Publicado em: 04/02/2026 às 12:30hs
O comércio internacional vive uma fase de reconfiguração profunda, impulsionada por tensões geopolíticas, incertezas econômicas e mudanças nas cadeias globais de produção.
De acordo com a doutora em agronegócios Maria Flávia Tavares, esse cenário abre espaço para uma nova geração de acordos comerciais que buscam restabelecer a cooperação entre grandes economias, em um ambiente global cada vez mais fragmentado e competitivo.
Formalizado durante a 16ª Cúpula Índia–União Europeia, em janeiro de 2026, o Acordo de Livre Comércio entre Índia e UE conecta uma das economias mais dinâmicas do mundo a um bloco composto por 27 países e mais de 450 milhões de consumidores.
A iniciativa representa um passo estratégico para reduzir dependências comerciais e aumentar a resiliência das cadeias globais de abastecimento, num momento em que governos e empresas buscam diversificação e previsibilidade no comércio exterior.
O Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, concluído em dezembro de 2024, é visto como um marco para a inserção internacional do Brasil e dos países do bloco sul-americano.
Segundo especialistas, o pacto reforça uma estratégia de ampliação de mercados, atração de investimentos e redução da concentração comercial, criando novas possibilidades para exportadores e para a indústria agroalimentar.
Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem mais de 700 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. Já a parceria entre Índia e União Europeia conecta economias que somam cerca de um quarto do PIB mundial, consolidando uma rede de comércio que reposiciona fluxos globais e amplia o protagonismo das economias emergentes.
Para Maria Flávia Tavares, os recentes avanços nos acordos internacionais recolocam o agronegócio no centro das discussões sobre crescimento e sustentabilidade.
“Esse conjunto de acordos recoloca o agronegócio no centro das discussões, não como um setor isolado, mas como parte de um sistema global cada vez mais interligado. Vale acompanhar de perto como esses acordos vão se traduzir na prática e quais impactos reais terão para o agro, para as empresas e para quem está no dia a dia do setor”, destaca a especialista.
A tendência é que, nos próximos anos, o avanço desses acordos fortaleça cadeias produtivas, estimule padrões de sustentabilidade e promova maior integração entre mercados agrícolas e industriais.
O agronegócio, por sua relevância econômica e ambiental, deve permanecer no centro das políticas comerciais internacionais, influenciando decisões estratégicas e novas parcerias globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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