Análise de Mercado

Milho oscila entre pressão externa e clima no Brasil: B3 recua após alta e mercado físico segue travado

Preços do milho hoje: contratos futuros recuam na B3 e em Chicago, enquanto mercado físico brasileiro enfrenta baixa liquidez e impasse entre compradores e vendedores


Publicado em: 23/04/2026 às 11:00hs

Milho oscila entre pressão externa e clima no Brasil: B3 recua após alta e mercado físico segue travado
Foto: FMC
Futuros do milho recuam na B3 após movimento de realização de lucros

A quinta-feira (23) começa com ajustes negativos para os contratos futuros do milho na B3, refletindo um movimento de realização de lucros após as altas recentes. Por volta das 10h21 (horário de Brasília), as principais cotações operavam entre R$ 68,30 e R$ 74,35 por saca.

O contrato maio/26 era negociado a R$ 68,30, com queda de 0,94%. Já o julho/26 recuava 0,65%, cotado a R$ 69,18. O setembro/26 registrava baixa de 0,55%, a R$ 71,00, enquanto o janeiro/27 caía 0,47%, valendo R$ 74,35.

Apesar da retração nesta manhã, o mercado vinha de uma sessão anterior de alta, sustentada por preocupações com o clima nas regiões produtoras e pela postura mais defensiva de compradores diante do avanço da indústria de etanol e das incertezas externas.

Chicago opera em leve queda com foco no clima e demanda

No cenário internacional, os contratos futuros do milho também iniciaram o dia em leve queda na Chicago Board of Trade.

Por volta das 10h14 (horário de Brasília), o contrato maio/26 era cotado a US$ 4,53 por bushel, com recuo de 0,75 ponto. O julho/26 operava a US$ 4,62 (-0,50 ponto), o setembro/26 a US$ 4,66 (-0,25 ponto) e o dezembro/26 a US$ 4,82 (-0,25 ponto).

O mercado segue dividido entre fatores de pressão e sustentação. De um lado, previsões de chuvas no Meio-Oeste dos Estados Unidos podem atrasar o plantio da safra 2026/27, o que tende a dar suporte aos preços. Por outro, a demanda firme no mercado físico e o consumo robusto por produtores e exportadores de etanol continuam oferecendo sustentação às cotações.

Clima no Brasil impulsiona volatilidade nos contratos futuros

Na sessão anterior, a alta observada na B3 refletiu a precificação de um clima mais quente e seco nas regiões de plantio da safrinha. Esse cenário elevou as preocupações com o desenvolvimento das lavouras e deu suporte aos preços futuros.

O contrato maio/26, por exemplo, encerrou o dia anterior a R$ 68,95, com avanço de R$ 1,40 no dia e R$ 2,72 na semana. O julho/26 fechou a R$ 69,69, acumulando alta diária de R$ 1,81. Já o setembro/26 terminou a R$ 71,47, com ganho semanal de R$ 3,27.

Mercado físico segue travado e com baixa liquidez no Brasil

Apesar da volatilidade e das altas recentes nos contratos futuros, o mercado físico do milho no Brasil ainda não acompanha esse movimento com a mesma intensidade. A comercialização segue lenta, com baixa liquidez e pressão sobre os preços em diversas regiões.

No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais, com compradores cautelosos diante da oferta confortável e dos estoques elevados. Os preços variam entre R$ 56 e R$ 62 por saca.

Em Santa Catarina, o mercado permanece travado devido ao impasse entre vendedores e compradores. Enquanto as pedidas giram em torno de R$ 75 por saca, a demanda está mais próxima de R$ 65.

Já no Paraná, a pressão continua, com indicações próximas de R$ 65 e compradores ofertando cerca de R$ 60 CIF, além de ajustes negativos em várias praças.

No Mato Grosso do Sul, houve uma leve reação após semanas de queda, com preços entre R$ 57 e R$ 59 por saca, embora as negociações ainda ocorram de forma lenta.

Dólar abaixo de R$ 5 e demanda seletiva influenciam o mercado

Entre os fatores que seguem impactando o mercado interno estão o câmbio mais baixo, com o dólar abaixo de R$ 5,00, e a postura seletiva dos compradores. Além disso, a expectativa de melhora no consumo ao longo do segundo semestre ainda não foi suficiente para destravar os negócios no curto prazo.

Perspectivas: mercado segue dividido entre fundamentos e cautela

O mercado de milho continua apresentando sinais mistos, com os contratos futuros reagindo rapidamente a fatores climáticos e externos, enquanto o mercado físico segue pressionado pela oferta e pela cautela dos agentes.

A tendência para os próximos dias deve continuar sendo de volatilidade, com os investidores atentos ao clima nos Estados Unidos e no Brasil, ao comportamento do dólar e ao ritmo da demanda, especialmente da indústria de etanol.

Fonte: Portal do Agronegócio

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