Publicado em: 07/05/2024 às 12:00hs
A Mubadala Capital, braço de investimentos do fundo soberano de Abu Dhabi, anunciou planos de investir mais de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) por ano no Brasil para expandir sua presença no país. A empresa já possui um portfólio diversificado, que vai desde uma refinaria de petróleo até uma concessão rodoviária.
Oscar Fahlgren, presidente da Mubadala Capital no Brasil, revelou em entrevista à Bloomberg News que a empresa já alocou mais de US$ 5 bilhões no Brasil ao longo de uma década. Fahlgren atribuiu o interesse contínuo pelo país à estabilidade política e ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima do esperado sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O clima na comunidade internacional tornou-se mais favorável ao Brasil", disse ele por videoconferência.
A Mubadala Capital recentemente fechou um segundo fundo específico para o Brasil, com mais de US$ 710 milhões, mais que o dobro do primeiro fundo de investimento. A empresa planeja lançar um fundo ainda maior em 2024 para continuar investindo no país. Com US$ 20 bilhões sob gestão, dois terços provenientes de investidores externos, a Mubadala está de olho em ativos "distressed", ou seja, empresas com dificuldades financeiras mas com potencial de reestruturação.
Entre os próximos passos da empresa estão investimentos em empresas de varejo em dificuldades, o desenvolvimento de uma nova bolsa de valores para competir com a B3, e até mesmo a criação de uma nova liga de futebol no Brasil. A Mubadala também está interessada em ativos que possam ser reorganizados e busca oportunidades de crescimento nos setores onde já atua. O portfólio atual inclui uma concessão rodoviária em São Paulo e a produtora de etanol Atvos, ambas adquiridas após a Operação Lava Jato.
A Mubadala Capital também é dona da Acelen, empresa que opera a refinaria de Mataripe, adquirida da Petrobras durante o governo anterior, no estado da Bahia. A Mubadala e a Petrobras assinaram recentemente um acordo para avaliar uma unidade de biodiesel e combustível para aviação sustentável (SAF, na sigla em inglês), que, segundo Fahlgren, poderia se tornar uma das maiores produtoras de combustíveis renováveis do mundo.
Perguntado sobre especulações de que a Petrobras poderia querer recomprar a refinaria de Mataripe, Fahlgren evitou entrar em detalhes, mas deixou claro que a Mubadala é uma empresa de investimentos global e está sempre aberta a discutir qualquer ativo se isso fizer sentido para a empresa e seus investidores.
Além disso, a Mubadala está focada em expandir a produção na Atvos após o fim recente de sua recuperação judicial e estuda a adição de novos biocombustíveis ao portfólio, incluindo combustível para aviação sustentável. A expansão do setor de energia renovável é uma das prioridades da empresa para os próximos anos, refletindo uma tendência global de transição para fontes de energia mais sustentáveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
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