimento.

A gasolina é um dos produtos refinados mais importantes do complexo energético, sendo vital para a economia por servir como combustível para veículos. Neste momento, a menor atividade de refino no país está reduzindo a produção de gasolina do país.
Por enquanto, o montante atual de 247 milhões de barris de gasolina, superior aos observados para o mesmo período nos anos anteriores, tem dado mais tranquilidade ao mercado, mas esse panorama pode mudar nas próximas semanas. Este ano, ao contrário dos últimos dois anos, será monetariamente menos restritivo, o que deverá tornar as commodities energéticas mais baratas, além de impulsionar a atividade econômica.
Além disso, há riscos consideráveis de uma valorização do petróleo devido aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Uma vez que este é o principal insumo na produção de gasolina, pode ser um gatilho para a apreciação dos produtos derivados de petróleo.
Fonte: hEDGEpoint Global Markets
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