Análise de Mercado

Mercado interno paga melhor pela soja

Os futuros da soja iniciaram a semana sem muita força na Bolsa de Chicago ontem


Publicado em: 29/10/2013 às 11:40hs

Mercado interno paga melhor pela soja

O mercado internacional de grãos parece ainda buscar mais informações para definir um direcionamento mais claro para registrar movimentos mais expressivos. Enquanto isso, os preços da soja no mercado interno são bastante atrativos. No próximo dia 8 de novembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga seu novo relatório de oferta e demanda após o mês de outubro em que o boletim não foi reportado.

Essa espera, segundo alguns analistas, faz com que os investidores fiquem na defensiva, optando por atuar após as informações mais concretas sobre a nova safra norte-americana, com números principalmente sobre os estoques e a área no país.

Demanda aquecida no Brasil

Os ganhos no mercado interno, segundo explicam analistas, são reflexo da pouca disponibilidade de produto e de uma demanda ainda bastante aquecida, principalmente por parte da indústria brasileira. Resultado dessa demanda aquecida, os prêmios nos portos do País registram uma escalada de alta. "Essa escalada dos prêmios no mercado disponível já vem caracterizando uma entressafra aqui no Brasil", explicou Carlos Cogo, analista de mercado. Para o vencimento novembro/2013, na sexta-feira (25), com os atuais patamares de Chicago, chegou a R$ 73,90 por saca, o que equivale a cerca de US$ 15,30 por bushel, e um prêmio de mais de US$ 2,40 por bushel. "Hoje o comprador interno está sendo forçado a pagar o equivalente ao preço no porto para poder manter sua soja no disponível e destinar para esmagamento, produção de farelo, óleo e biodiesel no mercado interno", afirma Cogo.

Diante desse quadro, com os preços pagos no interior do Brasil compensando mais do que os valores dos portos, e uma soja que vem sendo disputada, os produtores brasileiros vêm segurando parte das suas vendas à espera de preços ainda melhores para comercializar e efetivar os negócios com o volume que ainda têm da safra 2012/2013.

Ainda de acordo com o analista, para que os preços nos portos valessem que a soja fosse destinada para exportação deveriam estar entre R$ 78,50 e R$ 79,00 por saca. "Praticamente não se tem negócio no porto desde o dia 21. Temos um nível de preço no porto incompatível com o que há disponível no interior", explica. "Assim, essa soja será destinada para o comprador interno", completa.

Para Cogo, esses prêmios mais altos também já indicam o início do mercado climático na América do Sul e essas informações tomando cada vez mais a atenção dos investidores. A Argentina ainda sofre problemas com a seca e as condições para o plantio no Brasil não estão completamente positivas. "As ofertas argentina, brasileira e paraguaia passam a ser fundamentais para atender a demanda mundial 2014".

A situação de produtores mais contidos se repete nos EUA também, uma vez que a colheita se encaminha para a fase final.

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