Publicado em: 22/01/2026 às 19:00hs
Mesmo diante de um ambiente de insegurança jurídica e pressão tributária, o agronegócio brasileiro encerrou 2025 com resultados históricos em produção, exportações e geração de empregos, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Ministério da Agricultura.
A safra 2025/26 deve alcançar 353,1 milhões de toneladas de grãos, o maior volume da história, impulsionada principalmente pela soja, que atingiu 176,1 milhões de toneladas. O desempenho coloca o Brasil como líder global de produção, superando os Estados Unidos (118 milhões) e a Argentina (47,5 milhões).
Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion (Republicanos-PR), o resultado reforça a resiliência do produtor rural.
“O agro cresce apesar das dificuldades. Mesmo com tentativas frequentes de aumento de impostos e insegurança jurídica, o produtor continuou investindo e garantindo alimento, renda e emprego ao país”, afirmou Lupion.
Os números da produção se refletiram diretamente nas exportações. Em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou recorde histórico de US$ 169 bilhões, segundo dados da Secex e do Ministério da Agricultura, representando quase 50% das exportações totais do país.
O setor foi responsável por um superávit comercial de cerca de US$ 150 bilhões, ajudando a equilibrar as contas externas em um ano de instabilidade fiscal.
“O campo foi o grande responsável pelo equilíbrio macroeconômico. O superávit só foi possível graças ao desempenho do agro”, destacou o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da FPA.
Além da soja em grão, o Brasil também quebrou recordes nas exportações de farelo de soja, milho, algodão, carnes e etanol de milho, consolidando sua liderança mundial na venda de commodities agropecuárias.
Apesar das decisões políticas e judiciais que aumentaram a incerteza no campo — como o veto ao Marco Temporal e as discussões sobre invasões de terras —, o agro manteve crescimento constante.
O deputado Alceu Moreira (MDB-RS) ressaltou que o bom desempenho foi conquistado “apesar do governo, e não por causa dele”. Segundo ele, o produtor rural continuou investindo, mesmo diante de um cenário de instabilidade jurídica.
Na piscicultura, o destaque foi para a tilápia, que respondeu por 92% das exportações de pescado cultivado. Dados do Ministério da Pesca e Aquicultura mostram que, apenas no primeiro trimestre de 2025, as exportações de pescado cresceram 112% em receita e 89% em volume, consolidando a aquicultura como um dos setores mais dinâmicos do agro brasileiro.
“O setor mostrou eficiência produtiva e capacidade de abastecer o mercado interno e externo, com recordes em carnes e pescado”, destacou o deputado Zé Victor (PL-MG).
O agronegócio brasileiro também atingiu recorde histórico de empregos, com 28,5 milhões de trabalhadores, segundo o IBGE. O resultado reflete o impacto do campo na geração de renda e divisas, especialmente em um momento de desaceleração em outros setores da economia.
A produtividade média das lavouras chegou a 4.308 kg/ha, o maior patamar da série histórica, com avanços expressivos em culturas como leite, batata e cenoura.
A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) atribui o desempenho à tecnologia e à inovação.
“O crescimento não é resultado do acaso, mas de investimento em ciência, sustentabilidade e boas práticas. O produtor brasileiro se modernizou e aumentou o valor agregado da produção”, afirmou.
Segundo ela, 2025 também marcou um avanço importante na industrialização de alimentos, com o Brasil se consolidando como maior exportador mundial de produtos alimentícios processados, incluindo queijos, azeites e vinhos premiados internacionalmente.
O setor de frutas também apresentou desempenho expressivo, com exportações que superaram US$ 1,45 bilhão, segundo o Ministério da Agricultura. Melão, uva, mamão, banana, abacate, maçã, coco e tangerina estiveram entre os principais produtos embarcados.
Esses resultados reforçam a diversificação da pauta exportadora brasileira, que passa a incluir produtos de maior valor agregado e maior reconhecimento internacional.
Para os parlamentares da FPA, os números de 2025 comprovam a força e a competitividade do agronegócio, mas também evidenciam a necessidade de políticas públicas voltadas à segurança jurídica, crédito e seguro rural.
“O agro brasileiro é essencial para o país e para o mundo. Com previsibilidade e estabilidade regulatória, o setor pode crescer ainda mais e continuar garantindo a segurança alimentar global”, concluiu Pedro Lupion.
Fonte: Portal do Agronegócio
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